Bruno Martins e Eurico Adão: os ‘mochileiros’ do deserto na Santag Racing
Bruno Martins e Eurico Adão representam a verdadeira essência do Dakar: homens que abdicam da glória pessoal para servir um propósito coletivo. Integrados na estrutura portuguesa da Santag Racing ao volante do Polaris RZR Pro R Sport, os dois “mochileiros do deserto” exemplificam como a solidariedade e a entrega transformam equipas em máquinas vencedoras.

Uma trajetória marcada pela dedicação
Bruno Martins é um pioneiro do desporto motorizado português. Começou a competir com marcas chinesas em 2008, tornou-se campeão nacional em 2017 e campeão nacional de rally-raid em 2020. Participou no Merzouga Rally em 2015 e regressou ao Dakar em 2019, integrando a estrutura da BBR francesa, onde cuidou de cinco carros, sem dormir durante três dias.
Sete anos depois, regressou para desempenhar função idêntica na Santag Racing, desta vez conseguiindo dormir algumas noites decentes — afinal, agora havia apenas três carros para gerir. Fora das pistas, Martins repara e vende Side x Side na sua loja BRM Portugal, transformando a paixão num ofício.
A sua ambição era clara: “Os Side x Side são a minha paixão e o meu trabalho, por isso sou um homem feliz. Vou cuidar dos outros carros da equipa Santag, por isso o importante para mim é terminar. Conheço muitos dos outros concorrentes portugueses, vi-os dar os primeiros passos no desporto, por isso é claro que vou parar para os ajudar se precisarem.” Não foi preciso chegar ao fim, os carros da equipa baqueiam, o seu trabalho, estava feito.
Diário da solidariedade nas dunas
O Dakar 2026 revelou o verdadeiro carácter de Martins e Adão através das actualizações diárias nas redes sociais, onde documentaram não apenas os seus desafios, mas também a sua devoção à equipa.

Etapa 1 (4 de janeiro): O carro sofreu uma avaria grave na caixa de velocidades e foi rebocado por mais de 100 quilómetros. Apesar do contratempo, a equipa manteve a confiança: “As histórias que ficam!”

Etapa 2 (5 de janeiro): Num dia de aniversário, a etapa correu de forma tranquila e segura. A mensagem era clara: após a adversidade, a consolidação. “Estamos prontos para ajudar a Santag Racing a chegar aos seus objetivos.”
Etapa 6 (8 de janeiro): Concluída a etapa maratona com apoio aos pilotos portugueses. “Uns para os outros no espírito certo desta prova” — o lema resumia a filosofia de Martins e Adão.

10 de janeiro: O momento que melhor exemplifica o papel de “mochileiro” chegou na segunda semana. Martins rebocou Hélder Rodrigues das dunas e, posteriormente, Alexandre Pinto, cujo carro partiu a caixa a apenas três quilómetros do fim da etapa. O reboque estendeu-se por 270 quilómetros na ligação até ao bivouac. “O que dizer da última etapa da semana? Primeiro tirei e reboquei o Hélder Rodrigues das dunas e depois reboquei o Alexandre Pinto que partiu a caixa a 3kms do fim etapa.”
Etapa 7: Uma avaria no alternador obrigou a uma espera de três horas pelo camião de assistência. Seguidamente, realizaram uma hora e meia de corrida nocturna no deserto. “Experiências que ficam para sempre!”
Etapa 8: Apesar de novos problemas, a aventura mantinha o ritmo: “Não estivemos isentos de problemas, mas a nossa aventura segue a bom ritmo.”

O espírito de sacrifício silencioso
A narrativa de Bruno Martins e Eurico Adão vai além dos números de classificação. Enquanto a elite do Dakar compete pela vitória e a maioria persegue o sonho de terminar, esta dupla sacrifica o seu desempenho pessoal para garantir a sobrevivência colectiva da Santag Racing. Cada pneu trocado, cada litro de combustível transferido, cada reboque de 270 quilómetros representam horas de esforço invisível. Aqueles que dormem menos porque a manutenção não pára. Aqueles que celebram a vitória alheia como se fosse sua — porque, verdadeiramente, é.
Heróis sem troféu
A Santag Racing reconhece uma verdade fundamental: um grande resultado nunca é obra de uma pessoa, mas de uma engrenagem bem oleada. Martins e Adão não receberão pódio, não haverá troféu, mas a sua consciência de que o Dakar é muito mais do que um rali — é uma história de homens que compreendem que a verdadeira vitória é colectiva — é recompensa mais do que suficiente.
No deserto, onde tudo testa os limites da resistência física e psicológica, raros são aqueles que competem não por si, mas pelos outros. Bruno Martins e Eurico Adão, no Polaris da Santag Racing, são a prova viva de que alguns heróis nunca recebem palco, mas a história de cada vitória alheia está indissociavelmente ligada ao seu sacrifício anónimo.
FOTOS Santag Racing e Redes sociais de Bruno Martins
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI




