WRC, Rali Safari/PEC4: erro de Solberg, vitória de Ogier…
A primeira especial do dia, PEC3 Camp Moran 2 foi cancelada devido ao estado dos pisos, pelo que a ação começou somente na PEC4. Quando a poeira assentou, apesar de ter sido apenas oitavo no troço Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) permaneceu com uma margem confortável, mas já sofreu o primeiro grande aviso do dia; Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) lembra que, se as especiais se mantiverem secas e rápidas, tem ritmo para rapidamente encostar aos líderes.
Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) e Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) consolidam o domínio da Toyota no topo; e a Hyundai, apesar de um brilharete de Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1), que foi terceiro no troço, continua a lutar com um carro nervoso e com ecos de problemas de refrigeração do motor.
No meio de tudo, a M‑Sport tenta manter os Puma vivos num rali em que, como FX Demaison recordara ao amanhecer, “dois minutos é muito, mas no Quénia não é nada” – sobretudo quando o Safari mostra a cada troço, que ainda pode virar a história de um momento para o outro.
Filme da especial
A manhã em Loldia arrancou com uma promessa e acabou em aviso: o rali ainda agora começou e já mostrou que ninguém está a salvo, nem o líder. Na primeira passagem do dia pela especial, Adrien Fourmaux entrou rápido num Hyundai em tentativa de recuperação, Ogier deu um recital de controlo na lama seca e Solberg, que começara com mais de meio minuto de vantagem, percebeu que o Safari não perdoa o mínimo erro – embora continue com a situação sob controlo depois de um pequeno susto.
Antes de os carros entrarem em SS4, a sexta‑feira amanheceu com uma notícia pesada: a repetição de Camp Moran (SS3) fora cancelada devido à degradação do piso. O dia passaria a abrir diretamente com Loldia, 18,95 km de estradas estreitas, secções técnicas e zonas rápidas, num traçado idêntico ao de 2024. A organização recordava que, em 2021, Thierry Neuville perdera aqui a liderança por quebra de suspensão – mais um lembrete de que o troço não tolera distrações. Para enfrentar a manhã, todas as equipas Rally1 apostaram em seis Hankook de gravilha macia, o novo Dynapro R213W, concebido para oferecer mais performance e resistência nas condições mais duras.
Na Hyundai, o dia começava ainda em modo de explicação. O diretor técnico FX Demaison detalhava o problema de véspera: a chuva e a lama da primeira especial bloquearam os radiadores, o barro secou na ligação e “tapou completamente” a refrigeração para a segunda. O sistema de blindagem “não funcionou nessas condições” e a equipa assumia que teria de o melhorar para o resto do rali. Ainda assim, Demaison mantinha a fé: “É um rali longo, dois minutos é muito mas no Quénia não é nada. Vamos lutar pelo resto da prova.”
Nos primeiros quilómetros, os splits confirmam que Solberg estava em ataque controlado: um segundo mais rápido do que Evans aos 5 km. Mas pouco depois, o drama rápido: o Toyota do líder do rali passa ligeiramente largo numa direita, entra na vegetação e é obrigado a fazer marcha‑atrás para regressar à pista. O incidente custa‑lhe cerca de 10 segundos. Ainda assim, quando chega ao fim, o relógio marca 14m35,0s, apenas oito décimos mais lento que Evans. “Perdi uns 10 segundos”, admite. “Estava seco em todo o lado e, de repente, uma curva direita muito enlameada. Foi uma daquelas situações. Tive também uma sensação terrível, é tão ondulada e dura.”
Evans, primeiro a ‘cortar a meta’, não parece mais satisfeito. O seu 14m34,2s coloca a referência inicial, mas o galês fala de uma ligação difícil com o carro: “Nada de especial. Tive uma sensação terrível com o carro.” O desalinhamento entre volante e piso parece generalizado – e os tempos seguintes confirmam que ainda havia muito por encontrar no asfalto africano.
Takamoto Katsuta surge logo a seguir e, desta vez, com intercom a funcionar depois do pesadelo de véspera.
O japonês tira 3,8 segundos a Evans e coloca um novo patamar: 14m30,4s. “É uma mistura de seco e lama”, descreve. “Agora tenho notas, é muito melhor do que ontem. É difícil saber onde está a lama ou não, mas está ok.” O alívio de finalmente ouvir as instruções de Aaron Johnston em tempo real é quase tão evidente quanto o ganho no cronómetro.
Atrás, as ‘parciais verdes’ começam a aparecer nos ecrãs: Fourmaux e Ogier vinham muito rápidos. A Hyundai procurava resposta à humilhação do dia anterior, e o francês atacava como se quisesse apagar, num só troço, a memória da lama nos radiadores. Quando cruza a linha de meta, o tempo falava por si: 14m21,8s, 8,6 segundos mais rápido do que Katsuta. “Para ser justo, estava a ficar cada vez mais rápido à medida que seca”, explica. “Tentei otimizar a primeira especial do dia. O rali é longo, não vou desistir.” É a primeira grande bofetada na tabela desta manhã.
Logo a seguir, o outro Hyundai oficial chegava com menos brilho. Thierry Neuville regista 14m34,8s, 13 segundos mais lento do que o colega. O belga contou que o motor se desligou numa travagem, com o carro a seguir em frente e a obrigá‑lo a repor a ignição. “Perdi talvez cinco ou seis segundos”, assume. “É muito difícil, o carro salta em todas as direções.” Ainda assim, face ao caos de quinta‑feira, a sensação é de ligeira recuperação.
Sébastien Ogier fecha o círculo do topo e recoloca a Toyota no comando da especial. O francês carimba um 14m18,8s, 3,0 segundos mais rápido do que Fourmaux e 16,2 segundos mais veloz do que Solberg, reduzindo um pouco o atraso acumulado na véspera. “Grande especial, mas obviamente o minuto perdido ontem não vai ser fácil de recuperar”, admite. “Pelo menos divertimo‑nos nesta. É muito ondulada e temos boa suspensão, mas estamos no limite.” A frase captura o equilíbrio típico do Safari: prazer de guiar com a permanente sensação de que qualquer excesso é pago caro.
Sami Pajari confirma a boa forma da Toyota ao terminar a 2,5 segundos de Ogier, segundo melhor tempo no momento. Mas o finlandês estava mais interessado em falar da sobrevivência do que da velocidade. “Não foi uma boa sensação”, confessa. “Tivemos de fazer marcha‑atrás uma vez. Tive a certeza de que íamos capotar. Numa curva apertada, já estávamos praticamente de lado e tivemos de corrigir, perdi facilmente alguns segundos ali.” O relato, quase em câmara lenta, ilustra bem como a estreita zona técnica de Loldia continuava a ameaçar carros e classificações.
Esapekka Lappi fecha o troço em 14m43,8s, 25 segundos mais lento do que Ogier. O finlandês admite que parte da cautela é estratégica, mas não esconde outro problema: “Foi muito seguro. Uma parte é estratégia e outra é que não consigo fazer o carro rodar. Tenho de conduzir devagar porque não consigo confiar de todo.” É uma crítica direta ao comportamento do i20, ainda a pedir afinação no eixo dianteiro e na forma como responde nas zonas mais técnicas.
Se na frente as diferenças se medem em décimos e segundos, na M‑Sport Ford continuam as lutas com a fiabilidade. Um alerta de temperatura de água volta a soar no Puma de Josh McErlean – a segunda vez neste rali – e o carro entra em modo de estrada, cortando performance para tentar proteger o motor.
O piloto ainda consegue levar o M‑Sport até ao fim, mas o cronómetro é implacável: 15m44,0s, 1m25,2s perdidos. “É o mesmo de ontem, o problema de temperatura”, resigna‑se. Jon Armstrong, por sua vez, fecha a especial com um bom quinto tempo, apenas 13,5 segundos mais lento do que Ogier, mas cai para oitavo da geral, ultrapassado por Fourmaux. “Especial bastante complicada, muito difícil encontrar ritmo, e tivemos um problema de ruído no intercom”, explica, resumindo um misto de progresso desportivo e pequenos contratempos técnicos.

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