Rali Transibérico 2007: A difícil estreia vitoriosa de Carlos Sainz no Todo-o-Terreno…

Por a 30 Março 2024 11:46

Todos os caminho de sucesso têm um começo, e depois de Carlos Sainz ter sido considerado o Melhor Piloto de Sempre da história do Mundial de Ralis, o seu sucesso no todo-o-terreno também tem sido grande, já venceu, por exemplo quatro edições do Dakar, vem na próxima semana a Portugal para a primeira prova do Mundial de TT da história no no País, e por isso achámos curioso recordar o primeiro triunfo do espanhol no TT. Foi em Portugal, no Rali Vodafone Transibérico 2007.

Dizia o AutoSport: “Tal como há um ano, a Volkswagen bateu a rival Mitsubishi na etapa europeia da Taça do Mundo. Desta vez, contudo, foi o ‘estreante’ Carlos Sainz a festejar no degrau mais elevado do pódio, onde teve a companhia de compatriota Joan “Nani” Roma, aqui a repetir o segundo lugar de 2006 e do português Carlos Sousa”.

Como se percebe, definitivamente, Portugal é um país marcante para a carreira de Carlos Sainz. Se não, recordemos: Foi aqui que o espanhol se estreou no Mundial de Ralis (1987); que conseguiu duas das suas 26 vitórias no campeonato (1991 e 1995); que celebrou a sua centésima participação na competição (1998); que cumpriu o batismo numa nova disciplina, (Portalegre, 2005); e, finalmente, que venceu uma etapa do Dakar (2006).

E o AutoSport contou a história, que meteu ainda muito cansaço e desidratação e uma ambulância do INEM: “Como se isto já não fosse suficiente, o madrileno decidiu agora, aos 45 anos, acrescentar um novo marco nesta sua longa e profícua ligação ao nosso país, ao confirmar o seu primeiro sucesso absoluto no TT. No seu terreno de eleição, Sainz não desperdiçou a oportunidade que há muito perseguia. Penalizado por abrir a estrada na etapa de sexta-feira, ainda seria surpreendido pelo forte início de “Nani” Roma que, não obstante os problemas de caixa no Pajero, venceu o sector matinal, mas por escassos oito décimos de segundo! Porém, à tarde, Sainz atacou forte e colocou a diferença em 1m42s à chegada a Badajoz. Ficava então claro que o duelo pela vitória falaria espanhol. Na etapa seguinte, a mais longa (e dura), com 440 km cronometrados debaixo de um calor sufocante, a história ficou praticamente resolvida, após Sainz dilatar a vantagem para 5m18s. Impotente para contrariar a supremacia do líder, Roma reconhecia o “superior andamento” do seu rival, num dia em que as coisas também não lhe correram de feição, pois furou no Sector da tarde.

Mas este terceiro dia ficaria ainda marcado pelo colapso do líder. Devido às altas temperaturas verificadas no Alentejo, e também ao muito pó, Sainz terminou o segundo Sector em grande apuro, indisposto e desidratado, de tal forma que teve mesmo de receber assistência médica na ambulância do INEM. Uma vez em Évora, Sainz teve que receber soro e cuidados adicionais. Como se não tivesse bastado o calor, o madrileno ficou sem sistema de refrigeração no habitáculo, não conseguindo ingerir qualquer líquido por falha no dispositivo montado no Race Touareg. Felizmente, “el Matador” recuperou bem à noite, regressando no último dia para defender a sua folgada liderança.

«Foi uma prova muita dura e difícil, em especial, no sábado. Mas estou, como é evidente, muito satisfeito pelo resultado e comportamento do Race Touareg”. “Nani” Roma teve mesmo de contentar-se com nova subida ao degrau intermédio do pódio. Desta vez, contudo, o catalão não terá saído de Portugal tão desiludido como há um ano, quando se viu superado por Giniel de Villiers já nos últimos quilómetros de prova. «Tenho de dar os meus parabéns ao Carlos (Sainz) pelo andamento que imprimiu. Fiz o possível, pelo que não me sinto desapontado”.

De resto, qualquer esboço de reação neste último dia ficou bem cedo comprometido, quando acusou dois furos na mesma roda. Em todo o caso, pior sorte teve o colega de equipa na Mitsubishi, Luc Alphand, apenas quarto da geral. O francês realizou uma prova repleta de percalços: desde uma falha na direção assistida, ainda no começo da segunda etapa, até um atascanço na problemática travessia pelo ribeira do Couço, onde perdeu dez minutos. «Tudo somado foram problemas a mais para uma só prova”, contou o piloto.

Quanto a Carlos Sousa, o balanço é mais difícil de fazer. Se é verdade que não desiludiu e, ao encerrar o pódio sendo, também o melhor português, também não se pode dizer que tenha surpreendido, como por exemplo o fez no Dubai ou mesmo no último Dakar. Ainda que algo limitado por guiar um Race Touareg da anterior geração, a verdade é que o ritmo dos dois primeiros foi demasiado forte, como o próprio reconheceu, sem qualquer espécie de rodeios: «Honestamente, não foi pelo carro que não consegui estar na luta pela vitória. É claro que quando se anda a lutar ao segundo tudo é muito importante, mas reconheço que estive fora do ritmo do Carlos Sainz e do Roma. No fundo, acho que todos mereceram as posições em que terminaram”, analisou Carlos Sousa.

Esta prova marcou também o reencontro de dois ‘monstros’ dos ralis, Carlos Sainz e Colin McRae: “Com os quatro primeiros lugares entregues, desde cedo, às duplas da VW e Mitsubishi – ainda que muito por culpa do abandono de Colin McRae (problemas nos travões) no início da segunda etapa – seria a restante Selecção Nacional a brilhar, com Filipe Campos a ocupar um excecional quinto lugar da geral, respetivamente na frente de Hélder Oliveira e Nuno Inocêncio, outros dos totalistas.

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