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WRC arranca em Monte Carlo: Emoção rima com cinquentão

José Luis Abreu by José Luis Abreu
16 Janeiro, 2023
in Autosport Exclusivo, Ralis, WRC
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WRC arranca em Monte Carlo: Emoção rima com cinquentão

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No ano em que o WRC comemora o 50º aniversário, 2023 marca o segundo ano dos Rally1 híbridos. A ida de Ott Tanak para a M-Sport, o recobro da Hyundai e a Toyota de sempre, ‘prometem’ muita e boa competição para 2023

FOTOS @World/André Lavadinho e Oficiais

Dois meses depois o Mundial de Ralis está de regresso para a segunda temporada dos Rally1 híbridos. O Mundial de Ralis 2023 marca o 51º ano da competição que nasceu em 1973, os 50 anos cumprem-se a 19 de janeiro quando arrancar o Rali de Monte Carlo.
Em 1973, foi exatamente nessa data que a prova arrancou.
Os Rally1 vão para a sua segunda temporada, depois da sua estreia há 11 meses, o campeonato começa a 19 de janeiro com o Rali de Monte Carlo, termina a 19 de novembro com o Rali do Japão passando por Portugal de 11 a 14 de maio.
Tal como se previa, os carros de 2022 ficaram um pouco abaixo do andamento dos WRC 2017-21, mas a diferença foi mínima e o espetáculo na linha do que tinham sido os anos anteriores.
Este ano, com melhor conhecimento dos carros, e ajustes aerodinâmicos bem visíveis, espera-se uma temporada bem mais competitivo que 2022, já que pela primeira vez em alguns anos, as três equipas vão ter pilotos capazes de vencer ralis, ou mesmo, lutar pelo título.
A saída de Ott Tanak da Hyundai e a sua ida para a M-Sport-Ford foi a solução que melhor se adequa à qualidade percepcionada da competição, já que o ano passado, exceção feita ao triunfo de Sébastien Loeb no Rali de Monte Carlo, o resto do campeonato foi um ‘deserto’ para a M-Sport/Ford, com os seus pilotos a não serem capazes de obterem os resultados que, claramente, o carro ‘pedia’. Nem mesmo Sébastien Loeb nas mais três provas que fez o conseguiu, mas isso são contas doutro ‘rosário’.
A juntar a uma M-Sport/Ford inócua, uma Hyundai que tardou em avançar com o seu projeto de 2022, sendo que esse ‘empurrar com a barriga’ dos responsáveis coreanos atrasou a construção e o desenvolvimento do Hyundai i20 Rally1 com consequências nefastas para a equipas e para o campeonato, já que a Toyota passeou por completo na primeira metade da época.
A Hyundai recuperou competitividade, mas já era tarde para os seus pilotos lutarem por alguma coisa, mesmo pelo Campeonato de Construtores.
Portanto, o ano de 2022 foi atípico a esse nível, e Kalle Rovanpera aproveitou para se tornar no mais jovem Campeão de sempre da história de 50 anos do WRC. Com todo o mérito, mas com essas nuances…
Contudo, este ano não se espera nada de igual da M-Sport/Ford e da Hyundai, pelo que é bem provável que o que se viu na segunda metade do campeonato de 2022 se estenda a todo o WRC 2023, e se assim for, está garantido o espetáculo, pois sendo verdade que, em teoria, só a Toyota e a Hyundai lutarão pelo Mundial de Construtores, porque Pierre Louis Loubet não tem ainda arcabouço para grandes ‘andamentos’, do lado da Toyota e Hyundai, a luta pelos Construtores irá ser, seguramente muito interessante.

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Regras mudam pouco
Depois da autêntica revolução que foram os regulamentos de 2022, este ano há apenas ajustes. O ano passado viu pela primeira vez carros híbridos a lutar na frente dos ralis, também com um combustível 100 por cento isento de fósseis. A fiabilidade dos sistemas híbridos deu alguns problemas, especialmente na Hyundai, mas todas as equipas sofreram com isso.
As regras do WRC 2023 mudam pouco, fazendo um resumo, o WRC2 Júnior foi rebatizado Challenger, a WRC Masters abre-se aos Rally2/3/3/4/5 e R-GT.
Há alterações nas pontuações no WRC2. A quantidade de pneus para cada rali será simplificada, os organizadores são agora obrigados a ter Zonas HEV a mais de 10km dos troços de modo a permitir a regeneração normal das baterias.
Em 2023, por cada troço falhado devido a uma questão técnica que tenha a ver com o sistema híbrido, a penalização passa a 2 minutos em vez de 10 minutos. A Assistência dos carros P1 que tenham abandonado a prova passa a poder ser reparado em 4 horas, ao invés de três (incluindo os 45m de flexi-service e qualquer atraso máximo permitido entre dois controlos de tempo). No entanto, todos os carros devem ser recolocados no Parque Fechado pelo menos 4 horas antes do início da secção seguinte após um reagrupamento noturno. Deixa de haver assistência matinal nos ralis de terra, os carros P1 são limitados a uma janela de duas horas no flexi-service noturno, os dias de teste passam de 28 para 21, para cada equipa de fábrica. Por fim, uma boa notícia para os adeptos: passa a ser exigida uma Câmara de Alta Velocidade nos P1 o que significa que as imagens onboard vão ser bem melhores…
Quanto às alterações ao calendário, o detalhe pode lê-lo em separado, mas serão treze ralis, nove na Europa e quatro fora, um na América do norte, outro na América do Sul, um em África, outro na Ásia. Regressam o México e o Chile e a novidade absoluta é o Rali da Europa Central.

Quem são os favoritos
Assim de repente, Kalle Rovanpera, Thierry Neuville e Ott Tanak. Numa segunda linha, Elfyn Evans. Duvidamos que Esapekka Lappi o consiga, mas nunca se sabe.
De resto, Sébastien Ogier deve disputar cinco provas com a Toyota e quanto a Sébastien Loeb, vamos ver. Para já falhou o Monte Carlo, mas é possível em vários eventos. Quantos e quais é que não se sabe.
As equipas são as mesmas, M-Sport/Ford, Hyundai e Toyota, nos pilotos houve várias trocas. Na M-Sport Ford (Ford Puma Rally1) Ott Tänak trocou a Hyundai pela Ford, e terá a seu lado Pierre Louis Loubet.
Na Hyundai Shell Mobis WRT (Hyundai i20 N Rally1), ao lado de Thierry Neuville estarão Esapekka Lappi, vindo da Toyota, Dani Sordo, que deve fazer oito provas, e Craig Breen que começa na Suécia, sem se saber quantas mais provas vai fazer.
Na Toyota Gazoo Racing WRT (Toyota GR Yaris Rally1) Takamoto Katsuta foi promovido à equipa principal, mantêm-se Elfyn Evans e o Campeão de 2022, Kalle Rovanperä com Sébastien Ogier a cumprir um programa que ainda não totalmente determinado.
A Toyota Gazoo Racing WRT parte, em teoria com maiores possibilidades de vencer de novo os construtores, é a equipa a bater, muito competente e trabalhadora
A Hyundai Shell Mobis WRT mostrou o ano passado na segunda metade do ano que recuperou da ‘doença’ inicial, mas no fim do ano perdeu Ott Tanak, que ganhou três ralis no ano passado. Com Neuville, Lappi e Breen, vamos ver o que conseguem fazer. É uma completa incógnita, especialmente os dois pilotos que chegam agora à equipa.
Por fim na M-Sport/Ford WRT , com Ott Tanak tudo terá que ser diferente. O estónio é claramente piloto para lutar pelo título, se tudo à sua volta se alinhar.
A equipa vai trabalhar quase exclusivamente para ele, mas por outro lado, ter só um piloto capaz de lutar na frente deixa a equipa exposta. Por isso é importante perceber quantas provas pode fazer.
Quanto ao que pode fazer os pilotos, de Kalle Rovanpera não se espera menos que repetir o título, sendo certo que vai ter mais oposição, especialmente de Ott Tanak, que, para nós, caso tudo seja normal na M-Sport/Ford, é a par de Rovanpera, o principal candidato ao título.
Thierry Neuville pode finalmente lá chegar, mas tem que inverter a tendência dos anos anteriores, em que esteve abaixo do que fez em 2017 e 2018, por exemplo. Elfyn Evans teve um ano de 2022 difícil, portanto há que perceber depois das primeira três ou quatro provas, se recupera aos níveis de 202º e 2021 ou permanece no registo de 2022 em que se adaptou mal aos Rally1.
Esapekka Lappi trocou de equipa e só isso é algo que tem de ultrapassar, mas pode fazer uma boa época. Já Craig Breen, tem que ultrapassar 2022, senão vai sair rapidamente do WRC. De Dani Sordo espera-se o mesmo dos anos anteriores e de Takamoto Katsuta que cresça mais um pouco. O mesmo se pode dizer de Pierre-Louis Loubet. Por fim, dois ‘monstros’ dos ralis: Sébastien Ogier e Sébastien Loeb. Deles, só podemos acrescentar um pedido: “ continuem a correr mais alguns anos, os adeptos agradecem…”

Tags: WRC
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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