WRC: Kalle Rovanpera, o mais jovem Campeão do Mundo da história do WRC

Por a 2 Outubro 2022 12:00

FOTOS @World/André Lavadinho

Kalle Rovanperä/Jonne Halttunen (Toyota GR Yaris Rally1) são os novos Campeões do Mundo de Ralis. Aos 22 anos, o jovem finlandês venceu o Rali da Nova Zelândia para se tornar no mais jovem campeão de sempre, batendo por cinco anos o recorde de Colin McRae, que foi Campeão em 1995.

Fez-se história no Mundial de Ralis. Kalle Rovanperä tornou-se no mais jovem Campeão do Mundo de Ralis de sempre, mas mais do que isso, ‘desconfiamos’ fortemente que nasceu aqui um caso muito sério na história do WRC. É óbvio que só o futuro o dirá, mas comparando com os dois últimos dominadores da competição nos últimos 20 anos, Sébastien Loeb e Sébastien Ogier, quando foram campeões pela primeira vez não se imaginava a ‘pegada’ que iriam deixar na competição e quanto a este jovem, já pensamos outra coisa. Repito, só o futuro o dirá, mas os sinais são fortes.

Como sempre, o domínio tanto de Loeb como Ogier teve também muito a ver com os adversários que tiveram, nenhum deles conseguiu sequer, aproximar-se da sua valia, e agora quanto ao jovem finlandês isso é algo que se terá de se ver. Para já, exceção feita a Tanak, é quase um deserto…

‘Puto-maravilha’

Com apenas 22 anos de idade… e um dia, e com Jonne Halttunen a seu lado, também ele campeão de navegadores, o jovem finlandês chega ao título apenas na sua terceira temporada competindo ao mais alto nível nos ralis. Liderou o Mundial desde que ganhou a segunda prova do ano, na Suécia, em fevereiro, e chega agora ao título ainda com dois ralis pela frente.

É o oitavo título do WRC conquistado por um piloto da Toyota, e o quarto em igual número de anos, desde 2019, até 2022. Rovanperä é o primeiro piloto finlandês a ganhar o campeonato em 20 anos e o primeiro a fazê-lo com um carro construído na Finlândia.

Numa prova difícil devido às condições climatéricas, teve aí o palco ideal para extrair o melhor de si, não dando a mais pequena hipótese aos seus adversários quando a ordem na estrada saiu da equação.

A sua velocidade em provas com condições meteorológicas difíceis foi sempre um atributo chave nas prestações de Rovanperä em 2022 e foi também central para a sua vitória na Nova Zelândia, onde o WRC regressou após uma década.

Depois de terminar o dia mais longo do rali na sexta-feira em condições mistas, em quarto da geral, destacou-se claramente no sábado, dia do seu 22º aniversário, assumindo uma clara liderança de quase meio minuto, que levou até ao fim.

A vitória na Power Stage foi a cereja no topo do bolo do campeonato, e nem sequer precisava, pois o ‘bolo’ estava já suficientemente ‘doce’…

Em apenas cinco anos, o finlandês chega ao topo da pirâmide com grande brilhantismo, levando com ele uma maturidade invulgar para a idade, uma frieza única e claro, dotes muito especiais ao volante, algo com que começou a lidar ainda muito pequeno.

É um enorme feito para o jovem finlandês e um grande orgulho para o seu pai, Harri.

Curiosamente, Rovanpera chega ao título precisamente 20 anos depois do último finlandês, Marcus Gronholm, o ter conseguido, juntando-se a um longa linhagem de finlandeses voadores, que também foram Campeões do Mundo, Juha Kankkunen e Tommi Makinen, 4 títulos, Marcus Gronholm, 2, Hannu Mikkola, Timo Salonen e Ari Vatanen, com um cada.

Pressão? Qual pressão?

Chegou finalmente o dia há muito esperado. Alguns, depois da recente reação da Hyundai julgaram que Rovanpera já estava a acusar a pressão, mas provavelmente não sabiam o tipo de ‘Iceman’ que este jovem é.

O que sucedeu nos últimos ralis teve apenas e só a ver com um momento menos bom da Toyota, aliado precisamente ao contrário, do lado da Hyundai, e isso levou aos desfechos a que assistimos. Sabíamos que quando tudo voltasse ao normal do lado da Toyota, mesmo com uma Hyundai forte, Rovanpera depressa voltaria ao mesmo registo que lhe permitiu vencer cinco vezes em sete ralis, repetindo agora o feito na prova em que selou o título, chegando à sexta vitória.

Sébastien Ogier/Benjamin Veillas (Toyota GR Yaris Rally1) foram segundos, terminando a mais de 30s dos vencedores. Fizeram uma prova consistente, mas na fase inicial do rali sentiram um pouco o facto de não correrem desde o Quénia, realizado há três meses. Depois, Rovanpera esteve inalcançável, mas conseguiram manter bem atrás Ott Tänak, apesar de uma penalização de 10s na PE12, fazendo um papel importante para a equipa que fica muito perto de confirmar também o título de Construtores.

Ott Tänak/Martin Järveoja (Hyundai i20 N Rally1) foram terceiros, assegurando o seu quinto consecutivo top3 da época, o que mostra bem o que o carro evoluiu, pois do piloto já sabemos que é sempre candidato a vencer ralis quando tem o carro ‘normal’.

Desta feita, não chegou para os Toyota! Inicialmente, deu ideia de poder lutar pelo triunfo, chegou ao fim do dia de sexta-feira na frente, mas no sábado não teve hipótese face aos Toyota.

Quarto posto para Thierry Neuville/Martijn Wydaeghe (Hyundai i20 N Rally1), que foi mesmo o máximo a que podiam almejar, depois de um fim-de-semana difícil, devido às penalizações e dois piões que fizeram na sexta-feira. Teve um início de prova complicado, ao fim de três troços já estavam a 29.3s da frente, por isso não pode fazer mais. Limitou-se a chegar ao fim, pois nunca esteve confortável com o carro nestas condições.

Quinto posto para Oliver Solberg/Elliott Edmondson (Hyundai i20 N Rally1), segundo resultado consecutivo no top 5 após o quarto lugar na Finlândia. Um bom fim-de-semana, mas longe de ser perfeito para o jovem sueco. Tem ainda muitos altos e baixos, tanto faz quartos lugares nas PE4 como oitavos e nonos. Ainda muito inconstante e esta era uma prova nova para a maioria.

Hayden Paddon/John Kennard (Hyundai i20 N Rally2) venceram o WRC2 na frente de Lorenzo Bertelli/Lorenzo Granai (Ford Puma Rally1) que fez o esperado neste rali. Conseguiu alguns sétimos lugares, mas já na fase final da prova, pois inicialmente ficou várias vezes atrás de alguns WRC2, o que se compreende, pois o ‘hábito’ não faz o monge, mesmo sendo Prada…

Kajetan Kajetanowicz/Maciej Szczepaniak (Škoda Fabia Rally2 evo) foram oitavos na frente de Shane van Gisbergen/Glen Weston (Škoda Fabia Rally2 evo) com Harry Bates/John McCarthy (Škoda Fabia Rally2 evo) a fechar o top 10, mas desses falaremos noutro lado.

Os azarados

A prova teve um conjunto de ‘azarados’, no que mais pareceu um concurso de derrapagem artística, com maior ou menor ‘nota artística’. Certo é que em todos os casos as equipas têm muita ‘nota’, seja dólar, libra ou euro para gastar…

Elfyn Evans/Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1) passou pela liderança do rali no sábado após uma penalização de Tänak, mas quando estava sob pressão capotou na PE9, aterrou sobre as rodas, prosseguiu mas com imensos danos no carro. Regressou à assistência mas a equipa descobriu que o roll bar tinha sido danificado. Game Over! começou bem, acabou mal.

Gus Greensmith/Jonas Andersson (Ford Puma Rally1) desistiu ainda em ‘melhor’ estilo.

Estavam a fazer uma boa prova, na luta pelo top 6, com Thierry Neuville, mas na PE10 deixou escorregar um pouco a traseira do Ford, entrou numa vala e capotou violentamente, destruindo mais um carro da M-Sport. Não houve consequências físicas, mas o troço teve que ser interrompido devido aos destroços espalhados na estrada.

Também Takamoto Katsuta/Aaron Johnston (Toyota GR Yaris Rally1) ficaram pelo caminho. Até esta prova, em todas as provas tinham terminado no top 10 mas isso terminou na Nova Zelândia, depois de ter saído violentamente de estrada na PE15. Eram quintos no sábado à tarde, antes do acidente.

Craig Breen/Paul Nagle (Ford Puma Rally1) terminaram em 19º da geral depois de regressarem no domingo, após mais um acidente. Eram terceiros na PE4, depois de terem liderado o rali na PE2 e 3, mas na quarta saíram de estrada para um barranco, sem grandes danos na viatura, mas fora de prova. Foi o que bastou e foi também o quarto erro de Breen nos últimos cinco ralis.

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