Carlos Lisboa: “Ver o Filipe sagrar-se campeão em Portugal era espetacular”
No próximo fim de semana realizam-se as 4 horas do Estoril, um evento levado a cabo pela ACDME, que marca o encerramento da European Le Mans Series. Falámos com Carlos Lisboa, que é desde há alguns meses o novo Presidente da ACDME, o Clube que tem em mãos a complexa tarefa de colacar de pé a prova. Entre diversos outros assuntos, falou-nos da importância para a ACDME de receber uma prova como a European Le Mans Series no Estoril, revelou que esta parceria com o ACO é para continuar, falou nos meios mobilizados para levar a cabo o evento, o que está a ser feito relativamente ao evento e ao público, dos maiores desafios e dificuldades e da fabulosa promoção que está a ser feita.
Esta parceria com o ACO é para continuar ou é pontual?
É para continuar, já temos apalavrado os anos de 2015 e 2016 mas esta prova tem que correr bem para dessa forma continuarmos com a parceria com o ACO e a ELMS. Nós fomos ver a prova de Red Bull Ring, para termos uma perceção do que é que se pretende, e aqui podermos realizar algo igual ou melhor, a parceria para nós é para continuar.
Adotaram alguma estrutura especial para esta prova, pode falar um pouco nos meios mobilizados para levar a cabo o evento?
Para nós é tudo novidade. Temos algumas pessoas ligadas a áreas comerciais e marketing e é com base nessa experiência que estamos a atuar. O núcleo duro são cinco pessoas, e estamos a dissecar o caderno de encargos e todas as suas especificações, por forma a que as coisas corram da melhor maneira. À medida que nos vamos aproximando da data da prova vamo-nos tentando socorrer de mais pessoas, de acordo com as necessidades. Qualquer dúvida maior ligamos ao Eduardo Freitas, Diretor de Corrida e nosso colega, que é um interlocutor perfeito. Temos todo o apoio da FPAK e no fim de semana da corrida, diria que em termos de Comissários de Pista, apoio logístico e Comissários de boxes e parques, Seguranças, e toda a estrutura que está na torre de controlo, pessoal dos rádios, etc, por volta de 250/300 pessoas.
Pode falar-nos também no que está a ser feito relativamente ao evento e ao público?
Vai haver espaços para a família e crianças de modo a que os pais possam estar mais descansados a ver a corrida. Vamos montar insufláveis atrás da bancada B, vai haver lá alguns jogos, temos o apoio das Câmaras de Cascais, Sintra e Oeiras, fizemos uma parceria com a CP para ter bilhetes a 1 euro nas linhas de Sintra, Cascais e Azambuja, quem tiver o bilhete ‘paddock’ para o longo curso terá um desconto de 30 por cento no bilhete da CP, os bilhetes para o ‘paddock’ custam só 5 euros, são vendidos na FNAC que tem uma abrangência nacional. Temos também parcerias com a hotelaria da região, que faz preços especiais, não só para as equipas mas para o público em geral. Quando fizerem a reserva digam que veem para o ELMS no Estoril, e tem preços especiais! A nossa intenção é fazer uma festa para toda a família.
Enquanto clube organizador de uma grande prova internacional com este tipo de envolvência, quais têm sido os maiores desafios e dificuldades?
As maiores dificuldades são os apoios. Uma prova desta envergadura tem muitos custos, que uma associação como a nossa não tem verbas para poder apadrinhar. É muito difícil fazer contratos e assumir compromissos com a entidades. Temos tido apoio a nível de divulgação e apoios materiais, por parte das Câmaras, a Nissan é nosso parceiro, o AutoSport a RFM, mas falar em termos de entidades a que nos tenhamos dirigido e pedir subsídios para poder realizar essa prova, não temos. Temos que desmultiplicar o nosso raciocínio para poder ver onde vamos buscar isto ou aquilo. Para uma prova destas, e segundo os regulamentos temos que ter Comissários com fatos anti fogo, por causa do reabastecimentos, por exemplo. Vamos ter que fazer das tripas coração para poder superar todas estas questões. Os maiores desafio passam por trazer público ao Autódromo. Daí estarmos a apostar numa forma diferente de divulgação, com outdoors, mupis, por exemplo, apostar nos fóruns (Sintra e Cascais) com a promoção e divulgação da prova.
Está a realizar-se um grande movimento para trazer pessoas ao Estoril, provavelmente algo nunca visto em Portugal…
É verdade! Os carros vão estar expostos uma semana antes da prova, no Fórum Sintra, Cascais Shopping e no fórum Estoril). Estamos a distribuir flyers também nos próprios centros. Não há dúvida nenhuma que apanhar este barco e fazer todo o evento é um grande desafio, porque o caderno de encargos e as obrigações são muitas, as dificuldades financeiras são significativas e temos de dar a volta e tentar fazer bem as coisas. Estamos a fazer coisas que nunca foram feitas, daí que dizemos que estamos a abordar a questão de uma forma diferente, para ver se conseguimos encher esta casa que é o circuito do Estoril, um circuito que continua a ter grande carisma. A festa de fecho do campeonato vai também ser feita no Estoril, o que vai fazer com que as pessoas fiquem cá mais algum tempo. Por tudo isto, para a região, isto é uma grande atração. Vamos ainda levar os media internacionais e os fotógrafos a uma excursão pela zona de Cascais e Sintra, vamos fazer uma prova de vinhos, para fazer uma divulgação dois vinhos da região. Tudo isto é também uma forma de mostrarmos Portugal e divulgarmos o que temos de bom nesta área e nesta região.
Durante anos de corridas em Portugal, já neste Século, por vezes ficava a sensação que os clubes achavam os espectadores um fardo, pois isso significava custos acrescidos. Como é que esta nova ACDME olha para essa situação? Será possível voltar a trazer espectadores para as corridas?
O público é sempre bem vindo, porque estar a fazer um espetáculo e não ter pessoas para o ver ou para poder aplaudir é mau. Eu não gostava de estar num teatro e não ter ninguém na plateia. Aqui acho que é a mesma situação, portanto, as portas devem estar abertas e um dos objetivos nossos nesta prova é efetivamente encher o autódromo, daí não haver bilhetes seja para o bancada A B e E, as entradas são gratuitas, só existe o bilhete ‘paddock’, que foi uma imposição da organização para poder controlar o número de pessoas que anda nas boxes. De resto eu gostava e acho bastante interessante que em qualquer prova houvesse mais público nas bancadas pois é dessa forma que as pessoas mostram que gostam do desporto automóvel e que gostam do trabalho que estamos a desenvolver.
Tirando uma prova destas, que é um evento que vai decidir um título, se falarmos em provas nacionais parece-lhe possível voltar a ter as bancadas bem compostas? O que acha que seria possível fazer a esse nível?
É certo que há eventos que podem atrair mais pessoas, como é este caso do European Le Mans Series, mas há provas do campeonato nacional, devido à sua conceção e estrutura, que são também engraçadas de se ver e assistir. Tem a ver com o povo português, se for bola quase toda a gente gosta. Saem de casa para ir ver um jogo de futebol mas não saem tanto para ir ver uma corrida, o que é uma pena, pois vê-se que há a paixão dos automóveis em Portugal. Penso que só falta aquele ‘click’ para termos a iniciativa de ir ao Estoril ver uma competição. Penso que poderá ser feita muita coisa, não só por parte dos próprios organizadores, como também por parte dos promotores e da própria Federação, para poder cativar e voltar a ter gente nos circuitos a ver as provas.
Quer fazer um apelo público, destacando as razões por que os adeptos não podem faltar a este evento no Estoril?
Em primeiro teria que lhes dizer que venham ver Le Mans ao Estoril, este é o conceito, venha com a família ver não só uma corrida de automóveis, mas uma distração para o adulto e para a criança e outros agregados da família. Temos a possibilidade de vermos os nossos pilotos nacionais a correr, o Filipe Albuquerque a sagrar-se campeão no seu próprio país. A vinda do Miguel Faísca com a Nissan acaba também por despertar curiosidade, e para quem gosta dos jogos de consola vê que o Miguel Faísca vem de uma GT Academy e vai pela primeira vez em Portugal correr num LMP2. A própria Ferrari tem também o piloto português. Tudo isto é um incentivo para irmos ver os nossos pilotos a competir num campeonato tão bonito como a ELMS.
Como seria para si um dia 19 de outubro de 2014 perfeito?
Perfeito? Casa cheia e logicamente o Filipe ganhar a corrida e o campeonato. Isso não há duvida nenhuma! Ver o Filipe ver sagrar-se campeão em Portugal era espetacular. Matematicamente ainda é possível, portanto temos que acreditar. Esse era o dia 19 perfeito, o Filipe ganhar e o autódromo estar perfeito….
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