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F1: Equipas no fio da navalha

Fábio Mendes by Fábio Mendes
7 Abril, 2020
in Autosport Exclusivo, Destaque Homepage, F1, FÓRMULA 1
A A
FÓRMULA 1: Um calendário de 180 dias?

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O aviso deixado por Zak Brown deve ser ouvido com atenção. A F1 está frágil e neste momento todos os cuidados são poucos.

A crise económica que irá inevitavelmente afetar o mundo todo terá consequências tremendas para o desporto motorizado que apenas há alguns anos se livrou do fantasma da crise de 2008. Espera-se um cenário bem mais negro e complicado nos próximos meses e anos.

A F1 tem de se unir como nunca, para fazer frente a uma situação nunca antes vista. Há equipas que vão precisar de tomar medidas drásticas e que correm o risco de fechar caso não sejam acautelados os interesses de todos.

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A perda de qualquer equipa nesta fase pode ser irremediável. Serão muito poucos os interessados em investir na F1 nesta fase, olhando às perdas que este ano implica, à chegada de novos regulamentos o que traz também um novo paradigma competitivo, sem esquecer o interesse cada vez maior nos eléctricos. Em tempos ouviram-se rumores da entrada de uma nova equipa, a Panthera Team Asia F1, mas esses rumores não se materializaram. Recentemente apenas Lawrence Stroll investiu forte na F1 com a compra da Racing Point e agora da Aston Martin, um projeto que começa numa fase complicada. Os investimentos na F1 têm sido poucos e desde 2014 e apenas a entrada da Haas e o investimento da Renault contrariou a saída da Catheram e da Marussia, numa fase em que se esperavam mais interessados (rumores da entrada da Audi e da Porsche nunca passaram disso mesmo).


EquipaValorReceita (milhões dólares) Lucro (milhões de dólares)
1Ferrari1,35426-12
2Mercedes1,01545122
3Red Bull Racing6403271
4McLaren620165-137
5Renault430195-7
6Williams4001766
7Toro Rosso2001726
8Racing Point130104-17
9Haas F111595-28
10Alfa Romeo10584-18

Os valores apresentados referem-se ao exercício de 2018.

A Mercedes tem sido a campeã dos lucros, mas não podemos deixar de olhar para o passado. O lucro deve-se ao sucesso nas pistas, mas este chegou a um preço: em 2014, ano do primeiro título, a equipa alemã gastou 380 milhões, mais 26% que em 2013 e mais 58% que em 2012. Isso significou uma perda de 150 milhões em 2014. O sucesso compensou e a equipa tem agora um valor muito aproximado do da Ferrari que compete na F1 desde 1950 e que conta com a herança da marca na valorização da equipa. Estas duas equipas pelo valor que apresentam, pelo sucesso e pelo apoio de fortes grupos do setor automóvel não deverão ter problemas em sobreviver à crise. Mas estes números são pouco convidativos para quem quer entrar na F1. Se para vencer é preciso gastar tanto, estruturas privadas dificilmente se interessarão e as grandes marcas conseguem ter exposição mediática com menos investimento. E se esse interesse era reduzido numa fase de crescimetno da F1, imagine-se em cenário de crise.

Segue-se a Red Bull que apresentou em 2018 um lucro de 1 milhão, mas que recebeu 92 milhões em patrocínio da… Red Bull. Significa isto que a marca de bebidas energéticas continua a colocar dinheiro na sua equipa, que gasta menos que as duas equipas de topo é certo, mas tem um forte investimento feito. Também aqui não se vê motivos para temer o pior, mas isso deve-se à muleta Red Bull.

Os problemas começam a partir daqui. A McLaren apresentou perdas significativas em 2018 e vem de uma fase negra. Apenas em 2019 se viram sinais de recuperação, mas para chegar ao topo a Mclaren começou a investir num novo túnel de vento e num novo simulador. A equipa de Woking está inserida num grupo, sólido mas pode ter sido apanhada contra a corrente e talvez por isso tenha sido a primeira a colocar grande parte do staff em licença. Não é expectável, do que é sabido publicamente, que a equipa tenha dificuldades em sobreviver, mas pode passar por momentos delicados. A Renault tem o apoio da marca do losango, mas o grupo tem passado por alguma instabilidade, com a aliança Renault- Nissan em risco, algo que poderá ser refletido na equipa de competição, que demora a mostrar os resultados desejados.

A Racing Point tem agora Lawrence Stroll e o projeto Aston Martin ao virar da esquina não estará na lista negra das possíveis vítimas.

Williams, Toro Rosso, Haas e Alfa Romeo, parecem ser as equipas mais frágeis. A Williams tem sido das equipas que mais tem sofrido a nível competitivo e pode ter dificuldades em passar pela tempestade, tal como a Alfa Romeo. No entanto a Williams tem a seu favor o peso do nome e a Williams Advanced Engineering que poderão ajudar a superar as dificuldades, apesar de ser a equipa que mais abertamente tem admitido problemas financeiros. A Sauber, estrutura por trás da operação da marca italiana Alfa Romeo deverá ficar sem o nome da marca e sem o respetivo apoio, o que pode colocar a equipa em maus lençóis. Os rumores da saída da Alfa da F1 chegaram numa fase em que as vendas da marca estavam em queda e esta crise pode precipitar o cenário da separação. A Haas depende da vontade de Gene Haas, que não parece ter vontade de investir sem retorno e os resultados de 2019 deixaram o americano de pé atrás. A Toro Rosso depende da Red Bull, e não é um cenário descabido o investimento diminuir ou até terminar, caso a situação fique mais difícil.

A F1 deve tomar medidas para garantir a sobrevivência das equipas e a sua própria sobrevivência. A receita vai cair muito este ano, com o cancelamento de provas, que implica quebra na entrada de dinheiro e compensações. A vontade da F1 fazer 15 a 18 corridas deve-se aos contratos as televisões que são uma grande fatia da receita, mas para isso tem de haver um mínimo de 15 corridas, caso contrário os valores a serem pagos podem ser substancialmente menores. Assim, todas as medidas que possam ajudar à diminuição de custos terão de ser aplicadas, a bem do desporto. Uma F1 com 8 equipas (16 carros) tem muito menos valor aos olhos de quem quer fazer publicidade. Manter as 10 equipas deve ser a prioridade da F1, para manter o seu valor e o interesse desportivo algo que nesta fase parece ser um desafio delicado.

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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