No Rali de Portugal de 2004, no último ano do Troféu Peugeot 206, acabei por viver uma das situações mais caricatas da minha carreira. Antes de chegar ao primeiro troço verificamos que os intercomunicadores não estavam a funcionar pois qualquer coisa se passavam com as pilhas. A solução
foi parar e comprar um pilha na primeira mercearia que encontramos. O problema é que a pilha, apesar de estar ainda dentro da embalagem, devia estar na mercearia e fazer parte de um “stock” com pelo menos 20 anos, pelo que também não tinha carga suficiente para os intercomunicadores. Assim, a solução foi fazer a sequência de quatro troços, em Macedo de Cavaleiros, à vista, o que quer dizer com o Paulo Grave, o meu navegador, a comunicar comigo por linguagem gestual pois rapidamente percebeu que não valia a pena berrar porque eu não ouvia rigorosamente nada com o barulho do motor. E imaginem a aflição dele a chegar a ganchos onde eu me aproximava em sexta velocidade e onde já devia ter travado há bastantes metros atrás! O certo é que, mais gesto, menos gesto, lá nos conseguimos entender e até ganhar um dos troços à razão de um segundo por quilómetro mais rápido que todos os adversários do Troféu! Conclusão: no final dessa ronda a equipa queria “despedir” o Paulo pois dizia que se eu conseguia ser mais rápido sem navegador, não valia a pena levá-lo pois poupava-se em custos e no peso do carro. Tudo na brincadeira, claro!









