Não se pode subestimar os efeitos de uma presença mais vincada nas redes sociais da F1 na conquista de novos fãs, assim como o efeito da série Drive to Survive, da Netflix e os números da assistência no fim de semana do GP dos EUA são um excelente indicador.
A F1 está melhor, não há dúvida nenhuma, mas não está radicalmente melhor do que estava há 5 anos. Sim a época 2021 está a ser fenomenal, com grandes lutas e isso atrai público mas há um fator que tem de ser realçado. Foi possível atrair mais público graças à postura mais aberta da F1 e graças a iniciativas como o Drive to Survive. As 400 mil pessoas que estiveram a ver ao vivo a prova, nos três dias de competição são um número assombroso, num país onde outros desportos têm mais peso que a F1. Conseguir subir os números de espetadores ao vivo é um feito, mais ainda numa altura em que teremos mais uma corrida em solo americano e isto sem um piloto local ou uma equipa americana a lutar por posições de relevo. Esta foi uma das maiores assistências de sempre da F1 e foram muitos os comentários dos jornalistas presentes que disseram que “nunca viram filas assim” para entrar no recinto. Num mundo que ainda recupera de uma pandemia que teima em assombrar os dias, ver bancadas cheias fez lembrar tempos em que não havia medo de cumprimentos. Mas mais que isso, mostrou que a F1 está cada vez melhor. O espetáculo em pista tem sido de grande qualidade, mas para este ser apreciado, foi preciso um trabalho de sapa, de apresentação do desporto a “novos clientes”, daí o esforço para explicar os pormenores na transmissão. Também a chegada de novos ídolos, novas rivalidades, tudo isso apresentado de forma dramática na série que retrata a F1 fez muita gente interessar-se pelo desporto.
Isto reflete-se no “share” televisivo, com uma média de 1,2 milhões de telespectadores a assistir na ESPN, a corrida mais vista na rede desde que os direitos foram readquiridos em 2018. Apenas o Grande Prémio dos EUA de 2007, ganho por Hamilton em Indianápolis, atraiu mais espectadores, enquanto a corrida deste ano é agora o grande prémio mais visto da temporada, ganhando uma audiência maior do que as corridas francesas [1,1 milhões] e britânicas [um milhão]. Se era preciso uma prova que o rumo traçado é interessante, ver bancadas cheias e o entusiasmo num país onde a F1 ainda era vista de lado, as imagens das bancadas do fim de semana de Austin são o melhor exemplo.








