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Robby Gordon mostra HST-Chevrolet com que vai ao Dakar

José Luis Abreu by José Luis Abreu
29 Dezembro, 2013
in TT
A A
Robby Gordon mostra HST-Chevrolet com que vai ao Dakar

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Finalmente o HST-Chevrolet com que Robby Gordon vai disputar o Dakar 2014 vê a luz do dia. O piloto norte-americano optou este ano um novo Hummer mais pequeno do que a popular versão anterior, mas propulsionada por um enorme motor V8 Chevrolet.

Robby Gordon é uma das figuras mais polémicas a participar no Dakar. Numa prova onde, regra geral, são os europeus a mandar, o piloto americano faz a figura de rebelde, dando origem a rasgados aplausos pela maneira espetacular como conduz, aprendida nas dunas da Califórnia e do México.

O piloto americano está de volta e pronto a mostrar que tem um carro capaz de vencer, isto apesar da General Motors ter acabado com a marca Hummer em 2009. O ano passado, antes de participar, exigiu que a organização comprovasse que o carro estava legal de acordo com os regulamentos técnicos, depois de ter sido desclassificado na edição de 2012 por irregularidades com o sistema de pressão de ar dos pneus, que fica demasiado perto da admissão do motor, e que o Hummer tinha usado nos dois anos anteriores.

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O todo-o-terreno está no sangue de Gordon, que vive em Cerritos, no sul da Califórnia, a poucos minutos de carro do deserto de Mojave. O seu pai era Bob Gordon, mais conhecido como Baja Bob, que venceu a Baja 1000 em 1987, dois anos da primeira vitória do seu filho na prova mexicana. Robby costumava treinar estar dentro do carro do seu pai, enquanto este treinava, e de acordo com o que Baja Bob uma vez descreveu em entrevista ao jornal USA Today, “era eu e o co-piloto, portanto o banco do passageiro estava ocupado e o banco traseiro tinha o depósito de gasolina. Então amarrava-lhe as pernas e punha uma almofada entre ele e o depósito, ele agarrava-se com as mãos à parte de trás dos nossos bancos e depois fazíamos 500 milhas assim”.

No terreno acidentado do deserto californiano, que atravessa o sudoeste dos Estados Unidos e a península mexicana da Baixa Califórnia, agilidade é mais importante que potência e a melhor maneira de contornar obstáculos é passar por cima deles. Foi o que aconteceu, por exemplo, em 2007, na segunda vez que o Dakar partiu de Lisboa. Na primeira etapa, para fugir a uma zona onde estavam concorrentes atascados, tentou ir por um caminho alternativo, com uma inclinação demasiado elevada que só ele é que não percebeu que seria impossível o Hummer transpor. Como para Gordon, escalar paredes na Baja 1000 é normal, o americano tentou, o Hummer ainda deu um salto bem acima do nível da parede, mas caiu para trás e assim ficou até o trator acabar de ajudar todos os atascados na lama.

Rebelde americano

Gordon voltou a provar que é um homem sem paciência na edição de 2012 do Dakar, onde foi desclassificado por irregularidades técnicas relativamente à bomba de ar dos pneus, depois de vencer a nona etapa e numa altura em que tinha ascendido ao segundo lugar. O piloto demonstrou junto dos comissários da FIA e da ASO que o sistema não envia suficiente ar para o motor funcionar, e protestou a decisão dos comissários, permanecendo em prova até ao fim.

Revoltado, venceu a 12ª etapa, e a primeira coisa que fez ao sair do carro foi dirigir-se ao operador de câmara e mandar uma mensagem bem clara aos organizadores: “Kiss my ass!”, disse, alto e bom som, antes de mostrar que “esta peça que dizem que nos dá potência? Ganhámos com 20 minutos de vantagem e temos isto tapado. Não faz m… nenhuma”, referindo-se à bomba de ar, depois de ter sido chamado batoteiro pelos seus adversários diretos. Apesar de tudo, a desclassificação manteve-se.

Carreira recheada

Gordon é um concorrente regular no Dakar, mas quando se estreou em 2005, não era exatamente considerado o favorito à vitória, ao volante do seu estranho e pesado Hummer de duas rodas motrizes. Na época, o piloto americano era mais conhecido dos europeus pela sua carreira nas pistas ovais americanas, nomeadamente na CART/Indycar, na IRL e na NASCAR. Gordon teve que lembrar todos que a sua estreia em competição automóvel foi no deserto da Baixa Califórnia e que conquistou o seu primeiro título na SCORE (na prática, o campeonato americano de TT) em 1986, com 17 anos de idade.
Foi só depois de conquistar cinco dos seus sete títulos da SCORE e duas das três vitórias na Baja 1000 que Robby Gordon se virou para as pistas de velocidade. Foi piloto da Roush no Campeonato IMSA, onde obteve quatro vitória à classe nas 24 Horas de Daytona e duas nas 12 Horas de Sebring, ao serviço da Roush Racing. Estes resultado abriram-lhe caminho para a Indycar, onde se estreou em 1992, a meio da época. A sua melhor época foi 1995, terminando no quinto lugar e vencendo duas provas, em Phoenix e Detroit, as suas únicas vitórias.

Embora tenha feito a sua primeira corrida na NASCAR em 1991, foi apenas em 2000 que fez uma época parcial e em 2002 que fez uma época completa. Gordon venceu apenas três vezes num total de 396 corridas, duas delas em 2003, ano em que obteve a melhor classificação, 16º.

Desde então, a sua participação em provas de circuito tem vindo a decrescer de ano para ano, regressando ao seu primeiro amor. Aumentou o total de títulos na SCORE para sete, na Baja 1000 para três, e também passou a correr na Traxxas TORC Series e na BITD, ambas séries de TT, a primeira em circuito fechado. Em homenagem ao seu herói Mickey Thompson, promotor da Baja 1000, assassinado em 1988, criou a Stadium Super Truck Series, uma nova série para provas de TT em estádio, que arrancou este ano. Gordon também lançou a sua própria marca de bebidas energéticas, a Speed Energy.
Este ano, leva novamente a sua irreverência ao Dakar.

Paulo Manuel Costa/JLA

Tags: Robby Gordon
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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