Rally Raid Portugal/SS1: dia de glória para as cores nacionais…
João Ferreira (Toyota) assinou uma entrada de luxo no bp Ultimate Rally-Raid Portugal, assumindo a liderança da prova após uma etapa inaugural em Grândola marcada pela lama, rasteiras mecânicas e o abandono prematuro das estrelas da Ford. Num dia de glória para as cores nacionais, também Ricardo Porém (Challenger) e Luís Cidade (SSV) saltaram para o topo das suas categorias, num terreno traiçoeiro que não perdoou erros a gigantes como Carlos Sainz e Mattias Ekström.
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A abertura do bp Ultimate Rally-Raid Portugal teve lugar em Grândola e não deu qualquer margem para ‘aquecimentos’. Depois de uma SS1 marcada pelo terreno molhado e muito traiçoeiro, João Ferreira (Toyota) assumiu o protagonismo “em casa”, batendo Seth Quintero por 15 segundos após um duelo frenético ao décimo de segundo nos vários parciais. Enquanto Sébastien Loeb fechou o pódio com uma recuperação sólida, o dia foi de pesadelo para a Ford, que viu Carlos Sainz e Mattias Ekström ficarem pelo caminho com problemas mecânicos e saídas de estrada.
Quem também teve um encontro imediato do 3º grau que lhe danificou a suspensão foi Henk Lategan que danificou seriamente a suspensão traseira da sua Toyota Hilux GR da Toyota Gazoo Racing W2RC, parando no percurso e reparando a avaria com as ferramentas que tinha. Perdeu, claro, muito tempo, 36m10s.

Acrescentando os tempos da curta super especial de Grândola, que serviu de prólogo para as motos (já não há prólogo nos autos FIA) João Ferreira / Filipe Palmeiro (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing SA) lideram a prova com 17 segundos de avanço para Seth Quintero / Andrew Short (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing W2RC) com Sébastien Loeb / E. Boulanger (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) em terceiro a 28s.
Foi muito boa a primeira batalha pelo comando do W2RC em solo luso, com a caravana a sofrer já algumas ‘agruras’ pois com a chuva que caiu durante a noite, o pisos estava muito traiçoeiro. Muitos furos, pois com a lama e o ‘respetivo’ escorregar, por vezes bastava sair um pouco da pista e as pedras disfarçadas de armadilhas, faziam “das suas”.
Guy Botterill / Oriol Mena (Toyota Hilux GR/Toyota Gazoo Racing SA) terminaram o dia em quarto 59s da frente. Um top 4 muito equilibrado, entre os concorrentes que melhor se adaptaram ao estado dos pisos, muito escorregadios e para o comprovar basta ver o vídeo em baixo. Yazeed Alrajhi / Timo Gottschalk (Toyota Hilux GR/Overdrive Racing) terminam o dia em quinto já a quase minuto e meio da frente, com Lucas Moraes / Dennis Zenz (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) em sexto, 19s mais atrás.
Sétimo lugar para Cristian Baumgart / Luis Eckel (Toyota Hilux Evo/SVR) com os brasileiros a sentirem-se em casa e a andar bem, pois já fizeram algumas provas do campeonato português e já sabiam com o que contavam. Terminam o dia a 2m37s da frente.
Nasser Al-Attiyah / Fabian Lurquin (Dacia Sandrider/The Dacia Sandriders) são nonos a 3m14s, foram penalizados num minuto e a fechar o top 10… CR7! Mathieu Serradori / Loic Minaudier no seu Century CR7/SRT, imprimiram muito bom andamento, nas difíceis estradas, e o que se notou para quem viu é que nas zonas mais enroladas o carros é mais ágil que a generalidade dos Ultimate.
Com a classificação geral ‘colada’, o Top 4 está separado por apenas 59s, o top 10 cabem em três minutos e meio, a a difícil SS2 de amanhã promete elevar a fasquia. Porque é mais extensa, e a chuva parece querer “fazer das suas”.
Lembram-se dos Portalegre? Amanhã é algo semelhante, mas com cariz Mundial.
João Ferreira terá a dura tarefa de abrir a estrada (ou nem por isso, porque se houver muita lama, é bem melhor abrir), um desafio tático onde o seu conhecimento será crucial, pois muita coisa que irá ver vai aparecer-lhe familiar, e por isso, podemos ter mais do mesmo face ao que sucedeu hoje.
Contudo, atrás de si na perseguição estão ‘só’ Seth Quintero e Sébastien Loeb, que tentarão aproveitar o rasto do português para recuperar tempo. Com o terreno previsivelmente mais pesado devido à chuva, a gestão da mecânica e do erro serão fatores decisivos: quem arriscará tudo nas zonas rápidas e quem jogará na defensiva para evitar o destino dos Ford de Sainz e Ekstrom?
Na frente dos SSV e em 11º lugar da geral estão Luís Cidade / Valter Cardoso (Can-Am Maverick R/South Racing Can-Am), uma prestação fantástica de um jovem que tem vindo a embrulhar-se cada vez mais na frente das corridas, e o que fez hoje mostra bem que é um dos favoritos não só a vencer os SSV nesta prova, como também fazer um bom resultado à geral, especialmente se os terreno continuar molhados e escorregadios.
Se Luis Cidade está bem, o mesmo se tem de dizer de Luis Portela Morais / David Megre (Polaris RZR Pro R BP Ultimate Adventure Team) porque na verdade são 12º da geral apenas a quatro segundos dos homens dos seus compatriotas e líderes dos SSV.
Logo a seguir, na categoria e na geral, mas um pouco mais longe, Miguel Barbosa / Joel Lutas (Polaris RZR Pro R BP Ultimate Adventure Team) que sofreram uma penalização de dois minutos e estão a oito segundos dos colegas de equipa.
Logo a seguir, as duas Toyota Hilux da Toyota Hilux Evo/Energylandia Rally Team, com Marek Goczal / Maciej Marton na frente de Eryk Goczal / S. Gospodarczyk, com o primeiro a mais de dois minutos de Miguel Barbosa e o seu familiar, a mais 10 segundos.
Nos Challenger, grande prova estão a fazer Ricardo Porém / Nuno Sousa (Kaizen 51/Cattiva Sport). venceram a SS1 e confirmaram o bom resultado do dia na super especial, terminando a jornada com 3m21s de avanço para os espanhóis Juan Gasso / Ion del Cid (G Rally Team OT3/Moto Club Sabadell) acrescentando mais 13s aos números que já traziam do SS1, terminando o dia com 3m21s de avanço na categoria. Terceiro lugar para Paul Spierings / Mark Solomons (Taurus Evo Max) da Rebellion Spierings, a 13s de Gasso.
De regresso a estas andança, um dupla de longa data: Rómulo Branco / João Serôdio, num Taurus T3 Max da Palanca Motorsport são os segundos melhores angolano/portugueses já estão a 13m34s da frente.
Seguem-se Pedro Gonçalves / H. Magalhães (Taurus T3 Max/BBR Motorsport) na nona posição da classe,
Alexandre Pinto / B. Oliveira (Taurus T3 Max/Old Friends Rally Team) tiveram problemas e são apenas 11º, marcando ainda presença Marco Pereira / Eurico Adão (Can-Am Maverick X3/Metalmarinha Racing) em 12º, e Rui Carneiro / Fausto Mota (KTM X-Bow/G Rally Team) 13º.
Nos SSV, Luis Cidade / Valter Cardoso (Can-Am Maverick R/South Racing Can-Am) lideram com quatro segundos de avanço para Luis Portela Morais / David Megre (Polaris RZR Pro R/BP Ultimate Adventure Team) com Miguel Barbosa / Joel Lutas (Polaris RZR Pro R/BP Ultimate Adventure Team) em terceiro a 2m14 dos líderes.
J. Oscar Nogueira / Arcélio Couto (Can-Am Maverick R/Old Friends Rally Team) são quartos a 2m36s, João Monteiro / Nuno Morais (Can-Am Maverick R/Can-Am Factory Team) são sétimos a 5m41s, Bruno Oliveira / José Sá Pires (Can-Am Maverick R/Ford Trucks) são nonos, Paulo Rodrigues / João Miranda (Can-Am Maverick R/Rio Seco Racing) 11º, Filipe Lopes / Gonçalo Reis (Can-Am Maverick R/Rio Seco Racing) 14º e Rúben Rodrigues / Rui Paulo (Can-Am Maverick R/Rio Seco Racing) 16º este último com imenso tempo perdido.

Filme do dia
Ultimate – O filme dos carros “grandes”
Nos Ultimate, o dia começou com o peso da história: Al Attiyah e Moraes chegam como reis de Portugal, Toyota domina metade do pelotão e a Ford arma um esquadrão de Raptors com Sainz e Ekström sedentos de vitória. Em pista, a primeira metade da etapa é um thriller: Quintero, Al Attiyah, Moraes e sobretudo João Ferreira trocam a liderança à centésima, com vários splits em que o top 10 cabe em segundos e o público sente que qualquer correção de volante pode virar o enredo.
No lado negro do guião, Lategan para cedo com problemas no Hilux, Variawa fica imobilizado, e os Raptors de Sainz e Ekström encostam quase em simultâneo, o espanhol com motor em agonia e o sueco a tentar reparar depois de sair de pista, enquanto Laia Sanz também é apanhada por um obstáculo traiçoeiro mais à frente.
Na segunda metade da especial longa, Ferreira e Quintero travam um duelo de boxe aberto, o americano chega a passar para a frente, mas o português responde forte, volta ao comando e leva a melhor no fim do setor; Loeb, por sua vez, “liga o afterburner” no trecho final, ganhando tempo a todos e colocando o Dacia na discussão direta com os Hilux.
No setor curto final, Al Attiyah é o primeiro a regressar ao bivouac, mas a penalização por excesso de velocidade e o andamento de Ferreira selam o clímax: João vence a etapa FIA em casa, assume a liderança geral pela segunda vez na história do rali, desta vez frente a Quintero e com Loeb a fechar o pódio, num final de dia em que a “onda Toyota” domina o top 5 e Portugal ganha o seu herói absoluto da Ultimate.
SSV – O filme dos “side-by-side”
Na SSV, o filme começa com um elenco fortemente português: nove carros em dezasseis, um Can-Am de fábrica com João Monteiro, e a certeza de que haverá um novo vencedor em 2026.
Jeremías González Ferioli abre a especial a atacar, mas rapidamente se vê cercado por uma maré lusa – Luís Cidade, Monteiro, Barbosa e Portela Morais encostam-se à sua traseira logo nos primeiros splits.
A meio da etapa, Ferioli perde o comando e Cidade assume o protagonismo, mantendo a liderança nos pontos intermédios, com Portela Morais e Barbosa agarrados a poucos segundos, transformando o troço numa perseguição quase urbana, mas em piso de lama e ribeiros.
À entrada para o setor curto final de 3,07 km, o suspense é total: Cidade lidera por um segundo sobre Portela Morais e nove sobre Barbosa, num cenário em que três portugueses e duas marcas – Can-Am e Polaris – entram num “photo finish” anunciado para decidir quem leva a vitória de etapa.
No desfecho, Cidade confirma o papel principal: vence a SSV, repete a autoridade mostrada nas duas últimas etapas de 2025 e encabeça um pódio totalmente português, com Barbosa e José Oscar Nogueira a completarem um top 3 onde a Can-Am domina e apenas um Polaris quebra o monopólio nos dez primeiros.
Challenger – O filme dos protótipos leves
Nos Challenger, o dia arranca com mudanças de elenco e promessas de renascimento: Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira sobem da SSV para esta categoria em busca de um “fresh start”, enquanto Pau Navarro, campeão do Dakar, estreia o novo projeto Viking Challenger com um protótipo letão cheio de soluções técnicas próprias.
Navarro, porém, cai logo no início da história – o espanhol para ao oitavo quilómetro, aparentemente por problemas mecânicos, e regressa ao bivouac, abrindo espaço para novas figuras. Na frente, Dania Akeel assume o comando desde cedo, controlando Mitch Van Den Brink e Puck Klaassen e mantendo as Taurus BBR de Lucas del Río e Pedro Gonçalves em cheque, enquanto, mais atrás, Pinto consegue recuperar o andamento depois de um percalço inicial, ainda que já longe da luta pela vitória. Ao km 105, a tensão sobe: Akeel continua na frente, mas Ricardo Porém aproxima-se perigosamente, reduzindo a desvantagem a cinco segundos e preparando o ataque na parte final do setor longo, num duelo que começa a puxar o público português para o lado Challenger.
Depois, a reviravolta: Akeel para aos 138 km, Klaassen encosta aos 126, e Porém passa para a frente na especial, chegando ao km 146 com mais de três minutos de vantagem sobre Pedro Gonçalves, enquanto Van den Brink e Lucas del Río se engalfinham por segundos; no final do dia, com a segunda especial a confirmar a tendência, Ricardo Porém converte esse golpe em vitória de etapa, tornando-se mais um português a triunfar em Challenger e fazendo eco do legado recente de Gonçalo Guerreiro nesta mesma prova.
Stock – O filme dos quase de série
Na Stock, o dia abre como um duelo de três Defenders oficiais: Sara Price dispara na frente ao primeiro split, à frente de Peterhansel e Baciuška, enquanto “Monsieur Dakar” explica que o objetivo é tanto testar o carro em pisos molhados e sinuosos como lutar pelo melhor resultado possível num terreno que não favorece o peso do Defender.
Nos primeiros 100 quilómetros, Price mantém o comando, com Baciuška e Peterhansel a controlarem o ritmo, num equilíbrio que parece encaminhar-se para uma batalha a três até ao fim. Mas, perto do final da especial longa, o guião dá uma volta brusca: a americana perde a direção assistida e é obrigada a lutar fisicamente com o volante, transformando os últimos quilómetros num exercício de pura sobrevivência e deixando escapar largos minutos no cronómetro.
Baciuška aproveita o momento com frieza: passa para a frente, mantém o ritmo até à meta e conquista a primeira especial de Stock em Portugal, a sua nona vitória da temporada, com cerca de um minuto de vantagem sobre Peterhansel e Price a ceder mais de sete minutos depois do problema.
No fecho do dia, o lituano não só lidera a categoria e o bp Ultimate Rally-Raid Portugal em Stock, como assinala uma ligação simbólica ao passado recente – já tinha vencido aqui na Challenger em 2024 – enquanto a Defender Rally fecha o primeiro dia com um líder forte e um carro colocado à prova, exatamente como pretendia
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