Sir Stirling Moss morreu hoje aos 90 anos, na sequência de uma longa doença. A lenda britânica da Fórmula 1 venceu 212 das 529 corridas em que participou em várias categorias de competição, e há muito é descrito como “o maior piloto que nunca venceu o Mundial de F1”.
Que descanse em Paz…
Numa das suas mais mais recentes passagens por Portugal, Stirling Moss falou ao AutoSport sobre (quase) tudo: F1, ‘gagdets’ e aquela vitória inglória na Boavista, em 1958…
Ao ouvir a lucidez de Stirling Moss é difícil acreditar que este cidadão britânico nasceu na década de 20 do século passado. O facto de ter recebido a mais alta condecoração de Sua Majestade foi o primeiro indício de estarmos perante alguém especial. Aos 88 anos, Sir Stirling fala dos dispositivos automáticos que projetou para a sua casa com a mesma clarividência com que recorda os tempos em que se bateu com Fangio. Pelo meio, fala da sua admiração por Barack Obama. Numa época em que estamos habituados a pilotos de F1 de discurso formatado e acríticos, Stirling Moss mostra-nos que o desporto automóvel também produziu homens interessantes. Não é por acaso que hoje continua a ser requisitado nos dois lados do Atlântico, além de ser visto como uma espécie de embaixador pela Mercedes, que lançou uma edição do SLR com o seu nome.
O antes e depois na F1
Falar com Sir Stirling é uma oportunidade única para perceber, de facto, o que era a F1 nos anos 50 e 60. “Um dos problemas era que grande parte das peças eram de série e não tinham sido feitas para carros de competição. Portanto, a hipótese de algo se partir a qualquer momento era grande. Participei em 529 corridas e terminei 437. Quando abandonava era quase sempre por avarias mecânicas. Um piloto entrava no carro e, por exemplo, não tinha a certeza que os cintos de segurança iam funcionar. Dou-lhe um exemplo: com todo o ‘downforce’ que os F1 têm hoje em dia, basta ao piloto levantar o pé para que a desaceleração produza 40 por cento do poder de travagem que eu tinha na altura. O piloto nem sequer trava e consegue quase metade da força de travagem daquela época! Um outro exemplo: o Ayrton Senna não morreu por estar num carro perigoso. Morreu porque uma peça da suspensão lhe entrou pela viseira do capacete – uma hipótese em mil, se não mais.”
Desportivismo: uma espécie ameaçada
Moss venceu os dois primeiros Grandes Prémios de Fórmula 1 disputados em Portugal, em 1958 e 59. O primeiro foi na Boavista, palco do célebre episódio em que ilibou o seu principal adversário, Mike Hawthorn, evitando a sua desclassificação. “O Mike tinha saído de pista para uma escapatória e não conseguia pôr o carro a trabalhar. Foi ajudado por algumas pessoas e virou o carro em sentido contrário para conseguir arrancar. No final foi desclassificado, mas eu disse que ele tinha feito a manobra fora de pista, não havia razão para o desclassificarem.” Moss ganhou a corrida, Hawthorn foi segundo e no final da época ganhou o campeonato por… um ponto. Será que Moss concebe semelhante ato de ‘fair-play’ nos dias de hoje? “Claro que não. Isto agora não é um desporto; é um negócio.” O britânico defende que “a forma como o Lewis (Hamilton) correu na última prova de 2008 desvirtua o sentido de um campeão. O Lewis é muito bom mas naquele GP do Brasil de 2008 foi o Felipe Massa que correu como um campeão.”
A corrida mais louca
Se hoje tiver que recordar a corrida mais difícil da sua carreira, Moss não vai buscar um dos seus 66 Grandes Prémios na Fórmula 1: “A única corrida onde senti medo foi a Mille Miglia de 1955. Era uma prova completamente louca. Rodávamos a fundo por toda a Itália em estradas normais que não estavam completamente fechadas. A última parte era entre Cremona e Brescia. São 134km. Fiz isso em 30m54s…”.
Apaixonado por ‘gadgets’
Depois de abandonar competição, Stirling Moss lançou-se num negócio de compra e venda de propriedades que ainda detém com a família. Paralelamente, projetou a própria casa em que incluiu uma série de automatismos que eram novidade na altura. Desde um sistema que prepara o banho a uma temperatura pré-determinada, até a um tampo de sanita aquecido, Moss foi explorando o interesse por ‘gagdets’ numa altura em que a domótica ainda era um conceito incipiente. Atualmente explora a sua imagem na perfeição e tem um website (stirlingmoss.com) que mistura a história nas corridas com a sua própria promoção comercial. A atual conjuntura mundial também não lhe passa ao lado. Diz que “Barack Obama foi uma lufada de ar fresco”. E se o próprio Stirling Moss se candidatasse à presidência da FIA? “Seria horrível! (risos) Acho ridículas algumas das medidas da FIA, mas tenho mais jeito para criticar do que para tomar decisões”, brincou.
O piloto que nunca foi Campeão
Quatro anos consecutivos em que foi vice-campeão e os três terceiros lugares fazem de Stirling Moss o melhor piloto de Fórmula 1… que nunca chegou a Campeão do Mundo. Entre 1951 e 1961, Moss participou em 66 Grandes Prémios e venceu 16, dois dos quais em Portugal. Passou por equipas como Mercedes-Benz, Maserati, Vanwall e nos Cooper e Lotus privados da Rob Walker Racing Team. Em três dos seus quatro vice-campeonatos foi batido por Juan Manuel Fangio, mas aponta o inglês Tony Brooks como “o piloto mais completo da minha era”.











Depois de dizer que a actual F1 não é um desporto, é um negocio, dar como exemplo a ultima corrida de 2008 em que quem correu como campeão foi o Massa, e que a corrida do Hamilton desvirtua o sentido de um campeão, deixa-me um pouco perplexo.
E a corrida de Massa no Japão em 2008, quando albaroou Hamilton cortando uma curva? Isso foi de campeão?
Querias o Massa campeão?
Pois, mas para isso é preciso mais do que aquilo que ele tinha!
Apesar da idade de Sir Stirling Moss, a notícia da sua morte é sempre triste. Era o campeão sem coroa, um desportista de excelência e um piloto versátil que, apesar da ausência de títulos, se tornou numa lenda ainda em vida. O seu nome fica gravado indelevelmente na história do automobilismo. R. I. P. , Sir Stirling Moss.
E é justo dar os parabéns ao autosport.pt por esta homenagem.
É sempre com alguma tristeza, apesar do peso da idade. Largamente apreciado, o melhor piloto de sempre sem ser Campeão partiu, deixará obiamente a saudade e o seu legado.
Quanto às questões abordadas na notícia, estou de acordo com uma, Massa de facto naquele GP correu como um Campeão.
Já aquela que afirma que Tony Brooks seria o piloto mais completo da sua era…..
Respeito mas…. Superior a Fangio??
Terá sido a amizade a falar eventualmente.
Moss tb era grande amigo de Fangio.
Não sabia, mas achei estranho.
Há pouco vi o filme do Fangio e é impressionante, os feitos com os mais diversos bólides.
Também não tive o privilégio de ser contemporâneo dele mas, após ter visto os vídeos de todas as corridas das épocas em que ele correu, na minha opinião ele é facto diferente de tudo o que houve desde então, é o mais genial piloto de circuitos de sempre, na minha opinião (acima dos outros génios absolutos Clark, Stewart, Senna, Prost e Hamilton).
Essa última frase deve ser alguma imprecisão ou erro de tradução. O Stirling Moss sempre disse que o Fangio é o maior piloto de SEMPRE, ainda recentemente o fez, e ainda que Senna desde então foi quem, na opinião dele, mais se aproximou.
O autor do artigo equivocou-se. Estive a ver o vídeo de homenagem a Stirling Moss e essa qualificação como «piloto mais completo» veio de Tony Brooks referindo-se a Stirling Moss, e não o contrário.
Tenho de Moss apenas a imagem de uma excelente pessoa, muitíssimo interessante. Tenho alguma dificuldade em entender os valores da F1 e do desporto automóvel em geral nos anos 50. Só comecei a ver F1 no fim dos anos 60, mas entendo razoavelmente essa década retrospectivamente, os 50 não, para mim resumem-se a Ascari e Fangio. Sei que é falha minha, Moss foi seguramente tudo o que dizem dele. De qq forma, só por ser a pessoa que era, merece todo o meu respeito e tristeza com a sua partida.
DEP!
Apesar de não ter vencido nenhum campeonato do mundo, Sir Stirling Moss foi um Campeão que passou pelo automobilismo e pela F1.
Que descanse em paz!
Cumprimentos
Um Senhor!
Descanse em paz , mais um grande que nos deixa fisicamente , mas que estará sempre presente pelo seu desportivismo , e personalidade.
Não o vi correr mas é um dos grandes nomes do desporto. Os meus pêsames a familiares e amigos.