O automobilismo é, para a maioria dos pilotos amadores, uma forma de escape para o stress quotidiano. Mas para o francês Jordan Perroy, de 25 anos, foi muito mais do que isso; foi uma terapêutica para o autismo que o afetou desde os seus tempos de criança. “Tinha problemas de compreensão, e ligação à realidade, de maturidade”, explica o piloto, que atualmente compete na categoria LMP3 do European Le Mans Series e em algumas provas do campeonato Endurance VdeV, depois de ter passado pela Fórmula 3 francesa.
Muito novo Jordan Perroy experimentou o karting, “e percebeu-se logo que essa era uma boa forma de aumentar os seus níveis de concentração”, lembra o seu pai, Bernard Perroy. O próprio piloto relata: “Quando experimentei percebi logo que este era o meu muto. Conseguia concentrar-me, estar atento ao que me diziam. E depois os médicos perceberam que o automobilismo podia ser uma forma de terapêutica para a minha doença. Tornei-me mais maduro com a prática do desporto. Adoro isto. Acho que nasci para correr”.
Bernard Perroy, um antigo piloto de Fórmula 3, que no seu tempo – final da década de 1970 – foi um grande adversário de Alain Prost, e considera-se responsável por ter transmitido o ‘bichinho’ ao filho. No fundo, sem saber, conseguiu encontrar ‘a luz ao fundo do túnel’ para o autismo de Jordan. Melhor do que ninguém Bernard conta que quando seu filho tinha 10 anos e o colocou num kart “percebeu-se desde logo que tinha um certo talento”. E explica: “Como qualquer pessoa autista, ele desenvolveu qualidades muito aguçadas num domínio preciso”. E o de Jordan Perroy acabou por ser encontrado no automobilismo, permitindo-lhe mais tarde competir em monolugares antes de encontrar ‘refúgio’ nas corridas de endurance.









