24 Horas de Le Mans: edição frustrante para a Peugeot
As 24 Horas de Le Mans revelaram-se frustrantes para a Team Peugeot Total Energies, apesar de todo o trabalho de preparação. Os dois Peugeot 9X8 cruzaram a linha de meta, mas os 12.º e 17.º lugares ficaram muito aquém das expetativas de uma equipa que continua focada na evolução. O Peugeot 9X8 #94 (Duval / Jakobsen / Vandoorne) ficou no 12.º lugar e o #93 (Di Resta / Jensen / Vergne) no 17.º lugar.
Pelo terceiro ano consecutivo, a Peugeot conseguiu levar ambos os seus Hypercar até ao fim daquela que é considerada a corrida mais exigente do mundo. A marca bateu mesmo um novo recorde de distância para a categoria Hypercar em Le Mans, com o carro #94 a completar 384 voltas (5.232 km).
Preparação cuidadosa, ritmo insuficiente
Apesar da preparação meticulosa e dos bons desempenhos nas provas anteriores do FIA WEC (Qatar, Imola e Spa-Francorchamps), o ritmo dos 9X8 em Le Mans ficou aquém devido às especificidades do regulamento da prova.
Já na qualificação os dois carros ficaram fora da Hyperpole, com o #94 e #93 a qualificaram-se em 17.º e 18.º, respetivamente. Foi a primeira vez na temporada que a Peugeot não chegou à sessão Hyperpole.
Ainda assim, foi delineada uma estratégia para contrariar limitações baseada no aproveitamento de incidentes de corrida, gestão eficiente de combustível e pneus, recorrendo a triple stints, redução de paragens nas boxes ao fazer mais voltas por turno (13 em média, contra 12 dos rivais) sendo que esta estratégia se revelou eficaz para o #94, que chegou a estar no top 10 e até liderou brevemente durante ciclos de paragens. No entanto, um toque com outro Hypercar causou um pião e comprometeu o plano.
Já o carro #93 teve uma prova mais complicada: logo no início, teve de sair de pista nas Porsche Curves para evitar um GT3 parado, sofrendo danos na carroçaria.
Durante a noite, surgiu um problema de direção que atrasou ainda mais a equipa.
Apesar de tudo, os pilotos Di Resta, Jensen e Vergne mantiveram-se motivados até à bandeirada final.
Segundo Jean-Marc Finot (Vice-Presidente Sénior, Stellantis Motorsport): “Sabíamos, pelas regras, que estaríamos em desvantagem em termos de ritmo. Por isso, criámos uma estratégia baseada na poupança de energia e menos paragens. O #94 chegou a lutar com o Cadillac da primeira linha após seis horas. Estou muito orgulhoso da equipa, que manteve um nível de profissionalismo exemplar.”
Já Olivier Jansonnie (Diretor Técnico, Peugeot Sport) entende que foi uma prestação muito sólida: “com pouquíssimos erros, algo que nem todos os nossos rivais conseguiram evitar. Para termos um bom resultado aqui, era preciso sermos perfeitos. Faltou muito pouco. Agora, o importante é manter este nível de empenho.”
Jean-Eric Vergne (Peugeot 9X8 #93): “Le Mans foi muito difícil para nós. Bati nas barreiras ao evitar um GT3 parado, e depois tive problemas de direção. A equipa fez um trabalho incrível nas reparações, mas perdemos várias voltas. Demos tudo. O lado positivo é que terminámos com os dois carros — é sempre um prazer correr aqui.”
Malthe Jakobsen (Peugeot 9X8 #94): “Terminámos em 12.º. Talvez não seja o resultado que desejávamos, mas conseguimos chegar ao fim apenas com reabastecimentos e troca de pneus. Todos fizeram um trabalho fantástico nestes últimos 10 dias. Faltou apenas mais ritmo.”
Loïc Duval (Peugeot 9X8 #94): “O 12.º lugar era mais ou menos o que esperávamos após o Test Day. Sabíamos que seria complicado com este regulamento, mas maximizámos tudo o que era possível no #94. Chegámos a competir com carros mais rápidos, o que mostra o esforço da equipa.”
FOTO MPSA/Phillippe Nanchino
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Jose Marques
18 Junho, 2025 at 11:28
Realmente não consigo entender o que motiva as equipas a participarem, quando à partida já sabem que não conseguirão resultados de relevo por causa do regulamento.
Mas afinal que equidade é esta?
Para além disso o BoP é um palhaçada que não tem efeitos práticos. Ouvi durante a transmissão das 24h que os Ferrari estavam a ser beneficiados com isso.
Sinceramente, a continuar assim, o grande êxito do WEC em estar a fazer vários construtores entrarem na categoria, será ofuscado por uma debandada de saídas em breve, porque sinceramente não vejo uma Stellantis a continuar a investir por muito mais tempo no WEC. A BMW também não creio que ficará muito tempo também, a Cadillac assim que estiver na F1 também deve abandonar o WEC e dedicar-se ao IMSA, a Toyota parece que reduziu o ímpeto, a Alpine é uma incógnita face à saída de Luca de Melo. Ou seja, entrarão Genesis, Mclaren e Ford e possivelmente BMW (alemães se não ganham, saem), Cadillac (muito investimento com a entrada na F1 para um construtor com pouco mercado estabelecido fora dos EUA), Peugeot (Stellantis não muito interessada em motorsports e ainda mais sem resultados), Alpine (Indefinição face à saída de Luca de Melo) e Toyota (possível pressão caso o hidrogénio não seja aceite no campeonato) poderão bater com a porta.
Porsche mantém-se por está no DNA deles, Ferrari mantém-se porque está a ganhar, Aston Martin também porque a Endurece também faz parte do DNA do construtor.
Isto é somente uma reflexão e obviamente espero que tal não aconteça. Contudo a vida ensinou-me que quando há muito entusiasmo num curto espaço de tempo, o declínio também está próximo.
Jose Marques
18 Junho, 2025 at 11:30
Desculpem, é Endurance e não Endurece obviamente… antes dava para editar o comentário, agora já não é permitido.
Canam
19 Junho, 2025 at 12:59
Esta presença da Peugeot é muito fraca comparativamente com o que fez na 1ª década da século onde batalhou e ganhou frequentemente à Audi (tinham o piloto português Lamy como oficial). Vieram com a previsão, talvez, que lhes seria fácil imporem-se (ou que tivessem um BOP muito favorável). Nada disso se verificou. Julgo que o orçamento do team atualmente, também é bem inferior ao que teve nesses anos e isso é decisivo, apesar de todos os “congelamentos” que existem, etc
Neste tipo de campeonatos o valor real de cada carro é,em última análise, resultado dos BOPs aplicados. O que é um desvirtuamento da essência da competição, mas é o que temos e vamos continuar a ter…só falta a F1 ter isso. Não me admiraria.