F1, polémica de Max Verstappen no Brasil: E se o feitiço se virar contra o feiticeiro?

Por a 25 Novembro 2021 15:27

Beber do próprio veneno ou tiro sair pela culatra! Como preferir! A defesa de Max Verstappen a Lewis Hamilton no Grande Prémio de São Paulo foi polémica e poderá ter deixado um legado que, eventualmente, poderá virar-se contra o piloto holandês na luta pelo título deste ano.

A manobra é conhecida – na quadragésima oitava volta da prova brasileira, o heptacampeão mundial lançou um ataque à liderança do piloto da Red Bull na aproximação à Descida do Lago.

Por fora, Hamilton chegou a estar à frente de Verstappen mais de meio carro, mas este, com uma longa escapatória de asfalto pela frente, escolheu deixar a travagem para tão tarde, que passou para a frente do inglês, mas sem qualquer possibilidade de fazer a curva sem recorrer ao alcatrão para lá do corretor.

Hamilton, para evitar o contacto entre eles, alargou a sua trajetória e foi obrigado, também ele, a passar pela escapatória, não conseguindo concretizar a ultrapassagem que ambicionava.

Os comissários desportivos consideraram não ser necessário colocar o incidente em investigação, o holandês não foi penalizado e a dúvida instalou-se em todos os pilotos, talvez com a exceção do jovem da Red Bull.

A mensagem passada é que os limites da pista, na luta por posições são irrelevantes, dado que Verstappen recorreu à escapatória para defender a sua liderança.

No passado, mais concretamente no Grande Prémio da Áustria, Lando Norris e Sérgio Pérez, duas vezes, não deram espaço exterior quando foram atacados, tendo os seus adversários de passar pela escapatória – nesse caso de gravilha -e foram penalizados em cinco segundos em cada um dos incidentes.

Podemos ser levados a concluir que, a liberdade de que Verstappen gozou em Interlagos, só é dada quando os pilotos têm asfalto como zona de segurança…

Porém, é apenas na defesa de uma posição que isso se poderá fazer?

Fernando Alonso, no Grande Prémio dos Estados Unidos, ultrapassou António Giovinazzi, passando por uma escapatória, e foi obrigado a ceder a sua posição…

Qual é o motivo que leva a que se possa transgredir os limites da pista na defesa de uma posição e não se possa fazer o mesmo quando se ataca um adversário?

São questões que se levantam e que deixaram os pilotos num mar de dúvidas sem saber como agir no futuro.

“Temos de nos adaptar sempre a todas as situações, a cada decisão que os comissários tomam”, disse Leclerc, que acrescentou: “Assim que soube que não uma penalização para o Max (Verstappen) na Áustria (n.d.r.: quando ambos lutavam pela vitória em 2019), fui para Silverstone e mudei a minha pilotagem.

Por isso, acho que é um pouco o mesmo para cada piloto, vamos sempre tentar ir até aos limites do que nos é permitido fazer.

“E é isso que eu vou fazer se, no neste caso, este tipo coisas forem permitidas”.

Leclerc apontou que o sentido da decisão dos comissários no Grande Prémio de São Paulo é pouco relevante para ele, mas deseja clarificação: “Honestamente, não me importo. Mas o que quer que seja permitido, só quero que fique claro como piloto. É a única coisa que me importa.

Se isso for permitido, então a ultrapassagem por fora vai ser muito difícil.

Mas seja qual for a situação, a decisão, eu vou apenas adaptar a minha pilotagem a ela; portanto, para mim, tudo bem”.

Carlos Sainz afina pelo mesmo diapasão, desejando que as regras sejam claras para todos. “É preciso ser bem explicado que, se isto (n.d.r.: a manobra de Verstappen no Brasil) não foi penalizado na última corrida, e se eu estiver numa posição semelhante, tenho de saber que posso fazer algo similar.

Penso que o carro por dentro tem sempre a preferência e a capacidade de obrigar o outro carro a alargar a trajectória, mas se o carro do interior também sair largo, é isso que temos de esclarecer”.

George Russell, talvez por estar envolvido o seu futuro colega de equipa, tem uma visão mais crítica da situação: “Se tivesse sido a última volta do Grande Prémio, tenho a certeza de que ele teria recebido uma penalização”.

A reação de Verstappen é de certo modo compreensível – está numa luta intensa pelo título em que qualquer ponto será determinante para encontrar o campeão deste ano e, num fim-de-semana em que não tinha argumentos para contrariar o seu rival, olhando para uma extensa e inócua escapatória de asfalto deixou o seu instinto falar mais alto: travar o mais tarde possível, recorrer ao asfalto de segurança, deixar do lado de Hamilton o ónus de haver mais um acidente entre ambos e tentar manter o comando.

Claro que, Hamilton, sabendo que tinha um carro superior, estava consciente de que seria uma questão de tempo até alcançar o primeiro lugar, e evitou o contacto.

Mas cabe à FIA e aos seus responsáveis traçar uma linha entre aquilo que é e não é permitido e ao não penalizar Verstappen em Interlagos, abriu a caixa de Pandora e, agora, todos os pilotos quererão fazer o mesmo numa situação semelhante…

A questão é: e se em Abu Dhabi, onde parece cada vez mais certo que se decidirá o título deste ano, Hamilton realizar uma defesa semelhante à que o holandês fez na quadragésima oitava volta do Grande Prémio de São Paulo e assim se decidir o título?

Todos aceitarão a manobra do inglês?

Pois é, os comissários desportivos ofereceram à FIA um problema perfeitamente desnecessário…

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19 comentários

  1. Ricfil

    29 Novembro, 2021 at 19:40

    Isto a continuar assim (com aquelas manobras à “escola de kart” do Max, e se o título ficar resolvido dessa forma) vamos chegar aqui e observar a horda de apoiantes do holandês criticar veementemente a FIA pela decisão de penalização do Max pela manobra efectuada (atitude que já deveria ter sido tomada faz tempo (à Lá Schumacher 94/97) – o que acabaria logo com aquelas ganas de mentalidade infantil do holandês).

    Não sendo assim, esperam-se “as cenas do próximo capítulo”.

    Mas observar aqui comentários que indicam que – entre o Max e o Lewis – na eventualidade de efetuarem uma manobra “porca” daquelas, a probabilidade de ambos a efectuarem seria ela por ela (depois do que se observou durante toda a época entre o que se passou com a conduta profissional de ambos) é no mínimo motivo para esboçar um sorriso.

    Só prova que parte de quem frequenta este site não gosta de Fórmula 1. Gosta da sua “clubite”.

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