WRC, Rali da Suécia, PEC10: Sesks vence, Evans destaca-se, Katsuta ‘afunda-se’…
Alguma surpresa na PEC10 com o triunfo de Martins Sesks (Ford Puma Rally1). Já se sabia que, depois de ultrapassadas as ‘crises’ iniciais, este piloto pode repetir o que fez, por exemplo na Arábia Saudita, portanto foi com espanto, mas não muito que Martins Sesks assinou uma vitória de especial, construindo o tempo de referência logo de início e mantendo-se à frente de todos os favoritos.
Os pilotos da M-Sport que o seguiram ficaram curtos, os Hyundai lutaram com falta de aderência e afinações por acertar, enquanto a dupla de Toyota em luta pelo rali, Elfyn Evans e Takamoto Katsuta, não conseguiu transformar o risco em tempo puro. O letão sai desta PEC como o homem do momento.
Na geral não houve uma único mudança no top 10 entre os Rally1, Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) está a aproximar-se de Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) e a deixar Esapekka Lappi (Hyundai i20 N Rally1) para trás, com o finlandês a ser o melhor dos Hyundai, ainda que sem Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) muito longe.
Filme da especial
A neve cobriu a especial como um manto branco compacto. Logo no arranque, é Martins Sesks quem marca o tom: o piloto da M-Sport Ford foi muito rápido, e assumiu a frente da classificação da PEC com um tempo de referência. Carrega dois pneus suplentes, ainda com as memórias frescas dos problemas de sexta-feira, mas agora fala em estar “a voltar ao ritmo”, a arriscar o suficiente para voltar a desfrutar de guiar. A mensagem é clara: hoje é para atacar.
Atrás dele, os primeiros Puma não conseguem igualar o andamento. Josh McErlean surge primeiro, cinco segundos mais lento, admitindo que nesta especial é preciso ser “super corajoso” e reconhecendo que lhe falta ainda um pouco de compromisso nas zonas mais rápidas. Pouco depois, Jon Armstrong passa na meta praticamente no mesmo ritmo, também mais de cinco segundos acima do tempo de Sesks.
Fala de um dia mais complicado do que o anterior, de um equilíbrio difícil de encontrar e de um acerto de compromisso que foi obrigado a alterar, tentando ainda perceber “onde se deve ‘sentar’” com este novo compromisso do carro. Em ambos os lados da garagem, o fio condutor é o mesmo: o letão da M-Sport marcou um patamar que os colegas, por agora, não conseguem acompanhar.
À medida que mais carros entram na especial, a superfície vai-se transformando. Thierry Neuville ataca com o Hyundai, desfruta de condições “agradáveis” e de um piso com aderência mais consistente, mas o cronómetro não mente: fica 4,4 segundos atrás de Sesks. O belga fala em mudanças a cada PEC e promete continuar a mexer no carro para tentar destravar o potencial do i20 N. Logo a seguir, Oliver Solberg, também ele não encontra a décima extra que procura. Entrega-se a 1,8 segundos do letão, admite que “há muita neve por todo o lado” e confessa que a pequena experiência com pneus diferente talvez não tenha sido a melhor decisão. Nada de dramático, mas também “nada de especial”, como ele próprio define.
O miolo da especial confirma o padrão: os Hyundai continuam a esbarrar num limite difícil de contornar. Adrien Fourmaux, agora ao volante de um i20 N Rally1, descreve uma classificativa “belíssima”, mas tão rápida que espreme ao máximo as margens de tempo. Queixa-se de estar sempre a “flutuar sobre a superfície”, sem morder verdadeiramente o piso, e aponta o dedo à afinação dos amortecedores. Para o francês, não se trata de um problema que se resolva hoje ou amanhã, mas de algo que a equipa tem mesmo de trabalhar. Logo depois, Esapekka Lappi confirma o retrato: é apenas ligeiramente mais rápido do que Fourmaux, mas continua bem atrás do tempo de Sesks. Admite que a especial é “muito gira”, que há potencial para mais, mas que a alteração feita durante a noite ainda não “lhe cai bem”. O carro não lhe responde como ele quer.
Sami Pajari chega numa toada semelhante. O Toyota parece rápido, mas qualquer ligeira escorregadela na trajetória custa caro na reta seguinte, e o finlandês acaba por estar mais de cinco segundos acima da marca de referência. Fala em nada de “demasiado especial”, mas deixa escapar que bastam alguns centímetros a mais na saída de uma curva para se perder muito tempo. A especial, larga, rápida e sem grandes margens de correção, está a ser implacável com quem não acerta na linha de trajetória perfeita.
Depois entra em cena Elfyn Evans. O líder do rali sabe que cada décima conta e que esta PEC pode ser um ponto-chave na gestão da vantagem. Mas, ao cruzar a meta, o galês fica ainda assim 0,9 segundos acima de Sesks. Queixa-se de não ter encontrado um bom ritmo, descreve a sua passagem como “um pouco confusa”, bem longe da sensação forte que tivera no mesmo troço no ano anterior. A especial, admite implicitamente, está diferente, mais traiçoeira, ou então é ele que ainda não se ajustou ao que o cronómetro exige hoje.
Por fim, Takamoto Katsuta fecha a sucessão dos protagonistas da geral, mas novamente em ‘baixa’. O tempo confirma a sensação que vinha a descrever ao longo da manhã: perde mais 5,9 segundos para Evans e é 6,8 segundos mais lento do que Sesks nesta passagem. Visivelmente intrigado, insiste que está a guiar “como ontem”, que até força mais em alguns pontos, mas a sensação continua a ser a mesma: “não tenho aderência”. Nenhuma alteração de fundo no carro, apenas pneus, e ainda assim a resposta em tempo não aparece. O desconcerto nota-se nas palavras; a confiança que tinha noutras especiais parece ter ficado enterrada na neve das PEC desta manhã…

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