Rally-Raid Portugal, SS2: Sébastien Loeb é o novo líder, três equipas em 53s, João Ferreira cai para 4º
Sébastien Loeb e E. Boulanger (Dacia Sandrider) venceram a etapa de hoje, bateram Guy Botterill e Oriol Mena (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing SA) por nove segundos e com isso ascenderam à liderança do Rally Raid Portugal com 40 segundos de avanço para Botteril com Seth Quintero e Andrew Short (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing W2RC) em terceiro a 53 segundos.
Esta é a 24ª vitória no W2RC de Sébastien Loeb, tem apenas à sua frente, Nasser Al Attiyah, com 51 triunfos.
Como se esperava, João Ferreira e Filipe Palmeiro (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing SA), ao abrir a estrada tiveram mais dificuldades, e também por isso foram quintos na tirada a pouco mais de três minutos de Loeb e com isso caíram para o quarto lugar da classificação geral, agora a 2m41s do novo líder, Monsieur Loeb! Três Toyota Hilux a “soprar no pescoço” do líder da prova, com outro Dacia, o de Lucas Moraes e Dennis Zenz (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) agora na quinta posição (eram sextos no final da SS1) a 39 segundos da dupla portuguesa da Toyota.
Em sentido contrário evoluíram hoje Yazeed Alrajhi e Timo Gottschalk (Toyota Hilux GR/Overdrive Racing) que são agora sextos da geral, caindo uma posição.
Quem deu um bom pulo foram Nasser Al-Attiyah e Fabian Lurquin (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders), que recuperaram duas posições na classificação geral, subindo de nono para sétimo.
Outra boa prestação foi a de Mathieu Serradori / Loic Minaudier (Century CR7/SRT), que ontem eram 10º da geral no final do dia, e hoje ascenderam ao oitavo posto da geral. Eryk Goczal / S. Gospodarczyk (Toyota Hilux Evo/Energylandia Rally Team) e Cristian Baumgart / Luis Eckel (Toyota Hilux Evo/SVR) fecham o top 10.
Nos Challenger, nova grande dia para Ricardo Porém / Nuno Sousa (Kaizen 51/Cattiva Sport) que manteve a liderança da prova, mas o grande destaque vai para a fabulosa tirada de Alexandre Pinto / B. Oliveira (Taurus T3 Max Old Friends Rally Team) que depois dos problemas de ontem, hoje bateram Porém por quase sete minutos e deram um enorme pulo na classificação. Vamos ver quanto, quando os concorrentes chegarem todos . Após os primeiros, o piloto do Kaizen mantém uma larga liderança.
Mais info assim que possível.
Nos SSV, azar para Luis Cidade / Valter Cardoso (Can-Am Maverick R/South Racing Can-Am) que terão tido problemas, pois não surge nos parciais mais recentes, João Monteiro / Nuno Morais (Can-Am Maverick R/Can-Am Factory Team) venceram a etapa 52s na frente de Luis Portela Morais / David Megre (Polaris RZR Pro R/BP Ultimate Adventure Team) com Miguel Barbosa / Joel Lutas (Polaris RZR Pro R/BP Ultimate Adventure Team) em terceiro a 1m18s. Na geral, Portela Morais será o novo líder 2m36s na frente de Miguel Barbosa. Mas falta chegar muita gente.
Nos Challenger, nova grande dia para Ricardo Porém / Nuno Sousa (Kaizen 51/Cattiva Sport) que manteve a liderança da prova, mas o grande destaque vai para a fabulosa tirada de Alexandre Pinto / B. Oliveira (Taurus T3 Max Old Friends Rally Team) que depois dos problemas de ontem, hoje bateram Porém por mais de sete minutos.
Como se percebe, ao fim do dia, o filme da Challenger conta a história de um protagonista que se redefine, de um campeão que passa a caçador e de um pelotão em que a estreia, a experiência e a ambição se cruzam na poeira de Portugal. Pinto transforma um décimo lugar inaugural numa resposta contundente, Porém descobre como é duro defender-se num dia em que outro português está inspirado, e van den Brink continua a construir, quilómetro a quilómetro, a sua credencial como ameaça permanente ao pódio.
O filme do dia na categoria Challenger escreve-se em letras bem portuguesas: Alexandre Pinto assina a sua primeira vitória na classe, mete o seu carro no segundo lugar da geral Challenger, e está agora a 7m10s dos líder, Ricardo Porém.
Filme da etapa
O resumo:
- O Cenário de Partida (A Calma antes da Tempestade)
Equilíbrio Absoluto: A manhã começa com sete pilotos separados por margens mínimas, com João Ferreira a defender a liderança contra a pressão direta de Loeb e Quintero.
- O Ataque da Dacia (Km 32 – Km 78)
Loeb assume o ritmo: O francês impõe uma velocidade frenética logo nos primeiros quilómetros, batendo os tempos de Ferreira. Ao km 78, a Dacia coloca os seus três carros (Loeb, Moraes e Al-Attiyah) no topo da tabela da especial.
Liderança Virtual: Loeb retira tempo suficiente a João Ferreira para se tornar, por apenas um segundo, o líder virtual da classificação geral do rali.
- O “Golpe” do Privado (A Surpresa Barreto)
Intruso entre Oficiais: Francisco Barreto (Toyota Hilux/SVR), partindo muito mais tarde (42.º na estrada), assombra o pelotão ao registar o 2.º melhor tempo no primeiro ponto de controlo, mantendo-se consistentemente no top 6 entre as equipas de fábrica.
- A Resposta da Toyota e o Sacrifício de Ferreira (Km 98 – Km 194)
O “Limpa-Trilhos”: João Ferreira sofre o desgaste de abrir a estrada, perdendo tempo visual e cronométrico para os perseguidores. A Sombra de Botterill: Guy Botterill (Toyota) lança um ataque feroz, reduzindo uma desvantagem de 31 segundos para apenas 2 segundos face a Loeb, ameaçando a vitória na etapa.
Quintero ao Ataque: O norte-americano Seth Quintero chega a ser líder virtual da etapa ao km 194, colando-se fisicamente à traseira do carro de João Ferreira.
- O Clímax e a Resolução em Badajoz (O Sprint Final)
Duelo ao Segundo: Nos últimos 25 km, a vitória na etapa resume-se a um “braço de ferro” entre Loeb e Botterill.
Triunfo de Loeb: O francês resiste à pressão, vence a etapa com 9 segundos de vantagem sobre Botterill e 1 minuto sobre Quintero. Com este desempenho, Sébastien Loeb assume o comando da classificação geral do bp Ultimate Rally-Raid Portugal, com uma vantagem de 40 segundos sobre Botterill, celebrando o regresso às vitórias em solo espanhol.
O Filme, em Longa-metragem…
Antes de a poeira assentar em Badajoz, a imagem do dia ganha contornos nítidos: Sébastien Loeb assina uma etapa de mestre, conquista a especial entre Grândola e a fronteira espanhola e assume pela primeira vez o comando do bp Ultimate Rally-Raid Portugal em 2026, à frente de Guy Botterill e Seth Quintero.
No topo da geral, o francês da Dacia salta para a liderança com vantagem curta sobre Botterill e Quintero, enquanto João Ferreira, que abriu a estrada, vê a sua aposta de ataque transformar-se num dia de sacrifício ao volante.
Entre os privados, Francisco Barreto transforma uma partida tardia num verdadeiro “golpe” em pleno pelotão de oficiais, e na categoria Stock, Stéphane Peterhansel impõe a lei da experiência ao virar o duelo com Rokas Baciuška a seu favor.
A história começa ainda com o frio da manhã no ar, com a geral totalmente em aberto: depois de ter sido terceiro em 2025 e de ocupar esse mesmo lugar na classificação, Loeb inicia a especial a menos de meio minuto de João Ferreira, com Seth Quintero ainda mais perto, a apenas 17 segundos do português, num grupo compacto onde também surgem Botterill, Yazeed Al Rajhi, Lucas Moraes e Nasser Al Attiyah — sete nomes para um título que promete ser decidido nos detalhes.
Pouco depois, “Monsieur Dakar” surge em foco na categoria Stock: na véspera, Stéphane Peterhansel ficara surpreendido com o desempenho do seu Defender, nunca sendo ultrapassado pelos ágeis Challenger e SSV, apesar de Baciuška ter vencido e Sara Price ter perdido a hipótese de triunfo por problemas de direção assistida.
O lituano, líder do campeonato, volta à estrada, com Peterhansel logo atrás, numa espécie de prólogo para o mano a mano que o dia ainda traria.
Loeb dá o primeiro sinal de que veio para virar o dia. Ao fim de 32 quilómetros, depois de uma recuperação forte na metade final da etapa anterior, o francês surge em grande ritmo, à frente do vencedor da véspera, João Ferreira, e de Quintero, separados por escassos segundos num início de tirada onde cada metro conta.
Nesse mesmo ponto, a Dacia começa a mostrar as credenciais: Nasser Al Attiyah coloca o seu Sandrider a apenas quatro segundos do colega de equipa, enquanto se sabe que Henk Lategan e Saood Variawa, ambos candidatos a triunfos, acabam de entrar na especial com as Toyota Hilux.
Quando o cronómetro assinala a passagem no km 78, a ofensiva da marca romena materializa-se: Loeb aumenta ligeiramente a vantagem sobre Quintero e João Ferreira, e, mais importante, assume também a liderança virtual do rali, ainda que por apenas um segundo face ao português — um piscar de olho ao futuro que viria a concretizar-se.
À medida que mais carros chegam ao km 78, o cenário ganha forma: os três Dacia “engolem” o topo da tabela, com Loeb quatro segundos à frente de Lucas Moraes e 18 sobre Al Attiyah, e uma sequência de Toyotas logo atrás, comandada por Quintero, Ferreira e Botterill, todos dentro de meio minuto.
É nesta altura que surge a primeira grande surpresa da etapa: saindo mais de uma hora depois do primeiro carro, Francisco Barreto rebenta com as previsões ao registar o segundo melhor tempo no km 32, apenas quatro segundos mais lento do que Loeb, ao volante do seu Toyota Hilux da SVR.
O português não se fica por aí e confirma a tendência ao registar o terceiro tempo nos km 78 e 98, mostrando que o rótulo de privado não impede ninguém de se intrometer entre as estruturas oficiais.
No km 98, a imagem do pelotão de ponta está nítida: o “tridente” da Dacia crava-se na frente, com Loeb na liderança, seis segundos à frente de Moraes e 24 de Al Attiyah; João Ferreira, primeiro na estrada, surge já a 47 segundos, mas ainda com margem virtual na geral numa fase em que as contas só se fecham no final da tirada.
Um pouco mais atrás, a luta pelos lugares cimeiros intensifica-se: Loeb alarga a vantagem sobre Moraes de seis para dez segundos entre os km 98 e 132, mas sente o bafo de Botterill, que aparece cada vez mais perto, e de um Quintero que se mantém na discussão, enquanto Nasser começa a perder algum terreno.
Na categoria Stock, o dia ganha contornos de clássico: depois de na véspera Baciuška ter batido Peterhansel, o lituano responde de manhã, reduzindo a desvantagem de dez segundos para uma vantagem de seis no km 98, num duelo roda com roda em que Sara Price, ao volante do terceiro Defender, surge alguns segundos mais atrás, ainda na luta pelo segundo lugar.
Mas à medida que a especial avança, “Monsieur Dakar” dá o golpe de mestre: no km 232, Peterhansel dispara e abre mais de três minutos sobre Baciuška, quase apanhando o colega de equipa em pista, enquanto Price continua a tentar aproximar-se da segunda posição.
A partir do km 168, Botterill passa de perseguidor distante a sombra colada ao Dacia de Loeb: de 31 segundos atrás no km 98, o sul-africano reduz a diferença para 18 no km 132 e, depois, para apenas dois segundos ao km 168.
A Toyota Gazoo Racing SA sente que pode estragar a festa da Dacia e do nove vezes campeão do mundo, e o cenário de uma terceira vitória em etapas W2RC para Botterill ganha consistência.
Por essa altura, o top 5 da etapa está completamente compacto, com Loeb a “sentir” o calor de todos os lados: Botterill encosta, Quintero mantém-se a 16 segundos, Lucas Moraes espreita 37 segundos mais atrás e Nasser Al Attiyah fecha o grupo dentro do primeiro minuto, numa demonstração de equilíbrio puro.
Enquanto o duelo pela frente aquece, Barreto continua a construir a sua própria história na poeira: visto no km 98 em terceiro da etapa, o português vai perdendo algum contacto, mas mantém, com firmeza, o estatuto de melhor privado, sexto no km 194 com pouco mais de um minuto de atraso, sempre a “roçar” os tempos das equipas oficiais. Ao volante de um Hilux da SVR, com o experiente Paulo Fiuza no banco da direita, e vindo de um quarto lugar na Baja Ha’il, Barreto aproveita a posição de partida atrasada para atacar sem receio, transformando um dia que começara em 42.º na estrada numa exibição de peso perante o pelotão do W2RC.
Na frente, o xadrez estratégico entra na sua fase mais tensa. No km 194, a balança começa a pender para Quintero: o norte-americano da Toyota Hilux torna-se líder virtual da etapa, dois segundos à frente de Loeb, com Botterill em terceiro e o vencedor da véspera a perder algum contacto, ainda dentro de uma margem recuperável. Ao mesmo tempo, João Ferreira, que abre a estrada desde o início, sente o desgaste de rolar como “limpa trilho”, com o tempo a ir cedendo perante o ataque vindo de trás.
A aproximação é tal que, numa espécie de inevitabilidade, Quintero recupera o tempo perdido na partida e coloca-se praticamente na sombra do Hilux português, prestes a o apanhar em pleno troço, numa imagem que simboliza bem o equilíbrio e a intensidade do dia.
Chegados ao km 232, a faísca acende-se de novo a favor de Loeb: o francês retoma o comando virtual da etapa, mas com margens microscópicas. Quintero e Botterill mantêm-se nos seus escapes, ambos a menos de 15 segundos, e a batalha transforma-se num exercício de precisão, em que cada travagem e cada nota ditada no habitáculo podem fazer a diferença entre a glória do triunfo e a frustração de um segundo lugar.
É também neste ponto que o relógio volta a contar para os líderes: depois de completarem a secção de ligação entre os km 231 e 305, João Ferreira entra na derradeira parte cronometrada do dia, seguido de muito perto por Quintero, num último segmento que se anuncia como sprint puro até Badajoz.
Os quilómetros finais traduzem essa expectativa em pura ação. A 25 quilómetros do final, no km 352, a especial está em ebulição: Loeb e Botterill estão separados por apenas 14 segundos, com Quintero a 45 segundos e João Ferreira quase três minutos atrás. Tudo aponta para uma fuga a dois no topo, numa espécie de duelo clássico entre o veterano múltiplo campeão francês e o sul-africano em ascensão, ambos a jogar tudo por tudo nos minutos derradeiros.
À entrada da meta, o cenário ganha um primeiro plano inesperado: depois de passar o dia a abrir a estrada, João Ferreira é o primeiro carro FIA a cortar a linha em Badajoz, líder em pista, mas não vencedor da etapa, uma vez que Loeb e Botterill ainda vêm a fundo atrás, envolvidos num duelo que mantém todos suspensos.
Quando a poeira assenta, a história escreve-se com o nome de Sébastien Loeb no topo. O francês resiste ao ataque final de Botterill, que termina a etapa a nove segundos do Dacia, enquanto Quintero encerra o pódio da especial, a pouco mais de um minuto. Outros concorrentes ainda não cruzaram a meta, mas tudo indica que os grandes protagonistas do dia já entregaram as suas cartas.
Com este resultado, Loeb não só conquista a segunda etapa do bp Ultimate Rally-Raid Portugal, como salta para a liderança da classificação geral, 40 segundos à frente de Botterill e 53 de Quintero, liderando pela primeira vez uma prova em 2026 e voltando a sonhar com o primeiro triunfo desde o Rallye du Maroc do ano anterior.
O destino quis que este momento chegasse em Badajoz, Espanha, precisamente o país onde, em 2022, o francês conquistara a sua primeira vitória em rally raid no Andalucía Rally.
Ao final do dia, o guião fica claro: um francês que reencontra o controlo do enredo da sua época, um pelotão de favoritos comprimidos a discutir cada segundo, um privado português a desafiar a lógica das grandes equipas e uma categoria Stock onde o veterano Peterhansel volta a lembrar porque é chamado “Monsieur Dakar”.
Tudo isto sobre o pano de fundo de uma ligação intensa entre Portugal e Espanha, em que a poeira levantada na serra e nas planícies se transforma em narrativa, emoção e memória para quem vive o rally raid como um verdadeiro filme desportivo.
Mais informação dentro de momentos.
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