Em entrevista ao Dirtfish e a Colin Clark, Mohammed Ben Sulaymen, novo Presidente da FIA admite que o Mundial de Ralis perdeu o fulgor doutros tempos, mesmo depois de uma era, 2017-2021 bem entusiasmante, com ralis muito equilibrados e muita luta pelos títulos.
E tem toda a razão. Os ralis têm vindo a perder fulgor, não só face a outras disciplinas do ‘motorsport’, mas também o ‘motorsport’ em conjunto – talvez exceção feita à F1 – face a outros desportos.
Nunca como hoje houve tanta concorrência de desportos, todos eles televisionados, e todos eles, ou pelo menos a sua grande maioria, muito bem ‘promovidos’ por quem de direito.
E esta é uma batalha que uma disciplina como o WRC tem de saber ‘ganhar’ a outros desportos, porque sejam esses quais forem, o seu potencial de gerar emoção e espetáculo junto das massas é menor.
É lógico que é quase impossível destronar o futebol, esse é o pináculo, mas os ralis têm que conseguir chamar mais a atenção das ‘massas’, o que não sucede tanto quanto no passado.
Os ralis nos anos 80 e 90 tinham muito mais impacto no mundo do desporto que têm tido no Século XXI. Perderam adeptos para muitos outros desportos ou atividades.
E o novo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem acredita que uma forma de resolver o problema é os pilotos tornarem-se mais “estrelas”. Tal como está a acontecer na F1.
“Precisam-se de estrelas”, disse Ben Sulaymen a Colin Clark, do DirtFish: “Não é preciso apenas vencedores. É preciso alguém que puxe pelas pessoas. Precisas de alguém que atraia mais pessoas, audiências.
Ben Sulayem levanta uma questão bem interessante: as pessoas interessam-se pelo desporto ou pelos heróis? E ele entende que as pessoas seguem os heróis.
Toda a gente sabe neste momento que Max Verstappen foi Campeão de F1. Quantos, fora da comunidade da F1 sabem que a Mercedes foi Campeã de Construtores? E com Ogier e a Toyota? Segundo o Presidente da FIA “São as personalidades que nos fazem voltar atrás para mais, especialmente nas fases iniciais de seguir um desporto, e os ralis não são diferentes”.
Um bom exemplo do que diz Sulaymen foi o que sucedeu em Espanha com Carlos Sainz. Quem já viu o documentário que passa atualmente na Amazon Prime, sabe a discussão que houve relativamente a esse assunto. Antes de Carlos Sainz não havia um desportista de topo em Espanha que alguma vez tivesse conseguido o que o espanhol conseguiu, e a seguir a ele, muitos vieram. E o próprio Fernando Alonso admite-o.
E para Ben Sulayem, este não é um trabalho só para o Promotor do WRC, mas também para os pilotos: “[Precisamos] de espalhar o apelo do nosso desporto”, disse Sulaymen.
Não será fácil este trabalho. Oliver Solberg é perfeito para o que se pretende.
Já a timidez natural de Kalle Rovanpera não ajuda tanto. Ott Tanak é outro (mau) exemplo. A generalidade dos adeptos do WRC gosta dele, mas a sua maneira de ser torna muito complicado tornar-se um herói. Sébastien Loeb e Sébastien Ogier conseguiram-no à custa de muitas conquistas. Na F1, Kimi Raikkonen é um caso totalmente atípico. Sendo tão ‘difícil’ tornou-se um ícone.
O caso mais evidente da criação de um herói em Portugal está em Miguel Oliveira.
Com os seus feitos nos últimos anos, Filipe Albuquerque e Félix da Costa também têm feito bom trabalho. Não temos a mais pequena dúvida que esta questão levantada por Mohammed Ben Sulaymen, Presidente da FIA faz todo o sentido…











