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F1, entrevista a George Russell: “Este foi o melhor momento para chegar à Mercedes”

Jorge Girão by Jorge Girão
11 Março, 2022
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1
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F1, entrevista a George Russell: “Este foi o melhor momento para chegar à Mercedes”

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George Russell chega este ano a um dos lugares mais desejados da Fórmula 1 e, ao mesmo tempo, a um dos mais exigentes, dado que ao seu lado terá um dos melhores pilotos de sempre.
No entanto, o jovem inglês tem uma ideia clara sobre o que precisa de fazer este ano para se impor definitivamente na categoria e, muito embora não queira falar em títulos, evidencia uma confiança férrea de quem sabe que não deixará fugir a oportunidade…

Depois de tudo o que aconteceu no Grande Prémio de Abu Dhabi e de tudo o que se passou durante este defeso, que Lewis Hamilton encontraste?
George Russell: É claro que a minha relação profissional com o Lewis nos últimos três anos não foi tão próxima como quando, durante cinco anos, eu era piloto junior, o que me permitia vê-lo trabalhar todas as semanas e sempre fiquei espantado como, alguém tão talentoso e bem-sucedido como ele, continua a esforçar-se cada vez mais. Isto é incrivelmente inspirador e motivador para um jovem piloto como eu, para tentar alcançar os elevados padrões que o Lewis elevou e, para mim, ser o seu colega de equipa, é uma forma de aprender e ver como ele age.
Penso que temos uma boa relação e espero que possamos trabalhar juntos para ajudar a equipa a avançar.

Qual é a tua opinião sobre as alterações da FIA, relativamente à direção de corrida? E tiveste algum impacto, dado o teu papel na GPDA?
George Russell: Sim, a GPDA falou com a FIA logo após Abu Dhabi e eles foram extremamente proactivos na tentativa de encontrar soluções. Julgo que o “VAR” é uma grande solução, creio que faz sentido ter assistência de pessoas a analisar em tempo real de modo a ter mais informação para que uma decisão seja tomada rapidamente. Os tempos avançam e mudam, a forma como os pilotos estão a explorar o regulamento é compreensível e a FIA tem de fazer mais para compensar isso, dado que todas as equipas e pilotos tentam sempre tirar vantagem. Portanto, penso que demorará algum tempo para que este sistema seja refinado, mas acredito que seja um passo na direcção certa.

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Consideras que os acontecimentos de Abu Dhabi, o ano passado, poderão levar a que Lewis Hamilton possa estar menos bem-preparado, dando-te, assim, uma oportunidade para te impores?
George Russell: Penso que o Lewis é um lutador, um piloto de corridas, a sua prioridade absoluta é ser a sua melhor versão quando estiver em pista, no Bahrein, para a primeira corrida.
É muito mais experiente que eu, sabe o que é preciso para ser Campeão do Mundo, sabe do que precisa para se preparar durante o defeso para ficar pronto para a corrida de abertura.
Todos somos diferentes, eu provavelmente tenho uma abordagem distinta da dele, e ele da de outros pilotos, temos de aprender o que é melhor para nós e de respeitar o que cada um necessita.

Como é a tua relação com o Lewis Hamilton e de que forma ele te poderá ajudar?
George Russell: Eu e o Lewis temos muito respeito um pelo outro, penso que ajuda o facto de ter estado nas reuniões técnicas há cinco anos, a ouvir, a aprender, e essa relação de trabalho já existia nessa altura e penso que sempre soubemos que havia a grande possibilidade de podermos ser colegas de equipa. Sempre tivemos uma boa relação.
Quanto a forma de como ele me pode ajudar a desenvolver, penso que basta sermos abertos um com o outro. Creio que precisamos de dar prioridade ao carro em vez de darmos prioridade um ao outro, dado que a situação não será tão fácil como foi nos últimos três anos, quando o regulamente se manteve estável e houve apenas pequenas evoluções. O ritmo de desenvolvimento será massivo este ano e, por isso, temos de garantir que partilhamos o máximo de dados possível entre nós e trabalhamos um com o outro o máximo possível, porque é do nosso interesse termos o carro mais rápido. Se isso acontecer, então podemos potencialmente preocupar-nos um com o outro, mas até lá é garantir que temos o carro o mais rápido possível.

Tiveste uma estreia fantástica com a Mercedes, no Bahrein. Consideras que podes andar ao nível do Lewis Hamilton desde a primeira corrida?
George Russell: Para dizer a verdade, nem sequer pensei nisso, dado que o meu objectivo é adaptar-me ao carro e à equipa para poder desenvolver o W13 na direcção certa para que nos possa dar a melhor direcção para que tenhamos oportunidades nos próximo dois, três, quatro anos, dado que vimos o ritmo de desenvolvimento, ouvimos rumores de outras equipas sobre o seu desenvolvimento, e temos de nos recordar que a Fórmula 1 criou este regulamento com a ideia de que os carros seriam quatro segundos mais lentos e já ouvimos de todas as equipas que são bastante mais rápidas que isso.
Eu e o Lewis temos de trabalhar juntos, não nos podemos focar um no outro, tudo está em constante mudança e temos de dar um passo atrás, esperamos que a Mercedes continue a ser a mais rápida, mas não existe essa garantia.
Não podemos ser naïfs sobre onde estamos.

Não és estranho à Mercedes, mas agora estás numa nova relação com a equipa. Como está a decorrer a tua adaptação?
George Russell: Diria que é o que eu esperaria de uma equipa que Campeã do Mundo, está atenta a todos os detalhes e é impressionante de ver.
Penso que já o tomava por garantido, quando era piloto de Fórmula 3 e piloto de simulador da Mercedes, quando viajava com eles, e podia ver como eles operavam, mas é impressionante perceber a atenção dada desde às coisas mais simples até às mais técnicas e toda a operação.
Mas sinto-me em casa, todos têm sido muito simpáticos, portanto, já me sinto confortável e todos se sentem confortáveis comigo.
Agora é olhar em frente. Na verdade, nem sequer sinto que seja uma transição, parece que estou com a equipa com que estive nos últimos anos
Na verdade, conduzi todos os carros de F1 da Mercedes desde 2017, portanto, já estou bem-adaptado.

Estando tu ao serviço da Mercedes, poderás estar envolvido na luta pelo título. Como abordas essa possibilidade?
George Russell: Não estou a pensar nisso, nem sequer levo isso em consideração. As pessoas perguntam-me o que vou fazer de diferente este ano, agora que estou a lutar pelo campeonato, e a resposta é nada, dado que o processo e a rotina que adotei nestes anos foi o que me levou a conseguir este lugar, portanto, vou dormir o mesmo, comer o mesmo, treinar o mesmo, dado que considero que estava a dar o meu máximo absoluto, o meu melhor, para que tivesse a melhor possibilidade para garantir este lugar na Mercedes.
Se sentisse que podia fazer mais, estaria a fazê-lo. Portanto, penso que é importante não entrar em demasiadas análises, não mudar quando considero que tenho um sistema que funciona para mim, talvez seja diferente dos outros, mas para mim funciona. Quero continuar aquilo que construí nos últimos quatro ou cinco anos.

O facto de entrares na Mercedes ao mesmo tempo que assistimos a esta mudança regulamentar, é uma vantagem ou desvantagem?
George Russell: Penso que é sempre bom ter consistência ao longo dos anos, mas este é o melhor ano possível para mudar de equipa, dado que todos estamos a começar do zero – estamos a começar do zero enquanto piloto, na relação com a equipa, tudo começa do início.
Eu queria entrar na Mercedes o mais rapidamente possível, mas olhando para trás, penso que este foi o momento certo.

De que forma evoluíste desde a tua chegada à Fórmula 1?
George Russell: Relativamente ao piloto que chegou há uns anos à Williams, hoje sou muito mais completo, a velocidade pura não muda, mas aprendemos a tirar mais da rapidez e da equipa à nossa volta. Penso que foi nesta área que aprendi bastante e evolui, não foi porque aprendi a ser mais rápido, foi antes porque aprendi a lidar com mais cenários e isto vem com a experiência.

Tags: F1George RussellMercedes
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