Dakar/1ª semana: Al Attiyah líder em prova extremamente equilibrada

Por a 10 Janeiro 2026 11:05

Nasser Al-Attiyah (Dacia) assume a liderança do Rali Dakar 2026 após a sexta etapa, com uma vantagem de 6m10s sobre Henk Lategan (Toyota), num cenário de extremo equilíbrio que promete uma segunda metade de prova imprevisível.

No final da Etapa 6 (Hail-Riade), Nasser Al-Attiyah assumiu a liderança da categoria Ultimate, com 6m10s de vantagem sobre Henk Lategan, seguido por Nani Roma (9m13s). Os Ford Raptor ocupam três lugares no Top 5, enquanto os Dacia de Loeb (6.º, 17m36s) e Moraes (7.º, 17m11s) se mantêm na luta. A semana foi marcada por várias trocas de líder, com Al-Attiyah a chegar ao comando nas difíceis dunas finais.

Até ao momento, a Mini (1), Toyota (2), Ford (2) e Dacia (1) venceram etapas. Quanto aos líderes, Guillaume de Mevius (Mini) foi o primeiro, Nasser Al-Attiyah (Dacia) assumiu o comando na Etapa 2, depois foi a vez de Mitchell Guthrie (Ford) na terceira. Henk Lategan (Toyota) avançou para a liderança na quarta etapa e manteve o comando na quinta, permitindo a Nasser Al-Attiyah (Dacia) chegar ao dia de descanso na frente, embora com apenas 6m10s de avanço, num Dakar em que 16 equipas se encontram separadas por menos de uma hora.

Nos últimos anos, o Top 20, na etapa anterior ao dia de descanso, estava separado por quatro horas em 2025, por 3h50m em 2024 e por 5h33 em 2023.

Prosseguindo com as comparações (etapa antes do dia de descanso):

Pódio 2026: 9m13s; Top 5: 12m11s; Top 10: 26m46s

Pódio 2025: 20m54s; Top 5: 42m44s; Top 10: 1h41m55s

Pódio 2024: 29m31s; Top 5: 1h09m47s; Top 10: 1h58m34s

Pódio 2023: 1h20m22s; Top 5: 2h04m20s; Top 10: 3h40m22s

São diferenças abissais que mostram bem o equilíbrio deste Rali Dakar.

Balanço das primeiras 6 etapas

Após seis etapas desafiantes, o Rali Dakar 2026 atinge o dia de descanso com a liderança geral a mudar de mãos, prometendo uma segunda metade de prova renhida. Nasser Al-Attiyah assume o comando, enquanto tanto a Toyota, como os Ford Raptor e a Dacia demonstram um ritmo competitivo.

Categoria Ultimate: uma batalha aberta

A liderança da classificação geral tem sido um ponto de viragem constante. Após a Etapa 4, Henk Lategan (Toyota Hilux) ascendeu ao topo, demonstrando consistência e resiliência. Contudo, na Etapa 6, Nasser Al-Attiyah (Dacia) capitalizou as condições favoráveis das dunas para conquistar a sua 49.ª vitória de etapa no Dakar e, consequentemente, a liderança da prova, com uma vantagem de 6m10s sobre Lategan.

Nani Roma (Ford Raptor) completa o pódio provisório na 3.ª posição, a 9m13s do líder, encabeçando um forte contingente da Ford que ocupa quatro dos sete primeiros lugares. Carlos Sainz e Mattias Ekstrom, ambos em Ford Raptor, seguem de perto, nas 4.ª e 5.ª posições, respetivamente. Sébastien Loeb (Dacia), após um início com contratempos, recuperou para o 6.º lugar geral, a 17m36s de Al-Attiyah, demonstrando o potencial da sua equipa.

Vencedores de etapa e destaques

Etapa 1 (Yanbu > Yanbu): A dupla Guillaume de Mévius e Mathieu Baumel (Mini) garantiu a vitória, com Mattias Ekström (Ford Raptor) e Martin Prokop (Ford Raptor) a completarem o pódio. Nasser Al-Attiyah terminou em 2.º, enquanto Sébastien Loeb enfrentou dois furos, terminando em 10.º.

Etapa 2 (Yanbu > AlUla): Seth Quintero (Toyota Hilux T1+) conquistou a vitória da etapa. Nasser Al-Attiyah assumiu brevemente a liderança da geral, embora com uma margem mínima. O piloto português João Ferreira destacou-se ao alcançar um meritório 5.º lugar na etapa, ao volante de um Toyota.

Etapa 3 (AlUla > AlUla): Mitch Guthrie (Ford) alcançou a sua primeira vitória de etapa na categoria Ultimate e assumiu a liderança da classificação geral. Os Ford Raptor dominaram o topo da classificação, ocupando as cinco primeiras posições da classificação geral.

Etapa 4 (AlUla > Bivouac Refuge): Henk Lategan (Toyota Hilux) obteve a sua quinta vitória de etapa no Dakar, recuperando a liderança geral. Esta etapa foi marcada pelo abandono do detentor do título, Yazeed Al Rajhi.

Etapa 5 (Bivouac Refuge > Hail): Mitch Guthrie (Ford) voltou a vencer uma etapa, consolidando o bom desempenho dos Ford Raptor, que ocuparam os dois primeiros lugares da etapa (Guthrie e Nani Roma). Henk Lategan conseguiu manter a liderança geral.

Etapa 6 (Hail > Riade): Nasser Al-Attiyah (Dacia) brilhou nas dunas, garantindo a vitória da etapa e ascendendo à liderança geral. A Dacia celebrou ainda uma dobradinha na etapa, com Sébastien Loeb a terminar em 2.º lugar.

Próximos desafios

O rali tem sido implacável, com problemas de navegação e furos a afetarem vários pilotos. A robustez e rapidez dos Ford Raptor e dos Dacia têm sido evidentes, pelo que a Toyota está longe de estar sozinha na luta.

Com sete etapas pela frente e o Top 10 separado por 26m46s, é impossível fazer prognósticos, pois tudo pode mudar repentinamente.

Com as diferenças na classificação geral ainda muito curtas, a segunda metade do Dakar promete ser palco de uma batalha ainda mais intensa, especialmente com a perspetiva de mais etapas em dunas.

A navegação, a estratégia (ordem na pista vs. gestão do tempo perdido ou ganho) e a fiabilidade mecânica serão determinantes para os pilotos que aspiram à vitória final.

Olhando para os primeiros classificados, o que vai suceder nos próximos dias será uma espécie de ‘exclusão de partes’, ou seja, quem tiver problemas ou se atrasar mais significativamente perde o comboio.

No Top 4 estão três ex-vencedores do Dakar, Nasser Al-Attiyah, Nani Roma e Carlos Sainz, mas pode perfeitamente ser Henk Lategan a estrear-se a vencer. Foi, até ao momento, o único que liderou dois dias seguidos, embora isso nada signifique.

O que pode ser primordial é o jogo de equipa, mas com estas diferenças, é muito cedo para jogar essa cartada.

Curiosamente, a Ford, com quatro carros nos sete primeiros, pode perfeitamente fazer esse jogo e está mais bem posicionada que a Dacia para o fazer. Al-Attiyah e Loeb, em situação limite, ajudam-se mutuamente. Se um deles já não tiver hipóteses de vencer, Lucas de Moraes está a 26m46s da frente, portanto ninguém lhe pode pedir ainda que faça algo pelos seus colegas.

Mais para o meio da semana, talvez. Isso pode suceder já na Ford, mas com Guthrie, pois os outros três, Roma, Sainz e Ekstrom, estão separados por três minutos, o que é ‘nada’ no Dakar. E o que está mais longe (Ekstrom) dista 12 minutos do líder.

A Toyota tem aqui uma desvantagem: no Top 10, tem um carro em segundo e outro em nono, mas este último é de uma equipa privada, não da Gazoo Racing ou Overdrive/SVR. Portanto, nada mais se pode fazer do que apontar múltiplos vencedores possíveis…

Nasser Al-Attiyah: experiência total

Nasser Al-Attiyah chega ao descanso na liderança (6m10s à frente de Lategan) com uma posição privilegiada. O campeão catari, vencedor em cinco ocasiões (2011, 2015, 2019, 2022, 2023), demonstra uma confiança reservada: “Não há estratégia para a segunda semana. Temos de ir gerindo dia a dia e evitar os problemas,” evidenciou, demonstrando cautela perante os 300 km de dunas previstos na Etapa 7 e especiais subsequentes com terreno arenoso complexo. A sua vitória de etapa (49.ª de carreira) em dunas na Etapa 6, terreno onde conquistou todos os seus títulos, reforça o favoritismo.

Henk Lategan: recuperação possível

O sul-africano da Toyota, a apenas 6m10s, não desiste apesar da perda de posição na Etapa 6: “Foi uma etapa complicada para nós, uma etapa inteira em dunas. Estávamos no ritmo do Nasser na primeira parte, mas depois cometemos alguns erros na escolha de linhas nas dunas. Temos uma boa posição de pista para o início da próxima etapa e estamos numa boa posição para começar a segunda semana. Há dias difíceis à frente. Vejo uma grande luta pela frente.”

Lategan possui experiência resiliente (vice-campeão em 2025), posição de estrada favorável e a solidez técnica da Toyota.

No entanto, os seus comentários indicam apreensão quanto ao domínio de Al-Attiyah nas dunas que caracterizarão a próxima semana.

Ford Raptor: potencial ofensivo ainda viável

Os três Ford na frente (Nani Roma em 3.º, a 9m13s; Carlos Sainz em 4.º, a 11m49s; Mattias Ekstrom em 5.º, a 12m11s) mantêm hipóteses, particularmente com a posição de estrada de Roma potencialmente favorável no primeiro dia após o descanso.

Antes do rali, Carlos Sainz (quatro vezes campeão) alertava para a competitividade geral: “Os Dacia já estavam num bom nível no ano passado. Penso que também no ano passado não estávamos mal, mas provavelmente este ano os Dacia são melhores, nós somos melhores e a Toyota também é melhor. Penso que é muito, muito equilibrado. Penso que pelo menos doze pilotos podem ganhar o rali.” Essa análise mantém-se válida. No entanto, o desempenho inconsistente dos Ford nas maratonas (Guthrie perdeu 44 minutos na Etapa 4) constitui fator de risco.

Sébastien Loeb: ascensão estratégica

O francês da Dacia ascendeu de 8.º para 6.º lugar após uma forte Etapa 6 (2.º da etapa), consolidando a posição de liderança da Dacia, a 17m36s. Com historial de vitórias em ralis de longa distância, Loeb permanece como ameaça secundária viável, mas depois de 10 anos a tentar ganhar, sempre lhe aconteceu algo que o impediu. Será desta? Tem tudo, mas também tem a pressão de nunca ter vencido.

Al-Attiyah favorito, mas…

A segunda semana vai favorecer pilotos com navegação precisa em dunas longas e resistência mecânica. Al-Attiyah, com 19 edições consecutivas com vitórias em etapa, apresenta estatísticas de domínio em areia. Lategan, Loeb, Roma, Sainz e Ekstrom permanecem competitivos, mas o calendário (etapas de 300+ km em dunas) inclina-se materialmente para o estilo de pilotagem do piloto catari.

De resto, o prognóstico é consensual: Nasser Al-Attiyah é o favorito principal, mas a margem de 6m10s em terreno arenoso imprevisível permite cenários de recuperação para Lategan (posição de estrada, experiência resiliente) e hipóteses remanescentes para Ford (potencial ofensivo em etapas rápidas).

Penso que o vencedor deve sair do atual Top 6: Al-Attiyah, Lategan, Roma, Sainz, Ekstrom e Loeb. Quem tiver problemas primeiro, perde a corrida.

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