WRC, Rali da Croácia: azar de Pajari, abre portas a Neuville e à Hyundai
Thierry Neuville assume liderança após sábado caótico e fica mais perto da primeira vitória da época
Thierry Neuville ascendeu à liderança do Rali da Croácia este sábado, após uma tarde marcada por furos, troços em rápida degradação e várias reviravoltas que afastaram Sami Pajari do comando da prova. O piloto da Hyundai Motorsport, que começou o dia a 13,7 segundos do jovem finlandês da Toyota Gazoo Racing, terminou a etapa com uma vantagem de 1 minuto e 14,5 segundos sobre Takamoto Katsuta, enquanto Pajari caiu para terceiro, a 1 minuto e 46,4 segundos da frente.
A mudança decisiva ocorreu na segunda passagem por Generalski Stol – Zdihovo, numa fase em que as condições da estrada se deterioraram de forma acentuada e transformaram a luta pela vitória num teste de sobrevivência.
Até aí, Pajari tinha controlado a prova desde sexta-feira de manhã e continuava a dar sinais de solidez, mas um furo obrigou-o a parar para mudar uma roda, perdendo mais de dois minutos e entregando a liderança a Neuville.
No final do dia, o belga destacou a confiança crescente sentida ao longo do fim de semana e a resposta positiva do Hyundai em piso croata. “Este fim de semana, tudo está a encaixar. Desde o início que o carro se mostrou melhor do que noutros ralis. Fomos capazes de construir passo a passo e de o melhorar no início do evento”, afirmou. Neuville sublinhou ainda a dificuldade acrescida das condições, considerando que a equipa conseguiu manter “um bom ritmo” apesar da instabilidade da aderência.
Pajari ‘cedeu’ em tarde de desgaste extremo
O dia começou, ainda assim, com Pajari firmemente instalado no primeiro lugar. Durante a ronda da manhã, o finlandês lidou de forma eficaz com estradas cobertas de folhas, muita sujidade no piso e níveis de aderência muito inconsistentes, conseguindo manter Neuville e Katsuta à distância. Embora Katsuta tenha chegado a subir provisoriamente ao segundo lugar da geral na especial 10, Neuville respondeu na classificativa de Generalski Stol, recuperando essa posição antes da assistência do meio-dia.
Nessa altura, Pajari liderava com 12,4 segundos de vantagem sobre Neuville, ao passo que Katsuta seguia em terceiro, a mais 12,7 segundos. Hayden Paddon mantinha então um sólido quarto posto na sua estreia no Rali da Croácia, enquanto Adrien Fourmaux via o seu fim de semana complicar-se ainda mais após sair de estrada na especial 12, danificando a traseira esquerda do Hyundai i20 N Rally1 e abandonando a prova.
Mas se a manhã foi marcada pela gestão, a tarde trouxe um cenário muito mais duro. Katsuta começou a segunda passagem pelos troços com o melhor tempo na especial 13, reduzindo a margem para Neuville na luta pelo segundo lugar, enquanto Pajari seguia estável no topo. Tudo mudou, no entanto, na especial 14, disputada em estradas que, segundo a organização, passaram a assemelhar-se a um troço de terra devido à degradação do piso e à acumulação de pedras.
Furos multiplicaram-se e alteraram a classificação
Os problemas com pneus atingiram vários pilotos em simultâneo. Jon Armstrong parou para trocar uma roda, Hayden Paddon sofreu um furo dianteiro esquerdo e Katsuta enfrentou a mesma contrariedade. O golpe mais pesado, porém, foi o de Pajari, forçado a parar com o Toyota numa altura crítica da tarde. A perda de tempo foi decisiva para o desenrolar da prova e alterou por completo a hierarquia na frente.
Katsuta, apesar de também ter sido afetado, conseguiu limitar danos e terminou o dia no segundo lugar, passando a ser o adversário mais próximo de Neuville para a última etapa. O japonês admitiu alguma frustração com o tempo perdido, mas destacou a dureza invulgar das condições. “É uma pena, porque estávamos a tentar gerir. Foi uma verdadeira lotaria. Mesmo em ralis de terra não encontramos tantas pedras”, disse.
A consistência de Katsuta acabou por ser recompensada num sábado em que vários candidatos diretos cederam tempo ou saíram de cena. A sua gestão permitiu-lhe manter-se numa posição competitiva para domingo, ainda que a diferença para o líder seja já expressiva.
Paddon consolida 4º lugar, Rossel na frente do WRC2
Fora da luta direta pela vitória, Hayden Paddon conseguiu evitar males maiores depois de gerir o seu furo sem necessidade de parar, preservando o quarto lugar da classificação geral. O neozelandês encerrou o dia a 3 minutos e 28,2 segundos de Neuville, num resultado particularmente sólido tendo em conta que se estreia este ano no Rali da Croácia.
Yohan Rossel terminou o sábado na quinta posição e manteve a liderança entre os concorrentes do WRC2, aproveitando também um dia de elevada exigência mecânica e estratégica. Já Oliver Solberg, relançado após o abandono precoce de sexta-feira, destacou-se pela velocidade pura ao vencer todas as especiais entre a 9 e a 12, antes de ver a série interrompida por um furo na especial 13.
Elfyn Evans, igualmente afastado da discussão da geral depois do acidente sofrido na véspera, fechou o dia com o melhor tempo na especial 16. Jon Armstrong voltou também a evidenciar andamento competitivo, assinando tempos de referência apesar dos contratempos enfrentados ao longo da etapa. Em sentido contrário, Josh McErlean teve um sábado particularmente difícil ao volante do Ford Puma da M-Sport, marcado por um incêndio no habitáculo, furos sucessivos e problemas elétricos.
Neuville com boa vantagem para o último dia
Com apenas quatro especiais e menos de 60 quilómetros cronometrados por disputar, Neuville parte para domingo numa posição claramente favorável para conquistar a sua primeira vitória da temporada, bem como a primeira da época para a Hyundai Motorsport. A vantagem construída num sábado de grande desgaste não elimina por completo os riscos, sobretudo num rali em que as condições mudaram de forma drástica de troço para troço, mas coloca o belga no controlo da prova à entrada para a etapa decisiva.
O que parecia ser mais um dia de gestão para Pajari transformou-se, em poucas horas, num momento-chave do Rali da Croácia. E, numa prova em que a imprevisibilidade dominou a jornada de sábado, foi Neuville quem melhor resistiu ao caos e saiu reforçado na corrida ao triunfo.

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