João Ferreira termina em 18º no Dakar: jornada difícil na prova mais dura do mundo

Por a 17 Janeiro 2026 15:14

João Ferreira e Filipe Palmeiro regressaram ao Dakar Rally 2026 ao volante da Toyota Hilux IMT EVO, com maiores ambições, mas a prova não lhes correu a contento. O piloto de Leiria, representando a Repsol Portugal e a Toyota Gazoo Racing South Africa, chegava à prova saudita com objetivos ambiciosos: lutar pela presença no Top-10 – se possível nos melhores lugares, ou mesmo lutar pela vitória, e dessa forma reafirmar o seu lugar entre os melhores atuais pilotos do TT internacional na prova mais exigente do calendário motorizado mundial.

Terminaram o rali na 18º posição depois de vários contratempos que os atrasaram irremediavelmente.

O ritmo não foi o problema, mas como se sabe o Dakar é muito mais do que isso.

João Ferreira já tinha construído uma reputação de consistência e inteligência tática, atributos essenciais para sobreviver ao Dakar. A dupla portuguesa entrava na edição de 2026 com experiência acumulada e a convicção de que a Toyota Hilux possuía potencial suficiente para competir nos lugares da frente.

FOTOS TGR-DAM e Toyota South Africa

Cronologia dos factos decisivos

A primeira semana, desde logo, revelou-se uma montanha-russa emocional. João Ferreira arrancou com solidez na etapa inaugural, terminando em 14º lugar a apenas quatro minutos e dezasseis segundos do vencedor Guillaume de Mevius. O piloto português demonstrou maturidade ao evitar riscos desnecessários num terreno complexo e com navegação particularmente desafiante.

A segunda etapa confirmou a trajetória positiva: Mesmo depois de um furo, Ferreira subiu ao sexto lugar geral, a apenas dois minutos do catari Nasser Al-Attiyah. A sensação era de proximidade. Mas o Dakar, como sempre, surpreendeu.

A terceira etapa tornou-se um pesadelo. Furos consecutivos e uma gestão de pneus comprometida – porque furar de novo significa rumar ao bivouac rebocado – custaram-lhe um ritmo que quase nunca mais recuperaria por completo. Houve exceções, claro, por exemplo o segundo lugar na etapa 7 e o quarto na etapa 11.

Ferreira perdeu metade da vantagem acumulada em 48 horas. “Num Dakar tão competitivo, isso reflete-se imediatamente na classificação”, reconheceu o piloto com pragmatismo.

A etapa maratona (etapa 4) foi um exercício de sobrevivência. Posição de partida desfavorável, tráfego intenso desde cedo, e ausência de margem para arriscar. Ferreira caiu para 17º lugar, a maior descida até esse momento.

Porém, a sua análise racional revelava compreensão estratégica: “O Dakar está longe de ser um sprint.”

A segunda metade da primeira semana trouxe recuperação gradual. Na etapa 5, Filipe Palmeiro e Ferreira regressaram ao Top-10 da especial, recuperando ao 14º geral. A etapa 6 consolidou a subida com um quinto lugar na tirada, atingindo o 12º lugar geral. A etapa 7 foi reveladora: segundo lugar na tirada, ascensão ao 11º geral, a apenas três minutos do Top-10.

A etapa 8 marcou o ponto de viragem mais relevante. Apesar de um furo logo no início, Ferreira recuperou terreno com inteligência e conseguiu transpor a linha de chegada em 10.º lugar absoluto. Pela primeira vez em mais de uma semana, o piloto de Leiria estava onde ambicionava estar. Isto após quatro dias a subir (sempre) lugares.

Mas depois veio a etapa nove! O piloto português teve de parar após 337 km, depois de bater numa pedra. Caiu de décimo para 21º depois de perder 2h42m9s. O Dakar traçava o seu padrão implacável…

Na etapa 10, durante a segunda maratona, Ferreira manteve-se em 21º lugar, na etapa 12, novamente dois furos no início comprometeram qualquer esperança de repetir a prestação forte da etapa anterior.

Ainda tentou ganhar etapas, mas não deu…

Resiliência e logística

O Dakar 2026 foi um exercício extremo em resiliência. João Ferreira enfrentou muitos furos ao longo da prova, cada um roubando minutos preciosos numa corrida onde centímetros determinam posições. E depois o que isso significava, tendo de moderar o andamento evitando que tudo fosse ainda pior.

A primeira semana trouxe alternância rápida entre esperança e desespero: do sexto lugar para a 17ª posição em apenas duas etapas.

O aspecto mais revelador foi a capacidade de Ferreira para não desistir psicologicamente. Após a etapa 3, quando caiu para fora do Top-10, poderia ter aceitado a derrota. Mas não o fez. Dias depois, na etapa 7, respondeu com um segundo lugar. Na etapa 8, alcançou o Top-10. Na etapa 11, mesmo após dificuldades cumulativas, Ferreira assegurou um quarto lugar, demonstrando que a máquina e a dupla permaneciam competitivas.

João Ferreira terminou o Dakar 2026 na 18ª posição geral, a mais de três horas do vencedor, e a quase duas horas do top 10. Uma posição que, à primeira vista, pode parecer muito desapontante para um piloto que atingiu o 10º lugar na etapa 8. Mas a análise mais profunda contextualiza melhor os aspetos positivos e negativos.

A primeira semana revelou uma dupla menos constante, mas que estabilizou. Depois, na segunda semana — particularmente as etapas 7 e 11 — demonstrou que Ferreira e Palmeiro possuem velocidade suficiente para competir pelos lugares da frente. Os furos são quase sempre uma lotaria, há quem lhes chame o castigo do terreno…

Resumindo, esta prova ficou muito longe do objetivo, o que sucedeu na etapa nove, estragou tudo, em primeiro lugar a classificação. Se ‘só’ perdesse 45 minutos nesse dia, teria ficado no top 10 final, talvez até como melhor Toyota em prova. A sua jornada de 2026 é a narrativa clássica do Dakar: não é sobre vencer; é sobre sobreviver, aprender com adversidade, e regressar um ano depois com conhecimento renovado para tentar de novo.

FONTE: ewrc-results.com

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