Rali da Croácia: Evans lidera ataque ao asfalto, Hyundai sob pressão
Três provas, três vencedores diferentes e um campeonato ao rubro: é neste contexto que o WRC chega ao primeiro rali integralmente em asfalto de 2026, na Croácia, onde 51 equipas de 23 países vão enfrentar perto de 300 quilómetros competitivos em classificativas rápidas, técnicas e de aderência muito variável.
Com nova base em Rijeka e um percurso profundamente revisto, o Rali da Croácia promete ser o primeiro grande teste puro de performance desta época, num cenário em que Elfyn Evans e Scott Martin partem na frente do campeonato, mas com forte oposição de Oliver Solberg, Takamoto Katsuta, Sami Pajari e das formações da Hyundai e da M‑Sport.
Asfalto, aderência mutável e margem mínima
A mudança do quartel‑general para a zona do Adriático, com especiais na região do golfo de Kvarner e na península da Ístria, trouxe um traçado marcado por constantes alterações de piso, variações de largura de estrada e diferenças de elevação, tanto em estradas costeiras como em troços de montanha.
A própria organização alerta que, à mínima chuva, o asfalto junto à costa pode transformar‑se numa autêntica “pista de gelo”, enquanto as superfícies mais abrasivas do interior tornam a gestão de compostos mais macios, um exercício delicado ao longo das especiais.
A descrição encaixa na leitura de vários pilotos, que equiparam o desafio a uma versão mais compacta de Monte Carlo, com mudança constante de referências de aderência e leitura de estrada.
Não por acaso, a prova tem histórico de decisões por escassos segundos, algo que se espera repetir num fim de semana em que o ritmo e a confiança desde a primeira curva tendem a ser decisivos.
Evans em forma e Toyota com múltiplas cartas
Elfyn Evans e Scott Martin chegam à Croácia com um registo impressionante em asfalto: duas presenças no pódio e uma vitória na prova, somadas a uma série de dez ralis consecutivos em piso selado, sempre entre os três primeiros desde o triunfo no Japão, há três anos. Por isso, tem aqui a oportunidade de cumprir o que designou para esta época: arriscar mais ao invés de ‘assegurar’ bons pontos. Mais risco, mais possibilidades de vencer, mas também de errar…
Apesar do abandono duro de sábado no Safari, a dupla da Toyota lidera o campeonato com oito pontos de vantagem, beneficiando também de uma posição de partida em estrada potencialmente favorável nas primeiras especiais croatas.
Oliver Solberg e Elliott Edmonson ocupam o segundo lugar da classificação, mas trazem memórias contrastantes da Croácia: um top‑10 arrancado a ferros em 2023, com piões e furos, e um abandono em 2022 quando o carro se incendiou na nona especial. Desde então, porém, a dupla venceu a sua categoria em asfalto nas últimas três tentativas, o que alimenta a expectativa de um ataque mais consistente nesta edição.
Takamoto Katsuta e Aaron Johnston aparecem também em alta moral, após uma vitória muito celebrada no Safari Rally Kenya — a primeira do japonês em 94 presenças no WRC — que “matou o borrego” e devolveu confiança à dupla, agora a 11 pontos de Evans. O último pódio de Katsuta em asfalto remonta ao Japão 2022, mas o momento de forma e a crescente maturidade competitiva tornam‑no num candidato real a prolongar o bom momento na Europa.
Sami Pajari, campeão de WRC2 em 2024, chega à Croácia com dois pódios consecutivos e três em cinco provas, numa progressão discreta mas sólida que já o levou ao quinto lugar do campeonato. Reconhecido pela eficácia em pisos mais lisos, o finlandês surge como potencial “surpresa anunciada” num fim de semana que, em teoria, se adequa bem ao seu estilo e ao de Marko Salminen.
Hyundai procura resposta e consistência
Do lado da Hyundai, o melhor resultado histórico na Croácia continua a ser o segundo lugar de Ott Tänak em 2022, sinal de que a marca ainda não conseguiu quebrar o domínio da Toyota neste cenário.
Adrien Fourmaux, quinto em 2021, chega agora num patamar diferente: mais afirmado internamente e como melhor não‑Toyota da época, na quarta posição do campeonato, com ambição clara de reduzir a diferença para a frente.
Thierry Neuville e Martijn Wydaeghe trazem dois terceiros lugares em solo croata, mas têm sofrido para encontrar consistência desde o título mundial de 2024, o que faz de um eventual regresso ao pódio um objetivo realista e, internamente, considerado positivo. Hayden Paddon, regressando à rotação do terceiro carro da Hyundai, encara a prova como extensão natural da estreia na era Rally1 em Monte Carlo, embora nunca tenha competido aqui e tenha de adaptar a experiência do Europeu a um contexto de WRC.
M‑Sport aposta no passado de Armstrong e no potencial de McErlean
Na M‑Sport, os holofotes apontam para Jon Armstrong e Shane Byrne, estreantes em Rally1 mas com histórico forte na Croácia: vitória no Europeu em 2025 e triunfo no Junior WRC quatro anos antes: “Quando vais para um rali que já fizeste no passado, ganhas confiança por saberes ao que vais e que desafios te esperam”, explicou Armstrong, sublinhando que essa familiaridade permite “ir com um pouco mais de ataque”.
Face ao que mostraram na estreia na categoria maior, Armstrong e Byrne assumem a ambição de lutar pelo primeiro top‑5 da M‑Sport em 2026, algo que também serviria para consolidar o projeto desportivo da equipa nesta nova fase.
Josh McErlean e Eoin Treacy, que se estreiam na prova, chegam com um registo menos robusto em asfalto — apenas duas chegadas em cinco ralis deste tipo desde que subiram ao WRC — e terão como prioridade terminar e ganhar quilómetros num cenário novo e complexo.
Com a liderança dos ‘mundiais’ em aberto, um traçado renovado e um pelotão onde quase todos têm algo a provar, a Croácia promete quatro dias de ação ao limite.

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