F1 vs Dakar: Isack Hadjar impressiona ao Volante do Ford Raptor T1+

Por a 11 Janeiro 2026 14:18

Isack Hadjar trocou o rigor milimétrico da condução em monolugares de Fórmula 1 pelo caos controlado dos rally‑raid, ao aceitar o desafio de guiar um Ford Raptor T1+, um dos protótipos mais exigentes usados no Dakar. Sem apoio aerodinâmico, sem traçado suave e com piso de areia fofa, saltos e relevos cegos, o francês teve de se adaptar a um ambiente onde o erro se paga caro e o carro trabalha permanentemente no limite mecânico.

Desafio: bater o tempo/referência de Mitch Guthrie

A experiência foi estruturada em torno de um objetivo simples e implacável: num circuito de cerca de 4 km em pleno deserto, Hadjar teria apenas cinco voltas de treinos para se adaptar ao Raptor antes de uma única volta “a sério”, tentando ficar a menos de 15 segundos do tempo de referência estabelecido pelo especialista de rally‑raid Mitch Guthrie. A fasquia foi elevada logo à partida, com Guthrie a registar 3m16s num ritmo descrito como “flat out”, incluindo uma descida totalmente cega por uma espécie de “penhasco” de areia.

Na primeira volta de adaptação, com navegação em tempo real via instruções de um co‑piloto, Hadjar completou o circuito em 4m20s, impressionando pelo nível de ataque num contexto totalmente novo para si. Entre correções de trajetória, pequenos erros de travagem e a primeira passagem pelo “cliff” cego, o francês começou a perceber a dimensão física e mental do desafio, lutando também com pequenos percalços como calar o motor em manobras de baixa velocidade.

Aprendizagem acelerada entre saltos e erros

Ao longo das voltas seguintes, a evolução foi evidente. Numa das passagens, Hadjar saiu largo e chegou mesmo a sair da pista, precisando de recolocar o carro em marcha após perder a travagem para um gancho apertado. Ainda assim, essa volta acabou por ser mais rápida, demonstrando que, mesmo com erros, o ritmo bruto já se aproximava da referência. Em poucos minutos, o piloto acumulou experiências que vão de saltos em terceira velocidade a descidas cegas em areia solta, construindo confiança no comportamento do Raptor T1+.

Os tempos caíram de forma constante: 4m18s, depois 4m17s com incidente incluído, até chegar a 3m31s numa volta de treino já sem grandes sobressaltos. Nesse momento, Hadjar tinha não só cumprido a meta dos 15 segundos como a tinha superado, ficando apenas a 15 segundos de Guthrie e dentro de cerca de 5% do tempo do especialista.

Performance final: a dois segundos de um profissional do Dakar

Com o ritmo consolidado, o francês continuou a afinar pontos de travagem e linhas nas secções mais técnicas. Numa penúltima volta, registou 3m19s, aproximando‑se a apenas três segundos de Guthrie, o equivalente a cerca de 1,5% de diferença num traçado curto. Na derradeira tentativa cronometrada, sem erros de maior, Hadjar baixou ainda mais a marca para 3m18s, terminando a apenas dois segundos da referência do piloto de rally‑raid.

O resultado final mostrou que, em poucas voltas, Isack Hadjar conseguiu transferir o seu rigor de condução em F1 para um cenário de total imprevisibilidade, adaptando‑se a saltos, areia, compressões e zonas cegas com uma curva de aprendizagem invulgarmente rápida. O próprio piloto admitiu alguns “arrependimentos” em certos pontos do traçado, mas não escondeu o entusiasmo, descrevendo os saltos como “a melhor sensação de sempre num carro” e confessando que poderia passar “o dia inteiro” a guiar um protótipo deste tipo.

F1 vs Dakar: precisão e caos podem coexistir

O exercício mostrou, em ambiente controlado, como a disciplina e precisão do mundo da Fórmula 1 podem coexistir com o caos inerente ao rally‑raid. Em apenas cinco voltas de treino e uma volta lançada, Hadjar comprovou que tem potencial para ser competitivo em máquinas de todo‑o‑terreno de topo, ficando a uma margem mínima de um especialista do Dakar num circuito de areia, saltos e zonas cegas que castigam qualquer hesitação.

FOTO Garth Milan / Red Bull Content Pool

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