Mathieu Baumel: da tragédia pessoal ao retorno épico no Dakar

Por a 27 Dezembro 2025 15:37

A história de Mathieu Baumel é uma das mais extraordinárias do desporto automóvel moderno. Aos 49 anos, este francês, natural de Manosque, fez das “tripas coração” para não deixar que as ‘curvas da vida’ lhe marcassem o destino. Atalhou, e em vez do ‘percurso’ demorar dois anos, ficou pelos 10 meses…

Entusiasta de desportos radicais, Baumel sonhava em tornar-se esquiador de elite, até que uma lesão grave pôs fim a essas ambições. Com o apoio do amigo Emmanuel Guigou, então um piloto aspirante, Baumel decidiu acompanhá-lo como navegador para ocupar a mente. A experiência revelou-se cativante, e a dupla competiu pela primeira vez em 1997.

Em 2004, Baumel e o piloto Guerlain Chicherit participaram no Volant Dakar, uma iniciativa da FFSA e do Dakar Rally para promover novos talentos. Recrutado pela X-raid, Baumel terminou em nono lugar em 2006 e conquistou a sua primeira vitória de etapa. A sua calma, capacidade de gestão e aptidões de navegação impressionaram desde o início.

A era de ouro com Al Attiyah

Anos mais tarde, Baumel uniu-se a Nasser Al Attiyah, formando um formidável duo franco-qatari que dominou o cenário mundial dos rali raid. Juntos, venceram o Dakar em 2015, 2019, 2022 e 2023, além de múltiplas vitórias em campeonatos mundiais. Baumel conquistou seis títulos mundiais: na FIA Cross-Country Rally World Cup (2015, 2016, 2017, 2021) e no W2RC (2022, 2023).

Esta parceria terminou abruptamente após o Dakar 2024. Contudo, Baumel rapidamente se reergueu, unindo-se a Guillaume De Mévius e à equipa Mini, onde pôde partilhar a sua vasta experiência com o jovem piloto belga.

O acidente de 29 de janeiro de 2025: tragédia e determinação

A vida de Baumel transformou-se drasticamente num instante devastador. A 29 de janeiro de 2025, enquanto prestava assistência na berma da estrada, foi atingido por um automóvel. O seu estado tornou-se crítico, com lesões graves nas pernas.

Os dias seguintes foram angustiantes: operações sucessivas, coma induzido, paragem cardíaca e diversas complicações. Baumel agarrou-se à vida, mas enfrentou a angustiante decisão de amputar a perna direita, que estava demasiado danificada para uma recuperação funcional.

A recuperação recorde: 10 meses em vez de 2 anos

Ainda no hospital, Baumel fez uma promessa a si mesmo: estaria à partida do Dakar 2026. Enquanto os médicos prognosticavam um período de reabilitação de dois anos, Baumel estabeleceu um objetivo ambicioso: dez meses.

O apoio incondicional da família e dos amigos foi crucial. Dirigiu-se ao centro de reabilitação em Le Grau-du-Roi, onde iniciou um programa implacável de trabalho físico e demonstrou uma resiliência mental extraordinária. Os resultados superaram todas as previsões médicas.

Equipado com próteses especificamente adaptadas às exigências do rali raid, Baumel regressou à equipa Mini e, mais tarde, competiu na Baja Sharish Reguengos. Nunca duvidou que estaria ao lado de De Mévius em janeiro de 2026.

Mathieu Baumel: o primeiro amputado no Dakar da elite

«Tudo acontece muito depressa, e encontrei-me no chão, numa situação que sabia ser muito grave», explicou Baumel sobre o momento do acidente. «Diz-se a si mesmo que a vida acabou, mas é preciso lidar com a situação. A experiência que adquirimos no Dakar ajudou-me a gerir esta crise: como um bom navegador, organizo tudo. Chamei a minha família, os serviços de emergência e reuni os meus documentos enquanto ainda estava lúcido.»

A decisão da amputação foi estratégica. «Os médicos explicaram os dois cenários possíveis. Decidi amputar a perna direita, porque havia poucas hipóteses de a voltar a usar e, mesmo que o conseguisse, demoraria dez anos a recuperar. Na minha mente, era claro: o meu objetivo era estar no Dakar em janeiro de 2026.»

A sua determinação manteve-o focado. «Disse ‘sim’ a tudo e fiz mais do que me era pedido para acelerar a recuperação. No final de julho, estava no carro com Guillaume e a X-raid para avaliar se seria possível participar no Dakar. Era doloroso, e estava a exercer o dobro da pressão na minha perna esquerda, mas sentia-me bem. Depois disso, competimos em Reguengos. Estava cansado, mas conseguimos terminar.»

A inovação técnica: prótese adaptada

Baumel beneficiou de inovação protética especializada. «Tenho uma tomada flexível que me permite sentar no meu assento sem dor. Tenho um sistema que permite desconectar a parte superior e inferior da prótese, para que eu possa descer do carro com uma perna e escolher o que quero», explicou.

Os médicos ficaram admirados. «Os médicos deram-me os parabéns porque sempre disseram ‘sim’ para me motivar, mas nunca imaginaram que conseguiria competir novamente tão rapidamente.»

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1 comentários

  1. [email protected]

    28 Dezembro, 2025 at 10:08

    Um exemplo…

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