Rally Raid Portugal, SS4: João Ferreira vence etapa, Loeb perto do triunfo
João Ferreira / Filipe Palmeiro (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing SA) venceram a sua segunda etapa neste Rally Raid Portugal ao baterem Sébastien Loeb / E. Boulanger (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) por 18s.
Num dia bem complicado, devido à extensão do Setor Seletivo, bem como à muita água na pista e lama, a rapidez do piloto português – que terminou o dia de ontem na quinta posição – foi decisiva para triunfar e com isso voltar ao pódio da prova, já que é agora terceiro classificado atrás de Sébastien Loeb e Seth Quintero, isto quando falta ainda a derradeira etapa.
Guy Botterill / Oriol Mena (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing SA), colegas de equipa de João Ferreira foram terceiros no Setor Seletivo, mas não evitaram ser ultrapassados, embora tenham mantido o mesmo quarto posto de ontem. A diferença é que João Ferreira saltou duas posições – de quinto para terceiro – e Lucas Moraes / Dennis Zenz (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) com o sexto posto de hoje, caíram para a quinta posição da geral, eles que ganharam esta prova no ano passado.
Seth Quintero / Andrew Short (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing W2RC) foram hoje quartos classificados no SS4, e com isso perderam terreno para Sébastien Loeb que está perto de se estrear a vencer em Portugal no Mundial de Rally Raids, e a suceder, vai festejar no exato mesmo sítio onde venceu o Rally de Portugal de 2007, no WRC, o Estádio Algarve. A margem subiu de 1m27s para 2m30s, e com bom tempo amanhã no Algarve e sendo o percurso, muito provavelmente, em muitos dos locais por onde andou o Rally de Portugal (basta ver as áreas de espectadores) é bastante provável que nesse tipo de terreno o francês se sinta como “peixe na água”. João Ferreira por já ter competidos nas bajas algarvias, também terá uma boa ideia do que poderá apanhar pela frente.
Yazeed Alrajhi / Timo Gottschalk (Toyota Hilux GR/Overdrive Racing) mantiveram o sexto posto mas estão agora bastante mais longe do top 5, nova grande prestação de Alexandre Pinto / B. Oliveira (Taurus T3 Max/Old Friends Rally Team) que foram hoje oitavos da geral na SS4 e com isso subiram do 11º lugar ao oitavo. Entre tantas Ultimate, é um resultado notável.
A fechar o top 10 estão Marek Goczal / Maciej Marton (Toyota Hilux Evo/Energylandia Rally Team) e Eryk Goczal / S. Gospodarczyk (Toyota Hilux Evo/Energylandia Rally Team) com este último a cair de sétimo para décimos.
Bela prestação teve hoje Francisco Barreto / Paulo Fiúza (Toyota Hilux Evo/SVR) que subiram de oitavo para sétimo, um bom resultado provisório face a tanta e tão boa concorrência.
Filme do dia
Sébastien Loeb deu mais um passo firme rumo ao triunfo no bp Ultimate Rally-Raid Portugal, ao reforçar a liderança geral e fechar o dia com a sensação de que a prova é agora “sua a perder”, enquanto João Ferreira assinou uma vitória de etapa em terreno nacional que o projetou para o pódio virtual da prova.
Num dia de ritmo elevado, margens mínimas e decisões jogadas ao segundo, a classificação foi-se redesenhando quilómetro após quilómetro, até desembocar num cenário em que Loeb controla a geral e Ferreira assume, diante do seu público, o papel de principal opositor luso à armada internacional.
Desde cedo, o ambiente em torno da especial deixou claro que Portugal não se ia limitar a aplaudir: ia também atacar. Antes de os carros entrarem verdadeiramente “em ritmo de guerra”, a organização sublinhava já o desempenho de Francisco Barreto, oitavo da geral com muito menos experiência do que a maioria do top 10 e a carregar o embalo de um quarto lugar recente na Saudi Baja-Ha’il, preparado para fechar “em casa” uma semana sólida.
Logo nos primeiros quilómetros cronometrados, a história começou a organizar-se em torno de um protagonista principal. Sébastien Loeb, a sair na frente da luta pela geral, impôs o andamento ao passar no primeiro ponto intermédio e colocou imediatamente pressão sobre Seth Quintero e João Ferreira, que lhe surgiam colados no cronómetro, com Lucas Moraes e Yazeed Al Rajhi a alguma distância.
Atrás, Guy Botterill entrava em cena como “fator surpresa”, ao instalar-se nos lugares da frente e a mostrar o tipo de ritmo que lhe valeu vitórias no campeonato sul-africano de todo-o-terreno, enquanto Saood Variawa via a sua especial ruir logo no início, primeiro ao parar após uma saída de estrada, depois ao abandonar em definitivo com danos de suspensão, naquela que seria a segunda desistência da prova.
À passagem pelos 41 km, o trilho competitivo já estava bem definido: Loeb continuava “on fire”, a distanciar-se na luta global, Quintero e Ferreira sustentavam a perseguição direta, e Al Attiyah entrava na história do dia como “homem em missão”, largando mais atrás mas colocando o seu nome no top 3 do troço, focado em somar pontos de etapa depois da desistência na especial anterior. Botterill reforçava a candidatura, assinando o segundo melhor tempo intermédio e confirmando que vinha para discutir mais do que meras posições honrosas.
Com o avanço dos quilómetros, a narrativa passou a girar à volta de dois eixos: a gestão fria de Loeb na classificação geral e o crescendo de Botterill na luta pela etapa. No quilómetro 88, o francês mantinha o comando entre os pilotos já cronometrados, enquanto o sul-africano, agora efetivamente na frente da classificativa, “fazia contas” ao segundo, abrindo uma margem inicial e começando a escrever a sua própria história do dia, à custa de Loeb e de um pelotão compacto em que também João Ferreira se posicionava como ameaça.
A meio da especial, os relógios contavam a história em voz baixa mas clara. Loeb ia aumentando, ponto de controlo após ponto de controlo, o fosso para Quintero e Moraes na geral, estendendo a diferença para mais de um minuto e depois para perto de dois, numa demonstração de controlo absoluto do ritmo e do risco. Botterill, por seu lado, crescia em confiança: liderava a especial, ganhava segundos a Loeb e instalava-se nas posições de pódio virtuais, abrindo cerca de 20 segundos sobre Moraes e colocando-se, por um fio de segundos, como ameaça real ao “top 3” da prova.
À entrada para o último terço, a classificação era um exercício de precisão. Loeb, cada vez mais sólido no topo virtual da geral, chegava pela primeira vez a uma vantagem superior a dois minutos sobre Seth Quintero, dando à prova um ar de “corrida controlada”. Mas a especial ainda guardava reviravoltas: no quilómetro 190, as diferenças na frente eram microscópicas, com Botterill ainda a comandar a etapa mas sob pressão, Loeb a poucos segundos, João Ferreira a menos de meio minuto e Quintero logo atrás, todos conscientes de que qualquer erro podia custar uma vitória de troço ou um lugar no pódio.
Depois, a própria classificação começou a inverter o guião. À medida que a caravana se aproximava dos 244 km, Loeb respondia ao ataque com a arma que melhor domina: consistência. O francês voltava a ampliar ligeiramente a vantagem na geral e mantinha Botterill por perto na etapa, enquanto a luta pelos lugares de honra se tornava um jogo milimétrico. Pouco depois, porém, o sul-africano via a sua vantagem minguar e, já com a meta à vista, devido a um furo e a prova revelava o seu novo protagonista do dia: João Ferreira.
Na parte final da especial, o piloto português da Toyota Gazoo Racing SA “ligou os pós-combustores”. Botterill, que até aí liderara a etapa, começou a ceder tempo e caiu na classificação, enquanto Ferreira acelerava de forma decisiva, tirando segundos a Loeb, a Quintero e ao sul-africano e projetando-se para um final de dia em apoteose.
Ao cortar a linha, o português assinou a vitória na etapa em solo nacional, com 18 segundos de vantagem sobre Loeb, 1 minuto e 18 sobre Botterill e 1 minuto e 21 sobre Quintero, conquistando o seu quarto triunfo da carreira na categoria Ultimate e o segundo apenas nesta semana.
Esse ataque final teve impacto direto na classificação geral: Ferreira subiu ao terceiro lugar provisório do bp Ultimate Rally-Raid Portugal, a 3 minutos e 53 de Loeb e a 1 minuto e 23 de Quintero, garantindo um lugar no pódio à entrada para a derradeira tirada de 101 km. Loeb, por seu lado, fechou o dia com a vantagem mundialmente reconhecida de quem deixa a corrida “por sua conta”, com mais de dois minutos de margem e o conforto adicional de não ter de abrir a estrada na etapa final, enquanto persegue a sua terceira vitória no W2RC depois da Andaluzia e de Marrocos.
Numa jornada em que a categoria Stock também teve o seu próprio duelo interno, com Sara Price e Rokas Baciuška a trocarem golpes ao segundo ao volante dos Defenders oficiais, o cenário global da prova ficou cristalino: Loeb no comando, Quintero na perseguição, João Ferreira em modo herói da casa no pódio virtual e um pelotão de candidatos a pontos e vitórias de etapa a tentar, até ao último quilómetro, impedir que o bp Ultimate Rally-Raid Portugal se transforme numa história escrita apenas a uma mão.

O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI




