#aculpaedonasr! “Á culpa é do…” é uma hashtag muito famosa noutros mundos do desporto, e brincando um pouco como uma questão muito séria, a culpa da Manor ter acabado foi dos dois pontos conseguidos por Felipe Nasr e a Sauber em Interlagos 2016, que desalojaram a Manor do nono lugar do Mundial de Construtores, ‘custando’ à equipa cerca de 10 milhões de euros.
Antes, em Abu Dhabi, o dono da Manor, Stephen Fitzpatrick revelou que a equipa estava à venda e soube-se na altura que: “Já chegámos a acordo com um investidor e ainda estamos a trabalhar nesse ‘negócio’. Por isso neste momento não posso tecer mais comentários”, referiu Fiztpatrick na altura. Como se sabe hoje, o negócio não evoluiu, e o que se temia aconteceu. A Manor não conseguiu encontrar um comprador e teve mesmo de ‘fechar as portas’. A equipa estava sob administração desde o início do mês de janeiro, mas os responsáveis da FRP (administradores) não conseguiram assegurar as verbas que permitissem o futuro imediato. Segundo a FRP surgiram vários interessados, nomeadamente um consórcio asiático, mas as negociações nunca foram muito longe. Assim, e a semanas dos testes de pré-temporada em Barcelona, aos administradores da Manor não restou outra alternativa senão encerrar a equipa, pois não seria possível assegurar sequer os salários de fevereiro. “Nos últimos meses a gestão da equipa trabalhou intensamente para trazer um novo investimento para assegurar o seu futuro a longo prazo, mas lamentavelmente fomos incapazes de o conseguir no espaço de tempo disponível, não nos deixando alternativa do que fechar o negócio e continuar a procurar um comprador”, afirmou a FRP num comunicado.
Agora, no meio de vários problemas, pois o AutoSport sabe que ficaram várias questões ‘pendentes’ para resolver com os elementos da equipa inglesa, ficaram a ser conhecidos alguns detalhes do descalabro. Sem dúvida, a perda do 10º lugar foi a machadada final, pois esse valor de 10 milhões de euros seria um excelente balão de oxigénio, mas os problemas da Just Racing Services Ltd, a empresa colocava a Manor a correr depois da aquisição da equipa por parte de Stephen Fitzpatrick no início de 2015 são mais do que muitos. Sabe-se que houve 50 interessados na equipa, que levaram ao pagamento em janeiro de 600.000 libras de salários de modo a ganhar tempo para que um desses 50 interesses se concretizasse. Mas isso não aconteceu e as dívidas ascendem agora a cerca de três milhões de libras. Mas também podem ser de 34 milhões, pois entre as diversas empresas envolvidas no consórcio, por exemplo os contratos com a Mercedes Mercedes e Williams ainda são da Manor Grand Prix Racing Ltd, que não está em processo de administração. No meio disto tudo está a ser investigado de quem é o chassis, da Manor ou da Just Racing. E isto pode arrastar também a Manor para a falência, pois de repente pode ver-se com uma dívida a rondar os 30 milhões, que se julgava ser de Stephen Fitzpatrick e do seu trio de empresas.
Esta é apenas mais uma prova que a operação Fórmula 1 nas equipas pequenas é muito complicada, e ao ponto em que chegou hoje em dia o gasto que é necessário para ter equipas a correr na F1 já não encontra facilmente parceiros para suportar essa atividade. Esta equipa é a última do ‘legado’ Max Mosley, que quis à ‘força’ novas equipas na F1, sem impor um sistema que lhes permitisse sobreviver com outro desafogo. A Fórmula 1 é há tempo demais uma espécie de jogo de cadeiras, em que se sabe que alguém vai ficar apeado, só não se sabe quem…












