WRC/Rali Safari: Takamoto Katsuta estreia-se a vencer no WRC
A longa salva de palmas da sua equipa Toyota, e em boa verdade, de todos os adversários sem exceção dizem bem o que significa este primeiro triunfo no Mundial de Ralis de Takamoto Katsuta e Aaron Johnson. As palavras no fim da PowerStage custaram muito a sair-lhe mas o principal estava feito. Finalmente, após uma década – estreou-se na Finlândia em 2016, demorou três anos a somar o primeiro ponto, em 2019 na Alemanha, um ano depois em Monza 2020, o primeiro triunfo em troços, a primeira vez que liderou um rali do WRC foi o Safari de 2021, o seu primeiro pódio foi no Safari desse mesmo ano e esse foi um bom prenúncio para onde haveria de ser o seu primeiro triunfo, hoje no Rali Safari de 2026.
Triunfo histórico
O derradeiro troço foi uma especial de tudo ou nada no Rali Safari: Takamoto Katsuta conquistou a sua primeira vitória no WRC num cenário épico, Oliver Solberg voou para vencer a Power Stage, Elfyn Evans segurou a liderança do campeonato e, atrás deles, equipas e pilotos arrastaram carros ‘magoados’ até ao fim de um dos ralis mais duros do Mundial de Ralis em muito, muito tempo.
A cronometragem foi implacável, mas a história deste troço final escreveu‑se sobretudo em lágrimas, suspiros de alívio e promessas de que, depois disto, nada ficará igual.
WRC2 com vitória segura de Robert Virves
A ação começou com Diego Dominguez, como sempre o WRC2 a ‘desfilar primeiro na Power Stage, com o piloto paraguaio a fechar o seu Safari de sonho. No pó e nas pedras africanas, assina o melhor resultado da carreira no WRC2, um primeiro top 5 que o próprio admite não ter esperado.
Disse que está “muito feliz” e surpreendido com o ritmo mostrado, agradecendo a todos enquanto respira o alívio de simplesmente chegar ao fim. Pouco depois, Andreas Mikkelsen entra em cena e empurra o ritmo mais alto, vários segundos mais rápido do que Dominguez. Queixa‑se de falta de potência nas subidas, de ter arriscado talvez um pouco demais para tentar recuperar, mas fala deste Safari como um evento “fixe”, mesmo tendo ficado a lamentar a ausência da mítica Sleeping Warrior.
A luta pelo WRC2 continuava a intensificar‑se quando Zaldivar cimentava um fim de semana sólido e garantia um pódio consecutivo no Safari. Falou da dureza de enfrentar Mikkelsen, e admite que foi “um fim de semana muito difícil” sublinhando ainda a importância da equipa nesta sobrevivência controlada.
Gus Greensmith seguia‑se, resignado a um segundo lugar em WRC2. Reconhece que teve “mais problemas do que no passado” neste rali, ainda a adaptar‑se ao novo carro, mas fez questão de dizer que Robert Virves mereceu totalmente a vitória, chegando até a sugerir que, neste Safari, os Rally2 pareceram mais robustos do que os Rally1.
A confirmação chega logo a seguir: Virves ergueu‑se como vencedor de WRC2 na sua estreia no Safari. Confessou que nem era grande fã da ideia de competir aqui, mas terminou a especial a admitir que viveu o “verdadeiro Safari” e que chegar ao fim sem problemas é quase tão incrível quanto o próprio triunfo. Agradeceu à equipa por tê-lo mantido em movimento num terreno que parecia querer engolir carros a cada quilómetro.
Jon Armstrong levou Puma “às costas” até ao fim
Na frente geral, Jon Armstrong e Shane Byrne, no seu primeiro Safari, com a M‑Sport, ‘arrastaram’ o Ford até ao fim sem recorrer ao Super Rally, um feito que o próprio Armstrong descreve como uma “experiência massiva”, cheia de problemas, mas com ritmo promissor na estreia em terra com este carro.
Do lado dos favoritos ao título, Elfyn Evans surgiu em modo ataque total, empurrando o Toyota ao limite para maximizar pontos do Super Domingo e da Power Stage. O cronómetro confirmava o esforço: estabelecia um novo tempo de referência e, ao sair do carro, admite que o troço “é muito duro”, mas que “tentou” tudo, ao mesmo tempo que revela estar de “dedos cruzados” por Katsuta, lembrando que o japonês “tem trabalhado muito há muito tempo”.
No final, foi terceiro na Power Stage e no super Domingo, atrás de Oliver Solberg e Sébastien Ogier.
Thierry Neuville entrou na especial com a missão de salvar o que havia para salvar. Passou uma pista “muito dura, com muitas pedras grandes”, sem furar, mas convencido de que não iria somar muitos pontos, confessando que “não pareceu rápido”.
Logo depois, Sébastien Ogier faz o que sempre faz quando sente a oportunidade: abria caminho com parciais em verde e reclamava um tempo canhão, novo ‘benchmark’ na Power Stage. Admitiu que não gosta de andar no máximo nestas condições e lembra que este é o rali em que “a velocidade importa menos”. Foi segundo da Power Stage e do Super Domingo, mas no rali ficou à porta do top 10.
Oliver Solberg entrou na Power Stage em modo ataque total e destronou facilmente o tempo de Ogier com uma prestação “mega”. No final, falou de “fim de semana incrível”, de uma aventura em que tudo parecia controlado até ao azar coletivo da equipa. Hoje, porém, pôde “forçar o andamento e tirar o máximo” e, enquanto agradece à equipa por um início de época em que já soma metade dos ralis ganhos com este carro, não esquece Katsuta: “muito feliz pelo Taka” é “a pessoa mais adorável do mundo”.
Enquanto isso, Esapekka Lappi fecha um Safari que parecia nunca mais acabar. O seu tempo aponta para um honroso quarto lugar, depois de uma prova em que, como ele próprio diz, “nunca fiz tanto trabalho de mecânico entre especiais”. Agradece à equipa da Hyundai por “um trabalho incrível nos três carros” e classifica este como o rali mais duro da sua carreira.
Sami Pajari segue a mesma linha de consistência: soma pódios consecutivos com a Toyota e cinco vitórias em troços ao longo da semana. À chegada, admite que poucos pilotos conseguem terminar este Safari a sorrir, mas ele é um deles, “super feliz” e grato à equipa.
Na luta pelo pódio absoluto, Adrien Fourmaux não arrisca além do necessário. Traz o Hyundai para casa, sem heroísmos, aceitando um segundo lugar que sabe a vitória depois de um rali “brutal”. Sabe que este é o primeiro pódio da Hyundai no ano e um marco para si: o décimo pódio no WRC. Fala de “final em alta” depois de um início difícil, sublinha o orgulho no trabalho da equipa e não se esquece de congratular Katsuta pelo triunfo.
Para a Hyundai, do ponto de vista dos Construtores, este rali é um ‘triunfo’ pois ‘Taka’ não estava nomeado para pontuar para a equipa principal.
Pouco depois, o momento que todos aguardavam. Takamoto Katsuta e Aaron Johnston lançam o Toyota para o último baile africano, num troço que carrega o peso de anos de esforço, erros, dúvidas e promessas adiadas, mas… a confirmação ecoa: são vencedores do Rali Safari 2026, a primeira vitória de Katsuta no WRC, alcançada no local onde subiu ao primeiro pódio, em 2021.
Ele próprio parecia não encontrar palavras. As lágrimas começaram-lhe a cair enquanto admite que viveu “tantas dificuldades e momentos” complicados, agradece a Aaron pelo trabalho incansável, à equipa por ter acreditado “quando falhava o tempo todo”, à família pelo apoio permanente, e não esquece Ott Tänak, que, segundo diz, lhe enviou mensagens e acordou cedo todos os dias para o apoiar. Terminou com um agradecimento emocionado a Akio‑san, (Toyoda) como se esta vitória fosse a resposta a uma promessa antiga.
Nas reações, a comunidade dos ralis resume o sentimento geral: “já era tempo”, “vitória mais do que merecida”, “parabéns, Mr. Nice Guy”. No meio deste turbilhão, os números começam a assentar: Oliver Solberg saltou para segundo no campeonato, a nove pontos de Elfyn Evans, com Katsuta a 11 pontos do galês.
o Super Domingo e classificações gerais são divulgadas, mas o que fica desta especial não cabe numa tabela.
Fica a imagem de carros ‘feridos’ a cruzar a meta, de mecânicos exaustos, de pilotos que confessam ter chorado em silêncio, e de um vencedor que, no palco mais cruel do calendário, finalmente prova a si próprio que pertence ao topo do mundo dos ralis, alcançando um triunfo que ecoará para sempre nas estatísticas da modalidade.


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15 Março, 2026 at 15:25
Parabéns Taka!!