Opel ruma à Fórmula E em 2026/27 com equipa oficial GSE

Por a 20 Março 2026 18:28

A Opel, 24 horas depois do adeus à Fórmula E da DS, parceira de consórcio Stellantis, confirmou o ingresso no campeonato de monolugares elétricos a partir da próxima época (2026-27)! Confirma-se, assim, o que E-AUTO antecipou, em primeira mão, junho de 2025. A entrada em cena da marca alemã, que decidiu investir em equipa própria, baseada no quartel-general do fabricante, em Rüsselsheim, coincide com a estreia dos Gen4 com 800 cv. Entre os candidatos a pilotos, Maximilian Günther, Taylor Barnard, Théo Pourchaire, Stoffel Vandoorne ou Daniil Kyvat.

Este anúncio da Opel acontece na véspera do Cupra Raval ePRix de Madrid, ronda 6 da Época 12 do Mundial de Fórmula E, e surpreende só pelo facto de a marca do relâmpago não recorrer ao apoio de estrutura externa para entrar no campeonato, a exemplo do que sucede (ou sucedeu) com outros fabricantes do consórcio com histórico na categoria: a Citroën estreou-se em 2025-26 apoiando-se na Venturi, a ex-parceira da Maserati, a entidade italiana substituída pela francesa, enquanto a DS Automobiles mantém acordo com a norte-americana Penske.

Ingresso no campeonato com equipa própria

O alemão Jörg Schrott, na marca do relâmpago desde 1997, o ano da fundação da divisão da Opel Performance Center (OPC), entidade desmantelada pouco depois da integração do fabricante no consórcio Stellantis, em janeiro de 2021, diretor da Opel Motorsort a partir de 2012 e, também, “rosto” por detrás dos programas nos ralis da entidade que sucederia à OPC, a GSE (acrónimo de Grand Sport Electric), no campeonato alemão ADAC Opel Electric Rally Cup, originalmente com o Corsa e-Rally (2021), atualmente com o Mokka GSE Rally, comanda plano que está já em fase de preparação adiantada, sobretudo nos domínios na engenharia e da gestão operacional. E, assim, mantendo-se o plano de ação, estreia em pista no próximo mês, na apresentação da geração nova de monolugares elétricos com 800 cv, em Paul Ricard, França.

A Opel tem história na competição, incluindo em disciplinas de monolugares. Em 1992, com o Ascona 400 e Walter Röhrl, vitória no WRC. Em 1996, com o Calibra V6 4×4 e Manuel Reuter, triunfo no ITC. Nas décadas de 1980 e 1990, organização da Fórmula Opel, categoria de formação por que passaram pilotos como Michael Schumacher, Mika Häkkinen, Heinz-Harald Frentzen, Jos Verstappen, Jarno Trulli, Rubens Barrichello e o português Pedro Lamy. Complementarmente, os alemães forneceram motores para a Fórmula 3.

Marca comprometida com a eletrificação

A entrada da Opel na Fórmula E surpreende pouco, devido ao compromisso que a marca assumiu de participar, muito ativamente, na eletrificação do automóvel. “É marco muito importante no nosso percurso rumo a um futuro elétrico”, confirmou o administrador-delegado do construtor de Rüsselsheim, Florian Huettl. “Fazêmo-lo em simultâneo com a estreia dos Gen4, o que representa o momento ideal para materializarmos esta aposta. A equipa demonstrará tudo o que representamos: a capacidade da engenharia alemã, o desenho audaz e a ‘performance’ eletrificada, as qualidades do Mokka GSE e do futuro Corsa GSE”, disse o mesmo responsável, que admitiu a importância do projeto tanto para a promoção da imagem, como da competência tecnológica do fabricante.

Herança Opel no desporto motorizado

A Opel possui um dos legados mais ecléticos e resilientes do desporto automóvel europeu. Ao longo das décadas, a marca de Rüsselsheim saltou entre o domínio nos ralis mundiais e alguma glória nas pistas de velocidade, afirmando-se sempre como a “arma” de eleição para pilotos privados e equipas oficiais de topo.

Tudo começou com a era de ouro dos Ralis nos anos 70 e 80. Foi nos troços de terra e asfalto que a Opel construiu a sua reputação de robustez mecânica. O ponto mais alto da história da marca ocorreu quando Walter Röhrl conquistou o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) aos comandos de um Opel Ascona 400. Foi o último carro de tração traseira a vencer um título mundial, batendo a então revolucionária tração total da Audi. Dessa altura ficam três vitórias e dezena e meia de pódios no WRC.

Embora ofuscado pela era dos monstros de tração integral, o Opel Manta 400 tornou-se um ícone de culto. Apesar de não ter o desempenho dos Peugeot ou Lancia em terra, era bastante competitivo em asfalto e ralis de resistência. Nunca venceu, mas fez pódios no WRC. Nos anos 70, o Opel Kadett foi o porta-estandarte da marca, servindo de escola para uma geração de pilotos e dominando ralis nacionais por toda a Europa.

Domínio no DTM

Nos anos 90, a Opel desviou o seu foco principal para o DTM (Deutsche Tourenwagen Meisterschaft) e para o efémero, mas tecnológico, ITC (International Touring Car Championship).

Com o Opel Calibra V6 4×4, que foi, tecnicamente, o carro mais avançado alguma vez construído pela Opel, naqueles tempos. Com tração integral, eletrónica sofisticada e um motor V6 desenvolvido pela Cosworth, o Calibra venceu o título do ITC em 1996 com Manuel Reuter.

No final da década, a Opel (sob a égide da Vauxhall no Reino Unido) dominou campeonatos de turismos como o BTCC e o STW alemão, utilizando o Vectra B em lutas intensas com a BMW e a Audi.

O regresso ao DTM e Troféus Monomarca (Anos 2000)

Com o renascimento do DTM em 2000, a Opel voltou a apostar na velocidade, embora com sucesso mais moderado face aos seus rivais germânicos. O Opel Astra V8 Coupé foi um protótipo de silhueta que se tornou o favorito entre os adeptos, mas que teve dificuldades para se impor perante a consistência da Mercedes-Benz e da Audi.

O Opel Vectra GTS V8 foi o sucessor do Astra no DTM, e marcou o fim do programa oficial da marca no campeonato de turismos em 2005, devido a reestruturações financeiras da casa-mãe (na altura, a GM).

Agora, o tempo é de aposta na formação e na eletrificação! Tudo começou sob a alçada do Grupo PSA (agora Stellantis), a Opel reinventou-se ao focar-se na base da pirâmide e na sustentabilidade.

O Opel Adam R2 foi um sucesso comercial e desportivo absoluto no escalão de acesso aos ralis, conquistando múltiplos títulos europeus de juniores e lançando pilotos de nomeada como por exemplo Martins Sesks, Chris Ingram, Emil Bergkvist, Jari Huttunen, entre outros.

O Opel Corsa Rally4 foi a evolução natural do programa de ralis, mantendo a marca competitiva nos campeonatos nacionais e europeus. Por fim, a já referida Corsa-e Rally Cup com a Opel a ser pioneira, ao criar o primeiro troféu monomarca de ralis 100% elétrico do mundo, utilizando o Corsa-e como plataforma de demonstração para a transição energética no desporto.

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