Dakar 2026: o essencial que há para saber
O Rali Dakar 2026 terminou em Yanbu com um dos desfechos mais impressionantes da história do desporto motorizado, marcado pelo sexto triunfo de Nasser Al‑Attiyah na categoria de automóveis e pelo facto de Portugal inscrever pela primeira vez um nome entre os vencedores do Dakar. Paulo Fiúza, vencedor ao lado do lituano Vaidotas Zala.

Autos: sexto triunfo de Al‑Attiyah e primeira vitória da Dacia
Na categoria de automóveis, Nasser Al‑Attiyah voltou a marcar a prova, assegurando a sexta vitória no Dakar e a primeira da Dacia, ao volante do Sandrider #299. O piloto do Qatar coloca‑se agora entre Ari Vatanen, com quatro triunfos, e Stéphane Peterhansel, que soma oito vitórias nos carros.
A edição de 2026 foi unanimemente descrita pelos principais pilotos como “uma das mais abertas e equilibradas de sempre”, devido ao nível do plantel e à competitividade técnica entre Dacia, Ford e Toyota. Nesse contexto, o triunfo de Al‑Attiyah ganha peso acrescido, resultado de uma gestão de corrida quase perfeita, assente em controlo, leitura estratégica e escolha criteriosa das posições de partida.

FOTO Dacia Sandriders
Estratégia decisiva e 50ª vitória em especiais
O momento-chave da prova deu‑se na 6ª etapa, um setor de 300 quilómetros de dunas, onde Al‑Attiyah assumiu de forma clara o comando da geral. À entrada do dia de descanso, o Top‑5 encontrava‑se comprimido em apenas 12 minutos, sublinhando o equilíbrio da corrida. O piloto da Dacia consolidou a vantagem na segunda semana, passando a gerir a segunda etapa maratona com prudência e atacando no dia seguinte para cavar a diferença decisiva.
Na penúltima especial, rumo a Yanbu, Al‑Attiyah somou ainda a sua 50ª vitória em especiais no Dakar, igualando Ari Vatanen e Stéphane Peterhansel neste registo estatístico. No final, o qatari concluiu a prova com cerca de dez minutos de vantagem sobre o segundo classificado, confirmando um controlo sustentado na fase decisiva da competição.

FOTO Ford Content Center
Pódio dos automóveis e papel dos Ford e Toyota
Atrás do Dacia Sandrider, o pódio foi decidido apenas nos últimos dias. Nani Roma levou o Ford Raptor ao segundo lugar, após uma semana final marcada por dificuldades mecânicas, incluindo danos na frente do carro que obrigaram a recorrer ao auxílio de outras equipas para cumprir a ligação até ao bivouac de Yanbu sem penalizações decisivas.
Mattias Ekström completou o pódio em terceiro, também aos comandos de um Ford Raptor, após um duelo direto com Sébastien Loeb na etapa final. O sueco iniciou o último dia com apenas 29 segundos de vantagem sobre o francês e garantiu não só a manutenção do lugar no pódio, como fechou o Dakar com vitória na derradeira especial, replicando o triunfo que já havia assinado no prólogo em Yanbu. Loeb terminou a 37 segundos do pódio, ficando, pela primeira vez na carreira, fora dos três primeiros na classificação final do Dakar, terminando a prova, pois conta com vários abandonos no seu currículo.
Entre os candidatos que não chegaram ao pódio, Henk Lategan foi um dos principais derrotados da segunda semana. O piloto da Toyota Hilux ainda tentava reduzir uma diferença de 12 minutos para Al‑Attiyah quando uma avaria num rolamento do cubo da roda traseira, na 10ª etapa, arruinou as suas aspirações. No fecho da prova, a marca japonesa ocupou os últimos três lugares do Top‑10, com Toby Price em oitavo, Seth Quintero em nono e Saood Variawa em décimo, todos a menos de uma hora e meia do vencedor.

FOTO ASO Le Floch/DPPI
Na classe Stock, o destaque foi para a estreia da Defender, que terminou com vitória de Rokas Baciuška, o lituano que chegou a Yanbu com quase quatro horas de vantagem sobre a companheira de equipa Sara Price. Os Toyota Land Cruiser mantiveram presença no pódio da categoria, com Ronald Basso em terceiro, enquanto Stéphane Peterhansel fechou o seu 36º Dakar no quarto lugar da classe, depois de uma edição mais complicada do que lhe era habitual.
Dakar Classic: domínio lituano com o Defender
Na prova de regularidade Dakar Classic, o lituano Karolis Raišys impôs‑se pela primeira vez, ao volante de um Land Rover Defender, depois de já ter subido ao pódio em 2025.
Raišys manteve‑se nos lugares cimeiros desde o arranque em Yanbu, liderando a classificação geral em dez dos dias de prova, e beneficiou também de vários percalços entre os principais adversários, incluindo problemas mecânicos no Defender de Maxence Gublin, impossibilidade de partida de Lorenzo Traglio num dos dias e uma avaria numa correia que atrasou o Porsche do antigo vencedor Juan Morera.
O checo Ondřej Klymčiw terminou no segundo lugar, alcançando o melhor resultado em cinco participações, enquanto o italiano Josef Unterholzner fechou o pódio. O Defender tornou‑se apenas o segundo veículo não japonês a vencer o Dakar Classic, após o Buggy Sunhill da edição inaugural, interrompendo quatro anos de hegemonia de modelos Toyota nesta disciplina.

FOTO Facebook Odyssey Academy By BBR
Challenger: consistência dá triunfo a Pau Navarro
Na categoria Challenger, a vitória coube ao espanhol Pau Navarro, que conquistou o Dakar sem vencer qualquer etapa, mas impondo uma consistência exemplar ao longo das duas semanas. Ao volante de um Taurus T3 Max preparado pela BBR, Navarro terminou com 23 minutos e 22 segundos de vantagem sobre o saudita Yasir Seaidan, que procurava repetir em casa o sucesso de Yazeed Al‑Rajhi noutra categoria.
Nem mesmo um atraso no arranque da 11ª etapa, que lhe custou 12 minutos e criou algum suspense nas tabelas de tempos, impediu Navarro de se tornar no segundo espanhol a vencer esta classe, depois de Cristina Gutiérrez em 2024 — também ela ao volante de um Taurus preparado pela mesma estrutura. O campeão em título e vencedor do W2RC, Nicolás Cavigliasso, completou o pódio, ao lado da navegadora e esposa Valentina Pertegarini, após recuperar de um início difícil com duas vitórias de etapa na parte final.
Ao longo da prova, Paul Spierings e Kevin Benavides somaram três vitórias de etapa cada, contribuindo para o elevado nível desportivo da categoria. A saudita Dania Akeel destacou‑se igualmente pela regularidade, com sete presenças no pódio de etapa, embora sem qualquer vitória, deixando contudo clara a sua candidatura para futuras edições.

FOTO Facebook Loeb Fraymedia Motorsport
SSV: Heger renova título e Polaris soma terceiro triunfo consecutivo
Nos SSV, o norte‑americano Brock Heger confirmou o favoritismo e renovou o título, desta vez com um desempenho dominante, somando seis vitórias em especiais e terminando mais de uma hora à frente do segundo classificado. Ao volante de um Polaris da estrutura Loeb Fraymedia Motorsport — RZR Factory Racing, Heger liderou a prova de forma autoritária, numa classe onde a marca americana reforçou o seu domínio com o terceiro triunfo consecutivo.
O também norte‑americano Kyle Chaney, em Can‑Am, estreou‑se no Dakar com um segundo lugar, garantindo uma dobradinha dos Estados Unidos. A Polaris teve de responder a sucessivos ataques dos Can‑Am, que mesmo com boas exibições de Jeremías González Ferioli — vencedor de duas etapas —, de Chaney, de “Chaleco” López e do português João Monteiro, não conseguiram ameaçar seriamente o topo da classificação.
O francês Xavier de Soultrait, antigo piloto de motos que transitou para os SSV, completou o pódio após duas semanas marcadas por contratempos, incluindo uma fase da segunda maratona em que foi obrigado a prosseguir apenas com tração a duas rodas.
O sueco Johan Kristoffersson, múltiplo campeão de rallycross, esteve perto da vitória na etapa final em Yanbu, mas terminou a poucos segundos do triunfo, deixando ainda assim uma forte indicação para o futuro. Entre os destaques lusos, o português Gonçalo Guerreiro venceu a 2ª etapa e liderou a geral à chegada ao dia de descanso, mas um acidente na 8ª etapa resultou na fratura de um braço e forçou o abandono.

FOTO Facebook Vaidotas Zala
Camiões: Zala derruba Macik e faz história para a Lituânia…e para Portugal
Na categoria de camiões, Vaidotas Zala escreveu uma página inédita ao tornar‑se no primeiro lituano a vencer o Dakar nesta disciplina. A presença de Paulo Fiúza como navegador, coloca-o como primeiro português a vencer uma prova no Dakar, em toda a história da grande aventura.
Ao serviço da Team De Rooy, Zala terminou com cerca de 20 minutos de vantagem sobre o checo Ales Loprais, após um duelo intenso que se prolongou até aos últimos dias.
O ponto de inflexão verificou‑se na segunda semana, quando as grandes dunas do deserto saudita penalizaram vários candidatos, em particular Mitchel van den Brink, que viu as suas aspirações ruírem na sequência de problemas mecânicos. Zala e Fiúza recuperaram de dias menos positivos, como a 3ª etapa, onde perderam mais de meia hora, e apostaram numa abordagem de consistência “metronómica”, mantendo a calma mesmo quando Loprais respondeu com cinco vitórias parciais.
Van den Brink completou o pódio, embora com a sensação de oportunidade perdida, depois de ter liderado a prova antes de sofrer uma quebra de transmissão na etapa 10, incidente que lhe custou mais de 40 minutos de uma só vez. Já Martin Macík, vencedor das duas edições anteriores, viveu um Dakar problemático, saindo do pódio geral na 9ª etapa devido a avaria no camião “Josef” e terminando em quarto, a mais de quatro horas do novo campeão.
Números finais, Dakar Classic e Mission 1000
No total, 247 dos 317 veículos que arrancaram de Yanbu chegaram ao fim, com 204 a receberem a medalha de finalista no pódio: 90 motos (9 em RallyGP e 79 em Rally2), 133 automóveis (61 em Ultimate, 33 em Challenger, 32 em SSV e 7 em Stock) e 24 camiões. No Dakar Classic, 91 veículos figuraram na classificação final, confirmando o sucesso continuado da prova de regularidade para máquinas históricas.
A terceira edição da Dakar Future Mission 1000, dedicada a veículos de energias alternativas, contou com sete projetos em competição. O camião KH7‑Ecovergy, guiado por Jordi Juvanteny, conquistou a terceira vitória consecutiva na classe, enquanto, nas duas rodas, a e‑bike da Arctic Leopard Galicia Team, pilotada por Fran Gómez Pallas, superou a Segway de Benjamín Pascual. Ambas as estruturas já apontam a 2027, ano em que se prevê a entrada de novos concorrentes e tecnologias nesta plataforma de experimentação do futuro do rali‑raid
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