Dakar Saudi Arábia 2026: guia completo a todas as categorias em prova

Por a 1 Janeiro 2026 11:59

O Dakar Rally Saudi Arabia 2026 arranca a 3 de janeiro em Yanbu e prolonga-se até 17 de janeiro, naquela que será a sétima edição consecutiva disputada na Arábia Saudita. A prova volta a abrir as competições FIA e FIM World Rally-Raid Championship (W2RC), com um traçado inédito que cruza planícies desérticas e zonas de dunas a partir da costa do Mar Vermelho.

Em 2026, o Dakar reúne mais de 800 participantes, de 69 nacionalidades, distribuídos por 431 veículos, confirmando o estatuto de maior rali de todo-o-terreno do mundo. O percurso integra um prólogo e 13 etapas competitivas, totalizando 14 dias de corrida intensa, em que a gestão física, mecânica e estratégica será tão decisiva como a velocidade pura.

Calendário, formato e números-chave

O programa desportivo arranca com o prólogo em Yanbu, a 3 de janeiro, seguido de 13 etapas que atravessam diferentes regiões do país, antes do regresso à mesma zona costeira. Ao longo de duas semanas, os concorrentes enfrentam especiais cronometradas com quilometragens variáveis, misturando sectores rápidos, navegação exigente e dunas profundas.

No total, alinham 73 viaturas da categoria Ultimate (T1), 46 camiões, 118 motos, 8 viaturas T2 (Stock), 38 protótipos Challenger (T3), 43 SSV (T4), 75 carros e 22 camiões no Dakar Classic, além de sete motos da Mission 1000 e um camião com motorização alternativa. A dimensão do pelotão reforça a diversidade técnica e desportiva de um evento que continua a ser o principal palco mundial do rally-raid.

Carros T1 (Ultimate): luta pelo triunfo absoluto

Favoritos à vitória nos Ultimate

A classe T1 Ultimate concentra os protótipos mais avançados do rali, com viaturas de quatro ou duas rodas motrizes desenhadas especificamente para o cross-country de alto rendimento. Todos os olhos estarão colocados nesta categoria, onde se decide a vitória absoluta do Dakar Saudi Arabia 2026. Ao contrário do que sucede em provas tipo Baja, em que os Challenger e SSV podem dar luta aos Ultimate, numa prova ‘aberta’ e extensa como o Dakar isso é quase impossível.

Yazeed Al-Rajhi, primeiro saudita a conquistar o Dakar em casa, regressa ao volante de um Toyota e tentará defender o título, embora chegue ainda em recuperação das lesões sofridas num acidente na época anterior. Entre os 73 carros inscritos, o Ford Raptor T1+ V8 surge como uma das grandes apostas, com o antigo vencedor Carlos Sainz a partilhar a estrutura com Mattias Ekström.

Estrelas globais na linha de partida

A equipa Dacia Sandriders apresenta uma formação de luxo, liderada por Nasser Al-Attiyah, cinco vezes vencedor do Dakar, um dos nomes mais bem-sucedidos da história da prova. Ao seu lado estará Sébastien Loeb, múltiplo campeão do mundo de ralis, que procura finalmente converter em triunfo absoluto as várias campanhas já realizadas no rally-raid mais duro do planeta. E ainda o recente Campeão do Mundo W2RC, Lucas de Moraes.

Entre os vários candidatos a lutar na frente, encontra-se João Ferreira, a correr com a Toyota Gazoo Racing SVR, sendo o português um dos nomes a considerar para os lugares do pódio, se tudo correr na perfeição, a vitória. Maria Gameiro / Rosa Romero (Mini JCWW Rally 3.0d) da X-Raid lutam por posições no Top 20.

A combinação de fabricantes oficiais, estruturas semi-oficiais e equipas privadas altamente profissionalizadas transforma a T1 Ultimate numa categoria de elevada densidade competitiva, onde diferenças mínimas na fiabilidade, navegação e gestão de pneus podem decidir o desfecho final.

T2 (Stock): produção com tempero de competição

Reforço regulamentar anima os Stock

A categoria T2 acolhe veículos de série modificados, que, em 2026, beneficiam de regulamentos renovados permitindo algumas evoluções de desempenho em áreas como suspensão, refrigeração ou proteções estruturais. Estas alterações técnicas aumentam a competitividade e tornam a classe mais apelativa para construtores e equipas.

Neste contexto, a Land Rover surge como protagonista, com a inscrição de três unidades Defender no Dakar 2026.

O programa é liderado por Stéphane Peterhansel, 14 vezes vencedor do Dakar, que passa a comandar esta ofensiva da marca britânica na categoria de produção.

T3 Challenger: protótipos ligeiros em evidência

Dania Akeel entre os nomes a seguir

Os T3 Challenger são protótipos ligeiros concebidos de raiz para o off-road, combinando peso reduzido, grande curso de suspensão e elevada agilidade em terrenos técnicos. Em 2026, 38 viaturas partem de Yanbu nesta classe, consolidando o seu papel como uma das frentes mais espectaculares do pelotão.

Grande parte da atenção recai sobre a saudita Dania Akeel, que chega ao Dakar após ter terminado em terceiro lugar no FIA Rally-Raid World Championship na temporada anterior. A piloto somou ainda vitória no Abu Dhabi Desert Challenge e um triunfo em etapa no último Dakar, resultados que a colocam como um dos principais destaques deste início de ano.

Pedro Goncalves / Hugo Magalhães (Taurus T3 Max) BBR Motorsport e Rui Carneiro / Fausto Mota MMP T3 Rally Raid G Rally Team, são as duas duplas lusas na categoria.

T4 SSV: lado-a-lado perto da série

Portugueses na luta pelo triunfo

Na categoria T4 alinham 43 SSV (Side-by-Side Vehicles), máquinas próximas da série mas com modificações específicas para resistência extrema, ao nível de segurança, suspensão e fiabilidade. Estes veículos, mais acessíveis do que os protótipos T1 e T3, tornaram-se uma porta de entrada privilegiada para muitos pilotos no universo do Dakar.

Entre os nomes mais sonantes estão seis duplas lusas, duas delas com fortes possibilidades de estar na luta pelo triunfo, Alexandre Pinto / Bernardo Oliveira (Polaris RZR Pro R Sport/Old Friends Rally Team) Campeões do Mundo de SSV (W2RC) em título, e Gonçalo Guerreiro / Maykel Justo (Polaris RZR Pro R/Loeb Motorsport-RZR Factory) agora pilotos de fábrica na Polaris também com fortes possibilidades de vencer.

O plantel luso completa-se ainda com João Monteiro / Nuno Morais (BRP Can-Am Maverick R/Can-Am Factory Team), Hélder Rodrigues / Gonçalo Reis (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing), João Dias / Daniel Jordão (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing) e Bruno Martins / Eurico Adão (Polaris RZR Pro R Sport/Santag Racing) todos nos SSV à procura de bons resultados.

Motos: RallyGP, Rally2 e Original by Motul

Três divisões, um desafio extremo

A categoria de motos reúne 118 inscritos sob égide FIM, divididos em três subdivisões específicas. A RallyGP acolhe os profissionais e equipas de fábrica; a Rally2 destina-se a privados e semi-profissionais; e a Original by Motul é reservada aos concorrentes que participam sem assistência técnica, obrigados a realizar eles próprios toda a manutenção diária.

No plano desportivo, o australiano Daniel “Chucky” Sanders surge como principal favorito à vitória geral. Depois de ter sido melhor estreante em 2024, dominou a edição seguinte do Dakar de forma clara, e entra em 2026 como referência da categoria ao serviço da Red Bull KTM Factory Racing.

Camiões T5: gigantes em busca do hat-trick

A classe T5 é subdividida em T5.1, para camiões de competição (protótipos e derivados de produção) profundamente modificados, e T5.2, destinada a camiões de assistência responsáveis por logística e apoio mecânico ao longo do percurso. Apesar de menos numerosos do que no passado, os “gigantes” do Dakar continuam a ser um dos grandes atractivos da prova.

Na luta pelo triunfo absoluto em camiões, o checo Martin Macík persegue um feito histórico: juntar um terceiro sucesso consecutivo à sua carreira no Dakar. Apenas dois pilotos alcançaram anteriormente essa sequência de vitórias na categoria, o que sublinha a exigência técnica e humana do desafio T5. Contudo, Vaidotas Zala / Paulo Fiuza / Max Van Grol (Iveco Powerstar/Zala Team De Rooy), quintos no ano passado, estão este ano bem mais preparados para dar outra luta e quiçá, vencer.

Dakar Classic: memória e regularidade

Carros e camiões históricos em prova

O Dakar Classic regressa em 2026 para a sua sexta edição, com um total de 97 viaturas históricas, das quais 75 são automóveis e 22 camiões. Podem inscrever-se veículos das décadas de 1980 e 1990, bem como modelos registados até 2005, recuperando o espírito das primeiras eras do rali africano e do período sul-americano.

Ao contrário das restantes categorias, o Dakar Classic é disputado em formato de regularidade, premiando a constância e a precisão em vez da velocidade pura, num percurso específico de 4.292 quilómetros. Em 2026, participam 211 concorrentes, incluindo 18 mulheres, oriundos de 26 países, reforçando o carácter internacional e inclusivo desta vertente histórica.

Mission 1000: laboratório de novas tecnologias

Propulsão alternativa em foco

A Mission 1000 entra na sua terceira edição como montra de soluções de mobilidade alternativa e de baixas emissões, integrada no quadro competitivo do Dakar. Em 2026, esta categoria reúne sete motos totalmente eléctricas e um camião híbrido alimentado por hidrogénio e biodiesel, num campo de ensaio em condições extremas.

Os veículos Mission 1000 disputam 13 etapas específicas de cerca de 100 quilómetros cada, para um total de 1.071 quilómetros de troços cronometrados. O objetivo passa por acelerar o desenvolvimento tecnológico, testando baterias, sistemas híbridos e combustíveis alternativos sob o mesmo tipo de stress que caracteriza as restantes categorias do rali.

Novos carros em estreia: Defender Dakar D7X-R

Land Rover reforça presença competitiva

Entre as principais novidades técnicas de 2026 destaca-se o Defender Dakar D7X-R, desenvolvido especificamente para a categoria Stock. Este modelo assume um papel central na ofensiva oficial da Land Rover, reforçando a aposta do construtor britânico no universo do rally-raid.

O D7X-R será conduzido por alguns dos nomes mais reputados do pelotão, incluindo o próprio Stéphane Peterhansel, o lituano Rokas Baciuška e a norte-americana Sara Price. A presença desta tríade de pilotos de topo com o novo Defender promete acrescentar competitividade e visibilidade à classe T2, num cenário em que a fiabilidade e a robustez dos veículos de série continuam a ser postas à prova no limite.

A diversidade do pelotão — em categorias, tecnologia, nacionalidades e perfis de pilotos — espelha o ADN do Dakar e a sua evolução para um laboratório global de resistência, engenharia e gestão desportiva. Em 2026, mais do que nunca, a prova saudita volta a ser uma síntese entre tradição e inovação, com o mesmo denominador comum: levar homens, mulheres e máquinas ao limite.

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