WRC, Rali de Monte Carlo/PEC2, a montanha revelou o herói do momento: Oliver Solberg

Por a 22 Janeiro 2026 18:46

Com a noite a cair nos Alpes franceses pouco antes da entrada dos concorrentes na PEC2: Esclangon / Seyne-les-Alpes, uma especial de 23,8 quilómetros anunciada como uma autêntica lotaria branca.

Muita neve e especialmente “sopa” de gelo, o que levou a grandes diferenças entre os concorrentes.

Logo no briefing, falava-se apenas de sobrevivência, e quem saísse ‘vivo’ desta, seria notável.

Houve quem tivesse dito que nunca tinha andado num troço assim na sua carreira nos ralis.

É o Rali de Monte Carlo em todo o seu esplendor e muito do que tornou esta prova mítica

Para que se perceba um pouco melhor o que aconteceu, Oliver Solberg-Elliott Edmondson (Toyota GR Yaris Rally1) deram 31.1s a Elfyn Evans-Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1) que por sua vez tinham dado cerca de 40s a Sébastien Ogier-Vincent Landais (Toyota GR Yaris Rally1), que chegaram ao final do troço e o piloto disse que os pneus eram uma merda.

Para sua defesa, ser o primeiro na estrada com tanta ‘sopa’ para mexer, só podia dar caldo entornado.

Só Ogier perdeu mais de um minuto, mas houve quem tivesse perdido mais: a Lancia, em dois troços ficou sem um carro e com o outro muito atrasado depois de Nikolay Gryazin ter batido numa árvore com a traseira esquerda do seu Integrale e com isso perdido 1m51.4s.

Voltando aos Rally1, parece que os simuladores ensinam qualquer coisa: Jon Armstrong-Shane Byrne (Ford Puma Rally1) são agora terceiros da geral atrás de Solberg e Evans, que ficou a 25.5s do sueco.

O piloto da Ford está agora a 1m03s da frente.

Quarto posto para Thierry Neuville-Martijn Wydaeghe (Hyundai i20 N Rally1) que cederam 544.4s para Solberg e são agora sextos, subindo três posições.

Seguem-se Adrien Fourmaux-Alexandre Coria (Hyundai i20 N Rally1), 7.3s mais atrás, mantiveram o quarto lugar. Quem caiu duas posições foi Ogier, que é agora quinto a 1m15.6s da frente.

Hayden Paddon-John Kennard (Hyundai i20 N Rally1) foram sextos, são agora nonos, subiram três lugares, seguem-se Grégoire Munster-Louis Louka (Ford Puma Rally1) que mantiveram o oitavo lugar, Takamoto Katsuta-Aaron Johnston (Toyota GR Yaris Rally1) foram oitavos e caíram para o sétimo posto.

Sami Pajari-Marko Salminen (Toyota GR Yaris Rally1) bateram ao Km 8.3, perderam uma roda.

Josh Mcerlean-Eoin Treacy (Ford Puma Rally1) pararam ao Km 5.5 do troço, ainda não sabemos porquê.

Filme da especial

Na partida, o cenário enganava, o asfalto estava seco, mas depressa os pilotos perceberam que estava manchado de gelo traidor. As equipas alinharam com pneus com pregos para enfrentar a grande parte do troço que está cheia de gelo, especialmente na segunda metade. Ogier, o veterano, foi o primeiro a enfrentar o desafio. Logo se percebeu que algo não estava bem. Nem parecia Ogier. O Toyota avançava com cautela extrema, dançando de lado a lado no gelo. “Nunca vi nada assim na minha vida”, exclamou ele ao final da secção, o rosto coberto de suor e incredulidade, aproveitando para invectivar… os pneus.

Atrás dele, Evans surgiu decidido. O galês encontrou muito mais ritmo e começou a devorar segundos a cada split ao colega de equipa: quatro… onze… dezanove. Quando cruzou a meta, é cerca de quarenta segundos mais rápido. “Se me dissesses que estava dois minutos mais lento, acreditava. É horrível, está tudo a gelar.” O contraste entre medo e ousadia marcava o ritmo da noite.

Pouco depois, Neuville com o Hyundai calçado de “pregos até ao pescoço”, determinado a recuperar a confiança perdida na primeira especial. Há um susto, uma escorregadela quase fatal — mas o belga manteve-se na estrada. “Condições loucas, sem aderência nenhuma”, confessa. A estrada já é um tabuleiro de armadilhas: gelo derretido, a ‘tal’ sopa, gelo polido, neve fresca. Katsuta confirma o pesadelo. “Não há hipótese. O que a nossa equipa de reconhecimentos viu há quatro horas já desapareceu.”

Mais à frente, a rádio dos comissários chia: McErlean está parado aos 5,5 quilómetros. Outro nome riscado pela montanha. Quase ao mesmo tempo, surgia a notícia de Pajari imobilizado aos 8,3 km — duas baixas antes da metade da especial.

Enquanto os veteranos lutavam pela sobrevivência, houve um nome que brilhava no ecrã dos tempos: Oliver Solberg. Ainda a meio da subida, os splits anunciam algo fora do comum — ele está em “modo ataque total”. E quando cruzou a meta, 16 minutos e 47 segundos. Um tempo ‘absurdo’. Trinta e um segundos mais rápido que Evans. O sueco ri, ainda sem acreditar. “Foi o mais louco que fiz na vida. Achei que ia sair de estrada mil vezes. No gelo, pensei: que se lixe, vamos com tudo.” Quem se lixou foram os adversários…

Depois dele, Fourmaux chega exausto, 20 segundos atrás de Evans, contando uma volta completa no asfalto escorregadio. “Sem aderência nenhuma, fomos passageiros o tempo todo.” Neuville confirma o caos, Katsuta lamenta, e lá ao fundo surge Munster, sétimo no troço, sem assistência de direção nos últimos três quilómetros — braços doridos. Pouco depois, Paddon completa o desfile, o Hyundai intacto mas coberto de neve. “Isto é mau demais. Sem confiança no carro, tudo fica dez vezes mais difícil.”

A montanha já escolheu as suas vítimas e revelou o seu herói do momento: Oliver Solberg, o jovem que enfrentou o gelo de frente e saiu ileso — líder do rali, por 25,5 segundos sobre Evans, numa das especiais mais selvagens e implacáveis do ano. E isto ainda agora começou…

FOTO @World

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1 comentários

  1. [email protected]

    22 Janeiro, 2026 at 20:09

    Monte-Carlo!

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