Rali de Monte Carlo/PEC12, Oliver Solberg: como se vence um troço mesmo saindo de estrada

Por a 24 Janeiro 2026 12:45

Oliver Solberg-Elliott Edmondson (Toyota GR Yaris Rally1) sobreviveram a uma saída de estrada e ainda assim fizeram o melhor tempo na especial. Um enorme susto para o jovem sueco, que vinha a ganhar 12.7s a Elfyn Evans e quase trinta a Ogier, do nada, saiu de estrada e teve muita, muita sorte em fazer um percurso de 360 graus na neve fora de estrada, apontou o carro para a estrada e foi ‘à bruta’ que ‘saltou para o ‘asfalto’. Danificou o para choques, e no final via rádio foi aviso por Kaj Lindstrom quando a possíveis danos no radiador. Muita, muita sorte para o jovem sueco, mas pelos vistos, ‘safou-se’, vamos ver o carro não ficou danificado.

Solberg fez o melhor tempo, 1,9s na frente de Elfyn Evans-Scott Martin (Toyota GR Yaris Rally1) e 18.2s face a Sébastien Ogier-Vincent Landais (Toyota GR Yaris Rally1) que confessou ter tirado pé porque o troço estava demasiado perigoso. Houve várias saídas de estrada, Gregoire Munster brilhou apesar de um pião, Sami Pajari (Toyota) abandonou ao ir contra uma árvore, Hayden Paddon (HYundai) esteve vários minutos fora de estrada a ver como lá voltava, ajudado pelos espectadores, mas não foi fácil, Jon Armstrong parou na lama, e a slush derretida, num troço dos mais cruéis que vimos em muito tempo. Claramente a sorte e a sobrevivência valeram mais que o andamento puro. Para que se perceba como estava o troço, Roberto Daprà-Luca Guglielmetti (Skoda Fabia RS Rally2) fez o quarto tempo da especial na frente de Adrien Fourmaux-Alexandre Coria (Hyundai i20 N Rally1), Grégoire Munster-Louis Louka (Ford Puma Rally1), Léo Rossel-Guillaume Mercoiret (Citroen C3 Rally2), Thierry Neuville-Martijn Wydaeghe (Hyundai i20 N Rally1), Jon Armstrong-Shane Byrne (Ford Puma Rally1), para não falar em Takamoto Katsuta-Aaron Johnston (Toyota GR Yaris Rally1), Joshua Mcerlean-Eoin Treacy (Ford Puma Rally1) e Hayden Paddon-John Kennard (Hyundai i20 N Rally1). Um troço incrível!

Paralelamente, Nikolay Gryazin-Konstantin Aleksandrov (Lancia Ypsilon HF Rally2) saíram de estrada, ficando ‘plantados na neve’. ainda estavam na luta para vencer o WRC2, mas isso acabou agora.

Léo Rossel-Guillaume Mercoiret (Citroen C3 Rally2) lideram agora com 1m27.7s de avanço para Roberto Daprà-Luca Guglielmetti (Skoda Fabia RS Rally2) com Eric Camilli-Thibault De La Haye (Skoda Fabia RS Rally2) em terceiro a mais 20.3s.

Filme da especial

Quando os Rally1 se lançaram a PEC12 La Bréole / Bellaffaire 2, a mais longa especial do rali, já se sabia que ia haver ‘festa’. Uma mistura diabólica do antigo La Bréole-Selonnet com os trilhos dos anos 2000 de Turriers: estreita e acidentada na floresta inicial com pequenos saltos, técnica mas rápida nos seis quilómetros seguintes, mais fluida após a chicane no cruzamento, depois subidas coladas à face rochosa da montanha e descidas rápidas em zonas florestais, terminando em campos abertos com curvas curtas e ritmos elevados.

Mas o problema não era a estrada, foi o que lá caiu nos últimos dias, e como esta estava. A manhã menos fria transformou o piso em ‘sopa’ traiçoeira, gelo, neve, lama, água, um tapete de lama derretida que ‘ignorava’ qualquer tipo de pneus. O que tinha dado jeito aqui eram pneus de neve da próxima prova, na Suécia…

O drama explodiu logo aos 1,4 km: Pajari lançava o GR Yaris contra uma vala e depois uma árvore, parou-o. O radiador ficou danificado, e a equipa fora de prova. A Hyundai alertava Neuville pela rádio para evitar o sector fatal. Munster fez um pião numa direita cega, o Ford Puma rodou 360 graus mas recuperou bem. Paddon deslizava aos 5,7 km numa curva à direita, os fãs empurraram o Hyundai de volta depois de vários 360 graus na neve, e depois quando conseguiu, esperou para Neuville passar, jogada inteligente de sobrevivência. Armstrong parava brevemente aos 13,4 km, Fourmaux imobilizava-se 10 segundos no mesmo ponto, ambos os Hyundai e Ford a dançar na lama pegajosa que não se ‘evaporava’ de maneira nenhuma.

As estradas pioraram muito face à manhã, slush espesso e imprevisível onde os pneus bloqueavam em vão. McErlean emergia primeiro, rosto crispado após 25:16.2: “Com slush alternamos entre subviragem e sobreviragem fora da linha. Perdemos muito.” O navegador de Takamoto Katsuta lia notas do telemóvel, ajustes tardios! Enquanto Johnston gritava informações parciais dos batedores: 24:41.8. “Definitivamente pior. Muito misto e difícil na sopa, zero aderência. Aaron fez bem com informação parcial, faltavam os últimos quilómetros.”

Munster marcava o melhor registo provisório com 23:54.4 apesar do pião: “Perdi 10 segundos no pião. O diferencial não sabe o que fazer entre grip, slush e gelo. Só jogas com o travão de mão e rezas.” Neuville rodava como passageiro: 24:04.3. “Fui passageiro do início ao fim, sem controlo, disse-o 10 vezes ao Martijn. Tocas na slush e a traseira sai.” Fourmaux e Neuville faziam piões algures no caos, Paddon confessava 29:07.5: “Condições terríveis. De manhã foi divertido, agora slush e lama que o pneu não limpa. Preocupado com os espectadores no pião, por favor tenham cuidado.” E tinha toda a razão porque momentos depois uma saída quase levava dois espectadores…

Evans liderava os ‘splits’ por 1,2s sobre Ogier mas terminava com 23:22.6: “Inacreditável. Pensas que melhora, mas o carro treme de nervoso.” Ogier recuava: 23:43.5. “De manhã era agradável, agora slush e lama estavam impossíveis. O pneu não evacua.” Então Solberg, líder do rali, mergulhava num campo numa saída nevada mas regressava à estrada com coração na boca, e ainda assim 23:08.3, 1,9s mais rápido que todos. “Não sei o que aconteceu, fui tão cuidadoso. Segui os sulcos mas na saída era neve pura. Tive uma sorte enorme. O tempo mostra que podia ter tirado mais o pé.” Que sorte teve o sueco! Sorte de Campeão?

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