WRC, Rali de Monte Carlo/PEC6: Oliver Solberg “em total estado de graça”

Por a 23 Janeiro 2026 11:44

Mais um troço, mais um triunfo de Oliver Solberg-Elliott Edmondson (Toyota GR Yaris Rally1) batendo Thierry Neuville-Martijn Wydaeghe (Hyundai i20 N Rally1) por 8.8s com Adrien Fourmaux-Alexandre Coria (Hyundai i20 N Rally1) em terceiro a 16.6s. Elfyn Evans-Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1) foram quartos a 20.7s, e Sébastien Ogier-Vincent Landais (Toyota GR Yaris Rally1) ficaram 0.2s mais atrás.

Na geral, pouco mudou. Solberg voltou a colocar a margem acima de um minuto, 1m04.2s, Ogier está 35.7s mais atrás e os dois homens da Hyundai, Neuville e Fourmaux aproximaram-se um pouco de Ogier.

A especial de La-Bâtie-des-Fontes / Aspremont 1, com 17,79 quilómetros foi mais um verdadeiro exame de nervos: neve e gelo nos primeiros sete quilómetros, piso irregular até aos 13 e apenas depois um alívio relativo no asfalto mais limpo na parte final. Desde o primeiro carro ficava claro que esta especial não ia perdoar excessos. E assim foi, com Takamoto Katsuta-Aaron Johnston (Toyota GR Yaris Rally1) e Grégoire Munster-Louis Louka (Ford Puma Rally1) a aumentarem a conta de furos.

Filme da especial

McErlean foi o primeiro a atirar-se à encosta, super cauteloso na neve empapada: “Se sais das marcas, passas a passageiro”, confessaria no final, depois de ter abrandado nas zonas mais enlameadas e parado o cronómetro em 14:19,7. “Foi uma especial a sério, muito difícil no início. Tivemos de ser cautelosos, mas o meio da especial foi bom.” Logo atrás, Pajari também não arriscava. A neve obrigava-o a rodar quase em câmara lenta. Ainda assim, o finlandês mostrava mais andamento que o britânico, 21,5 segundos mais rápido com 13:58,2. “Foi aceitável, mas ainda longe de onde quero estar. Estou a tentar perceber onde posso ganhar tempo. Não estou satisfeito, mas tenho de continuar a trabalhar”, admitia, espelho de uma luta mais mental do que apenas contra o cronómetro

À medida que mais carros entravam, a especial começava a revelar o seu caráter traiçoeiro. Ogier surgia com o Toyota a corrigir constantemente na lama e no gelo, o volante a nunca parar quieto. A ‘slush’ acumulada tornava o início quase absurdo: demasiado lenta para atacar, demasiado escorregadia para confiar.

Ainda assim, o francês impunha classe e chegava ao fim com 13:18,0, 40,4 segundos mais rápido do que Pajari. “Infelizmente vamos perder muito aqui com a neve pesada. Há muita neve, tens de ir muito devagar, e quando chegas ao asfalto é completamente diferente”, resumia, quase resignado com a injustiça das condições.

Só que Evans vinha claramente mais solto. Aos 3,5 quilómetros já era nove segundos mais rápido que Ogier, deixando perceber que a sua confiança estava num patamar diferente. Quando regressou à zona de stop, o cronómetro mostrava 13:17,8, apenas duas décimas melhor que o francês, mas suficientes para lhe dar moral. “Foi muito difícil ao passar a montanha, a neve está molhada e não há aderência nenhuma. Mas estou razoavelmente satisfeito com este loop”, dizia, como quem sabe que fez o possível sem passar a linha do risco.

Neuville, por seu lado, vivia um contraste curioso. Nos troços mais lentos e estreitos parecia quase a rastejar, obrigado a “engatinhar” nas zonas mais sinuosas, mas os tempos intermédios mostravam um ritmo forte.

Ao primeiro split já estava 7,5 segundos mais rápido do que Evans. No final, confirmava a recuperação: 13:05,9, 11,9 segundos mais rápido que o galês, encolhendo a diferença para Ogier na geral para 16,7 segundos. “Estou contente por chegar aqui. Fizemos uma passagem limpa, a estrada está a limpar muito e vai melhorar nas curvas lentas.

O sentimento é melhor”, afirmava, como quem sente a confiança a regressar aos poucos.

A manhã, porém, não era generosa com todos. Katsuta via a sua prova transformar-se num catálogo de frustrações. Primeiro, a notícia: mais um furo, desta vez no dianteiro direito. Depois, o cronómetro a confirmar o prejuízo: 13:31,8, quase 26 segundos perdidos para Neuville. “Desta vez não faço ideia do que aconteceu. É apenas irritante”, disparava, farto de não controlar o próprio destino.

Enquanto isso, Fourmaux tentava agarrar-se ao que a especial lhe dava. Enfrentou um início muito nevado, com muita lama pesada a arrastar o carro, mas tentou maximizar a oportunidade. “No rápido fui demasiado cuidadoso, o carro parecia um barco”, descrevia, mesmo assim assinando 13:13,7, o segundo melhor tempo provisório, apenas 7,8 segundos atrás de Neuville.

A fase inicial da manhã parecia desenhar-se entre prudência e pequenos passos em frente, até que Solberg entrou em cena. O sueco, líder do rali, tinha em La-Bâtie-des-Fontes / Aspremont 1 mais uma oportunidade para consolidar o comando – e não a desperdiçou.

Com a estrada a começar a limpar e o piso a oferecer um pouco mais de aderência, decidiu arriscar um pouco mais. Quando cruzou a meta, o impacto ficou imediatamente visível: 12:57,1. Mais 8,8 segundos ganho a Neuville, 20,7 sobre Evans. “Estava a limpar um pouco, mas havia tanta lama no resto que acho que foi igual para todos”, explicou.

“Tentei puxar muito para fazer um bom tempo e assumi pequenos riscos. Ainda há muito rali pela frente e esta tarde vai ser ainda pior.”

Atrás dele, Munster voltava a ser vítima do destino que já o perseguira horas antes. Outro furo, mais tempo deitado fora. 14:09,6, a 1 minuto e 12,5 segundos do ritmo de Solberg. “É a segunda vez hoje e não faço ideia de como aconteceu”, lamentava, como se falasse diretamente à montanha.

No meio de tudo isto, Hayden Paddon assumia o papel do sobrevivente experiente. O neozelandês fazia um tempo que o colocou como sexto mais rápido, a 25 segundos do melhor tempo, mas o discurso dizia tudo sobre a abordagem: “Estou apenas a ser muito cuidadoso na neve e no gelo. Estou a tentar ganhar sensação. Monte Carlo… não sei quem é que gosta realmente deste rali. Gosto do carro, gosto de estar aqui, mas não sei se gosto destas especiais.”

Armstrong fechava o grupo da frente com 13:23, sétimo melhor tempo, o estreante a gerir inteligência e respeito pela montanha numa manhã em que tantos se queixavam da imprevisibilidade.

No fim da PEC6, o balanço era claro: a especial confirmou-se como um teste completo, com muita neve ‘pesada’, lama traiçoeira e asfalto a mudar de carácter quase a cada curva. Neuville deu um passo importante na recuperação, Evans manteve-se sólido, Ogier voltou a sofrer com as condições – mas acima de todos, mais uma vez, esteve Oliver Solberg, que ampliou a vantagem com mais um tempo de referência, consolidando a imagem de piloto em total estado de graça neste início de Rali de Monte Carlo.

FOTO Jaanus Ree / Red Bull Content Pool

Caro leitor, esta é uma mensagem importante.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI

Deixe aqui o seu comentário

últimas Newsletter
últimas Autosport
newsletter
últimas Automais
newsletter
Ativar notificações? Sim Não, obrigado