WRC, PEC 13, Rali Safari no seu estado mais puro: quando a ‘estrada’ é o maior adversário

Por a 14 Março 2026 08:33

Absoluto caos no Rali Safari: entre cronómetros e a brutalidade da sobrevivência. Só o campeão escapou…

Numa especial passada à beira do caos, Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) assina um triunfo de sobrevivência, enquanto Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) abandona com danos na suspensão, os Hyundai de Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) e Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) acabam a ‘ferver’ e Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1) luta até ao fim sem ver através do pára-brisas. Num cenário de lama, água e visibilidade quase nula, quem chega ao fim já é meio herói. Solberg tem agora 42.6s de avanço para Ogier, que subiu neste troço ao segundo lugar, com Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) agora em quarto e Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) em quinto, a 2m41s da frente.

Filme da especial

A história começa com um aviso simples: “Os snorkels vão ser precisos aqui. Condições loucas.” A especial abre com Jon Armstrong (Ford Puma Rally1) a enfrentar um cenário quase aquático. O Puma mergulha em poças profundas, entra água pelo capot, e ainda assim o britânico encontra ritmo, fecha com um furo na frente esquerda, mas com um tempo fortíssimo. “Foi uma especial completamente mental, é tão fácil ter um furo ali, és passageiro”, desabafa, a cabeça ainda a latejar de tanto “head banging”. Logo atrás, Joshua Mcerlean (Ford Puma Rally1) confirma a brutalidade do troço. Termina, mas o carro recusa-se a voltar a arrancar depois de engolir água. “Apanhámos imensa água, é completamente louco”, resume, parado junto à linha, como se o carro também precisasse de respirar.

À medida que a lama se acumula, a visibilidade passa a ser o maior inimigo. Esapekka Lappi (Hyundai i20 N Rally1) arrasta o Hyundai até ao final, quase às cegas, o pára-brisas tapado de sujidade e sem líquido limpa-vidros. “Estávamos tão ocupados a resolver outros problemas que não tivemos tempo de encher o limpa-vidros. Fiquei sem nada na primeira especial. Não via nada”, admite, depois de minutos a guiar no instinto.

Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) surge a seguir, prudente. Sabe que não tem pneu sobressalente e decide sobreviver, não atacar. “Está super enlameado e complicado, sem suplente tive de levantar. É melhor ficar no jogo, à tarde tudo pode acontecer”, diz, mais alívio do que frustração.

É então que o rali vira drama. Elfyn Evans começa a especial com ambição, mas rapidamente o Toyota acusa danos na suspensão traseira direita. Arrasta-se a roda, “curva a curva” – se vir vídeos, percebe o porquê das (“), até que o galês se resigna, encosta e desiste.

Fim de uma longa série sem abandonos, cortada de forma cruel no pior tipo de especial: aquela em que, muitas vezes, o ritmo pouco conta face à lotaria do terreno. À frente, a Hyundai entra em modo gestão de crise. Adrien Fourmaux arranca, pára a escassos metros do início, volta a pôr o carro em marcha, mas chega ao final com o pneu dianteiro direito furado e o capot a libertar nuvens de vapor. “Está bastante quente aqui dentro, espero que possamos continuar”, comenta, enquanto o motor arrefece no parque de fim de troço.

Neuville, ainda mais aflito, vê o motor do Hyundai começar a sobreaquecer e é obrigado a abrandar. Quase sem visibilidade, insiste até à meta, mais de um minuto atrás de Armstrong. “Não via nada, mas chegámos”, solta, com o ar de quem sabe que, naquele dia, a luta maior foi apenas chegar.

Lá na frente, o capítulo final pertence a Sébastien Ogier. Numa especial em que tantos sucumbiram à lama, à água e à mecânica, o campeão francês impõe classe e controlo. Passa pelos rios de lama, pelos buracos e pelas armadilhas escondidas, cruza a meta com um tempo canhão, quase meio minuto melhor do que Solberg. “Só chegar ao fim já é bom”, resume, como se o próprio resultado fosse secundário face à natureza da batalha.

Atrás, Oliver Solberg termina a especial sem líquido do limpa-vidros, a lutar para ver qualquer coisa através de um pára-brisas castanho. Entre carros encostados, Hyundai a fumegar e Toyota magoados, a especial fica na memória como uma daquelas em que o cronómetro conta, mas o verdadeiro adversário é o Safari em estado puro.

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1 comentários

  1. [email protected]

    14 Março, 2026 at 9:52

    No video, o breve comentário parece vir dum “Tuga”: os portugueses ‘tão em todo o lado!

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