Andrea Adamo, em declarações ao Dirtfish, mostrou-se muito agradado pela forma como as novas regras do WRC têm vindo a ser discutidas, e entende que essa é a fórmula certa para que tudo se desenrole de forma a que o WRC possa, dentro do possível, atravessar este período que se espera conturbado: “Tenho de dizer, sendo engenheiro – por isso tenho o direito do dizer – que os engenheiros são por vezes as entidades mais ‘perigosas’ no desporto automóvel. Não têm qualquer contacto com a realidade, por vezes estão apenas a gastar dinheiro por gastar dinheiro” disse o Diretor da Hyundai MotorSport, Andrea Adamo, de forma ‘brutalmente’ honesta.
Curiosamente, ainda no ano passado em entrevista ao AutoSport durante o Rali de Portugal Adamo disse basicamente o mesmo. Quando o confrontámos com o facto de não ser muito comum vermos um engenheiro a comandar uma equipa de ralis – atualmente, duas das formações que disputam o WRC são lideradas por engenheiros, M-Sport e Hyundai – perguntámos-lhe que valor acrescenta essa formação à função de diretor de equipa?
“É uma questão interessante. Eu diria que, devido à formação que tenho, a minha equipa terá um esforço adicional na hora de me convencer a gastar dinheiro! Honestamente, na minha função atual, a formação em engenharia permite-me compreender com maior profundidade as necessidades das pessoas que trabalham mais diretamente comigo e que são maioritariamente engenheiros. Isso ajuda-me a ter uma perspetiva completa das coisas e até, em alguns casos, a antecipar potenciais problemas. Em jeito de resumo, espero que a visão pragmática de um engenheiro possa ajudar a liderar de forma pragmática uma equipa”.
Recorde-se que a FIA e as equipa do WRC têm discutido ao longo dos últimos meses as novas regras para 2022 e como vão fazer para poupar dinheiro. Como se sabe, a tecnologia híbrida será introduzida nos carros, mantendo os motores atuais turbo de 1.6 litros: “Como estou a ficar velho, penso que esta foi a primeira vez na minha vida no desporto automóvel que vi as regras crescerem e desenvolverem-se com a abordagem adequada, sentando as pessoas certas à volta da mesa, apresentando propostas claras que orientam a direção das regras e agora temos um controlo claro do que os engenheiros estão a fazer. Esta é a forma correta”, disse Adamo, esperando-se agora que o ‘produto final’ espelhe as visões dos engenheiros, da gestão e do marketing, dos três construtores aí representados: “É a primeira vez na minha vida que vejo algo que deve ficar bem até ao fim pois não estamos a fazer as loucuras que só iriam matar o campeonato”, disse Adamo, que no entanto tem a mesma dúvida que todos neste momento: Como a pandemia de Covid-19 vai afetar os construtores automóveis e os desportos motorizados. As medidas de redução de custos estão a ser discutidas, mas a forma como o coronavírus pode moldar o futuro do campeonato é difícil de prever: “É uma pergunta complicada a que espero ter uma resposta com os meus colegas nos próximos meses, porque esta é uma das perguntas mais difíceis de responder por todos. E é por isso que penso que estamos perante um momento delicado”.










