A Tesla deu agora corpo a um campeonato de GT elétricos. Caiu o Carmo e a Trindade entre os meus amigos. “Ninguém vai ver essa porra…” ouvi. A Fórmula 1 é turbo-híbrida desde 2014, o endurance ‘híbrido’ surgiu em 2012, tornou-se obrigatório em 2014, a Fórmula E, de elétrico vai para a sua terceira edição, na indústria o carro elétrico não vai demorar a tornar-se banal, é para já apenas uma ideia estabelecida, já há automóveis auto-pilotados, cada vez mais, e entre a grande maioria dos adeptos do desporto motorizado há uma enorme resistência a todo este tipo de progresso. As caixas de comentários estão inundadas de frases como “Para mim a F1 morreu em 2014”, “Fórmula E? Não sabia, que havia, não ‘ouvi’ nada”. Muitos resistem, falam dos motores V12, V10, e até já aceitavam ter ficado pelos V8 na F1. Compreende-se, quem cresceu com uma realidade foi agora apanhado numa transição que nenhum ‘tsunami’ de comentários nas redes sociais vai fazer mudar. Muitos dos adeptos de hoje nunca irão aceitar os ‘elétricos’ ou ‘híbridos’, nem vale a pena dizer-lhes que isso é o futuro. Como disse uma vez um amigo meu, “não há nada mais permanente que a mudança” e a única diferença é que nos últimos anos o paradigma alterou-se. Para muitos ainda foi possível suportar a passagem dos V12, para os V10 e depois para os V8, mas a transição para os V6 híbridos foi demais e vão continuar mais uns anos a lutar nas caixas de comentários contra factos consumados.
Nunca gostei de dizer nessas mesmas caixas de comentários a ninguém “havias de ver como eram os ralis nos anos 80, aí é que era”, pois arrisco-me a levar uma resposta do estilo “pois não vi nos anos 80, não era nascido, mas isso significa que vou ver os ralis em 2060 e tu já não…”.
É natural que esta transição apanhe muita gente que nunca aceitará os elétricos, está no seu direito. Só lhes posso dar um conselho. A beleza do desporto automóvel pode ser vista de muitas formas, com esta transição estamos a perder algumas sensações, como a do som, mas a essência das corridas está lá. As corridas de Fórmula E não deixam de ser boas só porque os carros não se ouvem. Alguém se lembra da primeira corrida da história da Fórmula E? Carros a voar uns por cima dos outros. Isso provou que a essência está lá, o som é que não.
Há claro, coisas a corrigir, mas num mundo como o de hoje é difícil estar a pedir aos construtores que investem nas corridas para esquecerem a ‘eficiência’. Faz parte do seu dia a dia, e consequentemente do nosso. Imaginem quando nenhum de nós cá estiver, daqui a muitos anos, como as novas gerações iriam olhar para um desporto automóvel da ‘Idade Média’. Não fazia sentido. Como sempre, o “mundo pula e avança…”. Eu escolho fazer os possíveis para gostar…









