Porsche continua o desenvolvimento do LMP1… a pensar na F1

Por a 24 Novembro 2017 10:14

O anúncio da saída da Porsche no final deste ano do WEC, foi um golpe duro para o campeonato de resistência, mas pode ser uma excelente notícia para a F1. Os rumores da ida para o Grande Circo são cada vez maiores e para já o interesse é oficial, com a marca a tomar parte nas reuniões que pretendem delinear o futuro da modalidade.

A marca de Estugarda estava a meio caminho no desenvolvimento de um novo motor para o WEC, quando foi dada a notícia que a saída iria ser uma realidade. No projeto estava um motor de 6 cilindros, curiosamente como os da F1. Nos 4 meses de desenvolvimento do novo motor, o foco esteve essencialmente na parte do bloco onde se dá a combustão.

“Era claro para nós que se quiséssemos ficar no WEC teríamos de melhorar o nosso motor pois os 4 cilindros estavam a atingir o seu limite. Começamos com um 6 cilindros em abril e claro que queremos terminar o trabalho”, afirmou Fritz Enzinger.

O desenvolvimento será feito como cilindro único para já e só depois a marca dará ordens para continuar. Quanto a possibilidade de ser um motor para a F1, ninguém comentou essa hipótese. Para já, a vontade é de aumentar a eficiência termodinâmica dos motores da marca, que já conseguiu 40% nos seus LMP1, mas que quer chegar à marca dos 50% que a Mercedes tem nos seus motores de F1.

Os motores de F1 pós-revolução de 2014 são absolutamente fantásticos, sendo 30% mais eficientes do que os motores usados antes da era híbrida. 30% em F1 é muito, considerando que é um desporto que vive de pormenores. Isso implica que a eficiência atual de um motor ronda os 50%, no caso da Mercedes.

Teoricamente cada depósito cheio de um carro de F1 tem 1240 Kw de energia disponível. Neste momento, a melhor tecnologia apenas permite utilizar pouco mais de metade da potência disponível.

Outro número que merece reflexão… Em 2013, o sistema KERS (recuperação de energia na travagem) pesava 107 Kg e tinha uma eficiência de…39%. Hoje em dia, o ERS (recuperação de energia térmica e cinética) pesa 20Kg e tem uma eficiência de 95%.

E há uns anos, alguém sonhou dizer que um 1.6L V6 seria capaz de debitar 900 cv? Para os amantes dos automóveis menos dados a este tipo de conversa, poderá ser aborrecido, mas são números que nos podem ser muito úteis num futuro a curto prazo, com a tecnologia a passar para os consumidores.

Agora temos de conviver com motores que têm menos alma é certo, mas que conseguem valores de eficiência que muitos achavam impossível há 10 anos e essa tecnologia está a ser aperfeiçoada para ser usada no dia a dia. O TJI é um exemplo (Turbulent Jet Injection), e é um sistema que injeta 97% da mistura de combustível/ar é na câmara de combustão normalmente, e os restantes 3% numa pequena câmara. É nessa câmara que se vai dar a ignição da mistura combustível/ar e depois da mistura incendiada, esta vai ser injetada para a câmara onde estão os outro 97%. Ou seja, a vela não incendeia a mistura da câmara, mas sim uma fração que depois será injetada na câmara para aumentar a eficiência da queima. Toda esta tecnologia poderá fazer parte da realidade dos automóveis de produção em breve e a Porsche quer ter uma palavra a dizer.

O interesse na F1 pode ainda ser disfarçado, mas parece certo que a marca dá passos concretos rumo a esse objetivo, mesmo que depois não se concretize. A vontade de rumar à F1 já é conversa antiga e a Audi (que pertence ao mesmo grupo) não avançou talvez porque nessa altura rebentou o escândalo das emissões, que ficou muito caro.

Agora com a Porsche sem WEC, e embora continuem a dizer que o foco está na Formula E, o que parece evidente é que este novo motor é uma das chaves do futuro e está a ter forte apoio por parte da estrutura da VW com Donatus Wichelhaus, um dos responsáveis pelo domínio absoluto da marca no WRC, a estar envolvido neste motor, que para já está apenas apontado como solução para os modelos de estrada da marca.

Se a Porsche regressar à F1, será para completar a ainda curta história da marca que apenas competiu em 31 GP com uma vitória em seu nome em 62, pela mão de Dan Gurney, em França. Há também mais uma pole e 5 pódios, mas são números que depressa serão batidos se a Porsche resolver assumir o desafio e mostrar o nível de eficiência que tem evidenciado no desporto motorizado ao longo de anos.

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12 comentários

  1. João Pereira

    24 Novembro, 2017 at 13:55

    Isto é muito bonito, no entanto, duvido muito que a Porsche regresse à F1 como equipa, acredito mais que seja apenas como construtor de motores como faz a Honda, e como a Porsche já fez com o fantástico TAG Turbo encomendado por Mansour Ojeh para a Mclaren nos anos 80, ou com um famigerado e pesado V12 3.5 que foi usado se não estou em erro, pela Footwork/Arrows no início dos 90 e que foi um fracasso completo.
    No entanto, como fan de F1 e da marca, espero bem que se concretize, porque será mais um motor na F1 feito por um construtor que tem uma boa base tecnológica para o fazer, já que pode aproveitar muita da experiência adquirida nestes últimos anos de tão bons resultados no WEC, e que poderá garantir potência e fiabilidade logo desde as primeiras voltas

    • Frenando_Afondo™

      24 Novembro, 2017 at 17:13

      Qualquer equipa que queira ser competitiva tem de fazer duas coisas: começar como fornecedor de motores e quando estiverem seguros da sua posição no mercado (e da competitividade entre os diversos fornecedores de motores) então comprar uma equipa com boa estrutura e transformá-la na “sua” equipa.

      Entrar na F1 directamente como fez a Toyota, por exemplo, não resulta, porque os resultados sempre vão demorar a chegar e se nem o motor é competitivo (por falta de experiência), então vão sofrer e quando começarem a chegar os resultados a marca viu que já perdeu tantos milhões que inevitavelmente quer retirar-se para parar a hemorragia.

      • Não me chateies

        24 Novembro, 2017 at 19:12

        Vê-se pela equipa oficial da Renault, está a milhas da Red Bull. Para o ano vão continuar a milhas da Red Bull e também da McLaren.

        • Frenando_Afondo™

          24 Novembro, 2017 at 21:14

          A Renault comprou a Benetton em 2000, passando a participar como Renault oficial em 2002, ganharam os títulos de construtores e pilotos em 2005 e 2006. Por isso não percebo porque usou esse exemplo. Não é por agora estarem com problemas que não vão voltar ao topo.
          Veja-se a Mclaren, já em 2013, mesmo com o motor Mercedes só passaram vergonhas, 2014 ainda mais e era somente o melhor motor do plantel (até uma williams com menos recursos fez maravilhas).

          Para obter resultados demora-se tempo, julgavam que a renault voltava a colar os autocolantes nos Lotus e começavam logo a fazer pódios? lol.

          Até a própria RB demorou 5 anos a chegar aos bons resultados com estabilidade e 6 anos a chegar aos títulos. Antes disso que tinham feito…? Patrocinar as equipas e perceber como fazer uma equipa de F1. Em vez de entrarem a pé juntos e fazerem logo uma equipa de F1 de raíz.

      • João Pereira

        24 Novembro, 2017 at 20:07

        De acordo. Por isso a Honda há uns anos comprou a BAR, que mais tarde deu a Mercedes que conhecemos hoje. Lamento que a Honda tenha “oferecido” a equipa a Ross Brawn, e acredito que tenha sido um problema político japonês (devido ao problema do terramoto), e hoje estão a pagar por isso, rastejando na cauda da F1, lutando por recuperar o tempo em que estiveram distantes da F1. Não vou falar da Mercedes porque já falei, mas podemos falar da Renault, que foi talvez a última equipa criada de raiz por um grande construtor a ter grandes resultados, embora sem qualquer título, e estou a falar da era turbo que lhes devemos, isto porque os títulos foram obtidos com a ex-Benetton, que depois venderam, e em 2016 readquiriram.
        Sim, a Toyota teve a coragem de iniciar um projecto de raiz, coisa que já não via-mos desde que a Renault apareceu na F1 em 1978 (1977 se quiser contar com o Alpine A-500 protótipo), e desapareceu pela mesma razão que a Honda em 2008.
        Uma coisa é certa: sim, a Ferrari é a única excepção à regra que nos diz que os construtores fazem motores, e fornecem equipas inglesas (garagistas) ou compram uma dessas equipas e baptizam-na com a sua marca, e no que diz respeito à Ferrari, que já chegou a passar duas décadas sem títulos, nunca saberemos quantos milhões já gastaram para se manterem no topo, provavelmente nem a familia Agnelli, o Vaticano e a Mafia o sabem e os politicos italianos nem querem saber, conquanto a “Scuderia” ajude a manter os italianos mais entretidos do que a “Squadra Azzurra”.
        Outra coisa que é certa: os japoneses não sabem gerir equipas, e ainda complicam a vida a quem sabe, mas vão melhorando, no WEC tiveram manifesto azar, apesar da experiência e inegavel sabedoria de Hughes de Chaunac (Oreca), no WRC, souberam dar um golpe de rins a tempo e passar a bola a Tommi Makkinen, e no passado tiveram excelentes resultados com o TTE de Ove Andersson, que inegavelmente sabia muito de ralis, mas nada de F1, para além de já estar um pouco velho para aprender, e essa foi mais uma das causas do falhanço da Toyota na F1. Voltando brevemente ao WEC, todos sabemos que a Oreca é especialista a gerir equipas com baixo orçamento, o que não sabemos, é o que a Toyota anda a gastar no Japão com sucessivas e drasticas modificações de conceito desde o TS030 ao TS050, mais em termos mecânicos que de chassis e aerodinâmica.

    • so23101706

      24 Novembro, 2017 at 17:25

      É curioso como somos todos tão latinos e detestamos os germânicos e depois vamos a correr comprar os carros deles… ou babar-nos à sua vista. As ironias da vida!

      • João Pereira

        24 Novembro, 2017 at 20:38

        Já que se inclui nos latinos (como somos todos)que detestam germânicos e depois vão a correr comprar os seus carros (eu não me incluo nos que se vão babar, porque senão seria mais “Pavlov’s Dog” que latino), diga-nos lá porque gostamos de carros, electrodomésticos e outras coisas que os alemães fazem, como ferramentas (eles também fazem alemãs, mas aí também não me vou babar, gosto muito da “prata da casa”).
        Já agora, em termos de carros, também gosto muito de algumas coisas que se fazem em Inglaterra, pouca coisa que se faz em Itália (esqueça lá os franceses), que por acaso também fazem bons electrodomésticos e bom café (Ah! também fazem boas italianas).
        Os japoneses Fazem bons carros, robustos, mas com pouca paixão… São verdadeiras ferramentas, são utéis, fiáveis e servem para o que servem (tive um BJ40 fantástico com mais de 300.000Km e desatascava toda a gente mesmo com 1 ,5 metros de água e lama. Boas motos (tenho uma Honda SS50), mas se comprasse alguma coisa hoje em dia, ficaria pelas europeias. Também fazem japonesas, mas para além de John Lennon e jean Alesi, nunca ouvi falar de mais algum europeu (Lennon nem sequer é latino), que fosse por esses caminhos.
        Os Americanos para além de não saberem fazer carros, nem saberem guiar, são tão burros que elegeram para presidente um trolha (sem querer ofender os trolhas), e se fazem muitas americanas, quanto mais giras, mais burras.
        Ah África! Bom, fazem muita coisa em África, principalmente africanos, em que meia dúzia deles escravizam mais os outros, que um milhar de colonos europeus há 40 anos atrás, e ficam 400 vezes mais ricos.

        • so23101706

          24 Novembro, 2017 at 22:06

          Que coisas tão patetas que você para aí diz. Bom, não percebeu a ironia, que mais hei-de eu fazer… Como dizem os seus estimados ingleses (que não são nada estúpidos, com aquela coisa do Brexit e tudo): oh well.

          • João Pereira

            24 Novembro, 2017 at 22:25

            Caro so, se não percebi a sua ironia, talvez tenha sido por não se parecesse como ironia.
            Quanto aos meus estimados ingleses… Bom, são estimados por mim naquilo que fazem de bom (como toda a gente que faz coisas boas), no que toca a tudo o que tem a ver com automobilismo, Pubs, e música, também gosto do “landscaping” (e de algumas inglesas), quanto ao Brexit, de repente parece-me que estamos num site que tem a ver com política e não com desporto automóvel, mas afinal é o meu caro so, que está a expandir a coisa (mas sim, estão a ser idiotas com isso).
            E patetas será você, que não entendeu o meu sarcasmo, ironia ou o que lhe quiser chamar, muito mais evidente. Boa?! 🙂
            Cumps
            P.S. Bora até Fronteira? Yeeess!

      • FormulaTwo+1

        25 Novembro, 2017 at 1:56

        Acontece que todo a estrutura da Mercedes F1 é britânica, com tecnologia 100% (ou perto disso) britânica – do chassis BAR ao motor Ilmor! A Mercedes limitou-se a pagar para meter o logotipo numa tecnologia que nunca foi capaz de desnvolver! Pode ter uma boa gestão empresarial, um marketing agressivo, mas I&D, lamento, mas não!!! Falte-lhes o saber! Sabem é vender…

      • FormulaTwo+1

        25 Novembro, 2017 at 2:02

        (continuando…) Faça-se no entanto justiça à Porsche – sempre foram uns ganhadores, e sempre souberam per si fazer isso!… Goste-se ou não, não são comparáveis aos outros alemães…

  2. Não me chateies

    24 Novembro, 2017 at 19:09

    Fazem bem, porque a F1 não vai continuar de chinelos por muito tempo. Quando o cockpit for fechado a F1 passará a ser uma espécie de LMP1.

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