Entrevista a Lucas Moraes: adaptação, confiança, competitividade e o novo desafio

Por a 19 Março 2026 16:21

Depois de se sagrar campeão do mundo, Lucas Moraes juntou-se a uma equipa de sonho, a Dacia Sandriders, com Sébastien Loeb e Nasser Al-Attiyah. Em entrevista ao AutoSport, o piloto brasileiro faz um balanço do seu primeiro Dakar com a Dacia, revela como foi a adaptação a uma nova equipa e perspetiva o Rali-Raid Portugal. “Foi um Dakar muito bom. Colocámos três carros no top 7 e o Nasser ganhou”, afirma Moraes, que se sente confiante para o Mundial de Rally-Raids: “Acho que temos tudo para fazer muito bem nesse campeonato.”

Autosport: Lucas Moraes, depois de teres sido campeão do mundo, foste para uma equipa com o Loeb e o Al-Attiyah. Como é que foi o teu Dakar?

LM: “Foi um Dakar muito bom. Fiquei muito feliz com o resultado que obtivemos como equipa, pois colocámos três carros no top 7. O Nasser (Al-Attiyah) ganhou, e acho que nós conseguimos trabalhar muito bem juntos. Para mim, foi um Dakar em que quase tudo era novo: um novo navegador, nova equipa, tudo novo, um novo carro. Mas estou muito feliz com a equipa e muito feliz por poder participar neste nível de provas.”

AS: Como é que se processa a adaptação a uma equipa completamente nova, especialmente quando tens dois super-pilotos como o Nasser (Al-Attiyah) e o Seb (Loeb)?

LM: “Sem dúvida que são super-pilotos, mas fui muito bem recebido. Eles foram muito gentis comigo, trocámos muita informação, e acho que o resultado no Dakar mostra isso. Para além disso, consegui também, sendo mais novo, aprender e ‘beber’ um pouco de como é que eles entendem a corrida, como olham para o Dakar. Foi um Dakar excelente para a equipa. Estamos na liderança do campeonato de Construtores, e agora o foco é continuar a tentar entregar bons resultados para a equipa.”

AS: Tu fizeste melhor este ano no Dakar do que tinhas feito em 2025. Sentes que este ano no Mundial de Rally-Raids podes voltar a ser campeão, ou por ser uma equipa nova é mais complicado?

LM: “Posso, com certeza que sim. Acho que temos tudo para fazer muito bem nesse campeonato. Os três pilotos são muito fortes, modéstia à parte, e acho que o carro também evoluiu muito ao longo do ano passado. O resultado no Dakar, de novo, mostra isso, então estou confiante. Claro, ‘pé no chão’, mantendo a tranquilidade e tentando, dia a dia, fazer uma boa prova aqui em Portugal, que vai ser muito difícil também por conta da chuva.”

AS: Tu não estavas na equipa, obviamente, em 2025, mas agora em 2026, o que é que achas que correu de forma diferente à Dacia para conseguir vencer o Dakar, tendo em conta que nas edições anteriores não tinham conseguido ainda?

LM: “Pois não. Mas acho que, na verdade, foi a evolução natural. Era um projeto novo. Entraram no Dakar, passaram por alguma aprendizagem, tiveram alguns problemas – por exemplo, o capotamento do Seb (Loeb) –, e tudo isso atrapalhou a equipa. Mas, ao longo do ano, deu para ver como o carro estava a evoluir e, por isso, quando recebi a oferta, pensei: ‘Olha, acho que faz sentido migrar e experimentar um carro que é muito rápido, por tudo o que a gente viu.’ E assim foi…”

AS: Tenho a sensação de que há um grande equilíbrio entre os vários conceitos de carros no Dakar. São tudo conceitos muito diferentes, mas o equilíbrio no cronómetro entre os carros é grande, concordas?

LM: “Concordo, com certeza. Acho que hoje não há carros maus. Realmente, são carros muito diferentes, mas acho que a FIA fez um bom trabalho ao nivelar. Penso que isso faz com que os Rally-Raids estejam a crescer ainda mais, com mais gente a acompanhar, porque as disputas são muito próximas. E aqui em Portugal não é diferente.”

AS: Tendo em conta que aqui em Portugal o percurso é muito mais ‘enrolado’, ainda que também com partes rápidas, como já sabes, achas que o Dacia Sandrider pode andar bem aqui?

LM: “Não, não tenho dúvida. O carro é muito bom. No shakedown aqui, foi uma surpresa ver como o carro tem um bom desempenho aqui. Estou contente e vou tentar, quem sabe, sonhar e defender o triunfo do ano passado aqui.”

AS: Tendo em conta o que dizes, o que é que esperas agora para esta prova?

LM: “Exatamente isso: espero uma prova muito similar com a do ano passado, mas claro, com a chuva, tudo pode mudar muito. Vai depender de onde partes em cada dia, se abres a especial ou largas mais para trás, tudo pode mudar. Espero que nós possamos estar na luta. Já cá fiz provas, sei que pode ser muito complicado com os pisos.”

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