Miguel Faísca: “Vencer na estreia internacional é incrível e nunca imaginei que isso fosse possível”

Por a 11 Janeiro 2014 17:05

Os Emiratos Árabes Unidos foram hoje palco de uma conquista inédita para Portugal. Pela primeira vez na história das 24 Horas do Dubai, um português subiu ao lugar mais alto do pódio! Cinco meses depois da vitória no programa GT Academy, Miguel Faísca foi um dos pilotos que conduziu o Nissan 370Z, com o número 123, à vitória na classe SP2. Um feito notável, até tendo em conta que, há seis meses, o lisboeta de 24 anos limitava-se a participar em corridas virtuais na PlayStation.

Instantes depois de subir ao pódio para comemorar a vitória – e logo na estreia internacional como piloto oficial da Nissan! – Miguel Faísca teve dificuldade em conter as emoções: “É verdadeiramente espetacular! Vencer na estreia internacional é incrível e nunca imaginei que isso fosse possível. Todos fizeram um excelente trabalho, dos pilotos, aos mecânicos, a todos os elementos da equipa. E o Nissan 370Z resistiu a tudo. Um automóvel com uma preparação limitada, que praticamente não teve problemas e que deixou o mais direto adversário (um Mosler MT900 GT3) a 25 voltas. No fundo, era difícil ter corrido melhor…”

O português integrou um dos dois Nissan 370Z inscritos pelo Nissan GT Academy Team RJN. A formação vitoriosa foi constituída por Miguel Faísca, pelo espanhol Lucas Ordoñez (o vencedor da edição de estreia do GT Academy), mas também o alemão Florian Strauss, o americano Nickolas McMillen e o russo Stanislav Aksenov (os pilotos que, em 2013, venceram o GT Academy reservado aos seus territórios). A equipa terminou no 25º lugar da classificação geral (um total de 77 formações iniciaram a prova), enquanto o outro Nissan 370Z terminou no derradeiro lugar do pódio da classe.

Como admite Miguel Faísca, o segredo do sucesso residiu em vários factores: “A consistência de todos os pilotos, a experiência e os conselhos do Lucas Ordoñez, o profissionalismo de todos os elementos da equipa e, claro, o Nissan 370Z, que não sendo o mais rápido em pista, foi claramente o mais fiável. Mas julgo que a estratégia escolhida pela equipa, de só fazer a mudança dos pneus depois de dois turnos de condução, também foi determinante para o resultado alcançado, pois perdemos muito menos tempo do que os adversários nas boxes”.

Uma vez que a sua experiência se resumia à participação no GT Academy (em Setembro) e à participação em algumas provas regionais, em Inglaterra, no final de 2013, Miguel Faísca admite que não tinha expectativas de resultado para as 24 Horas do Dubai: “É óbvio que as aspirações passavam, unicamente, por aprender o mais possível e chegar ao fim. A prova é uma das mais importantes do calendário internacional de GT, com alguns dos melhores pilotos do mundo (alguns ex-Fórmula 1) e, só este ano, a grelha de partida foi composta por 77 automóveis! Este é um mundo completamente novo para mim e confesso que ainda ando meio deslumbrado, pois acho que nem sequer assimilei totalmente que estou a concretizar o meu maior sonho de criança: ser piloto de automóveis!”

O jovem lisboeta considera que “a experiência acumulada nas 24 Horas do Dubai vai ser importante no futuro. Mas tenho perfeita consciência que ainda tenho muito para aprender. Este fim-de-semana foi importante rodar com tanto tráfego em pista. Aprendi a ultrapassar, a ser ultrapassado e a gerir o andamento em turnos de quase duas horas. Mas agora tenho de preparar-me para uma realidade bastante diferente: o Nissan GT-R GT3. Um automóvel mais potente, mas também muito mais exigente do que o 370Z. Vai ser uma época difícil, mas não vejo a hora de voltar a entrar em pista”.

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