Rali da Arábia Saudita: o novo desafio do WRC, que vai decidir um campeonato

Por a 14 Novembro 2025 08:31

Todos sabemos que o Dakar é bem organizado pela ASO (Amaury Sport Organisation) na Arábia Saudita, mas o próximo Rally da Arábia Saudita nada tem a ver, em termos de organização, com os homens que ‘fazem’, e bem, o Dakar.

A responsabilidade neste caso recai sobre a Saudi Automobile and Motorcycle Federation (SAMF) em parceria com a Saudi Motorsport Company (SMC), sob supervisão do Ministério do Desporto saudita. É a sua estreia no WRC e a FIA e o Promotor do WRC têm observado de muito perto tudo o que está a ser feito, de modo a que nada falhe, mas não há como esperar para ver…

A SMC é uma entidade estratégica criada sob a visão Vision 2030 da Arábia Saudita, com o objetivo de consolidar e expandir o desporto motorizado no reino. Já possui experiência significativa na organização de eventos de grande envergadura, incluindo a F1 Grand Prix (desde 2021 no circuito Jeddah Corniche), o Dakar Rally (desde 2020) e agora a série Extreme E. Esta experiência em infraestruturas de classe mundial e logística de eventos de pista oferece um modelo diferente do tradicional rally-raid do Dakar, mas que garante profissionalismo e organização de nível internacional. Neste aspeto, deverá estar tudo bem, pelos motivos aduzidos.

Localização, Base e Infraestrutura

O rally terá base permanente o Jeddah Corniche Circuit, o mesmo local que alberga o Grand Prix de Fórmula 1.

Esta escolha não é coincidência — a SMC aproveita a infraestrutura já existente: O parque de assistência fica muito perto do circuito, o edifício de Race Control funciona como Rally HQ, a disposição da pista permite zonas de reagrupamento e de serviço, estratégicas. A proximidade da cidade oferece logística facilitada. O evento, como se sabe, decorre entre 26 e 29 de novembro, como a 14ª e derradeira prova do campeonato mundial.

O Formato: percurso e classificativas

O Rally da Arábia Saudita 2025 contempla um total de aproximadamente 319 quilómetros de troços competitivos, distribuídos por 17 especiais de terra/cascalho/areia. O formato segue a estrutura padrão do WRC: duas Super especiais urbanas (particularmente o Jameel Motorsport Super Special, noturno) num traçado desenhado em piso de terra com pistas paralelas que se cruzam.

Dificuldades e características do terreno

O Rally da Arábia Saudita apresenta desafios muito específicos, diferenciados até do próprio Dakar que sendo muito mais extenso, tem muito mais variedade de pistas: no WRC o terreno é maioritariamente misto e abrasivo, mas sempre em terra, os troços combinam pistas de terra rápidas e fluidas com curvas amplas, taludes rochosos e vulcânicos, um desafio particular para os pisos dos veículos, passagens montanhosas com declives acentuados e curvas técnicas, vales com estrada esculpida em ‘desfiladeiro’ e ainda planícies de cascalho fino. Também, e naturalmente, secções de areia.

A natureza abrasiva do piso de terra com pedras é particularmente exigente para os pneus e suspensão dos carros, havendo risco elevado de danos estruturais em caso de agressividade excessiva.

Visibilidade e luminosidade variável

Após as 15h-16h, conforme o sol desce, a visibilidade torna-se mais complicada. As secções finais dos troços sofrem impacto de luz lateral e sombras que tornam difícil avaliar topos cegos e a textura das pistas. As super-especiais noturnas acrescentam iluminação artificial, mas o contraste com os troços regulares continua a ser um fator de risco significativo.

Navegação em terreno desconhecido

Ao contrário de ralis europeus onde existem dados históricos, o Rally da Arábia Saudita é essencialmente novo para equipas de WRC. A falta de telemetria prévia significa que as equipas têm de confiar em notas estratégicas do reconhecimento, dados limitados de topografia, ajustes rápidos de setup ao longo do fim de semana.

Neste particular as equipas já tiveram que fazer muito trabalho de casa, por exemplo Juho Hanninen participou no Rali da Arábia Saudita do Campeonato de Ralis do Médio Oriente, que se realizou em maio, para os lado da M-Sport/Ford, Nasser al Attiyah vai ser uma grande ajuda, mas os troços não são os mesmos, pelo que as equipas vão ter muito que olhar para mapas, fotografias, vídeos das provas locais, e naturalmente, falar muito com quem já corre naquelas bandas há muito.

Desta feita, o que tem menos importância são os vídeos dos troços, porque os reconhecimentos vão ter que se especialmente detalhados. A isto junta-se o facto dos carros terem já de levar uma afinação base, a escolha de pneus está feita há muito, mas quando as equipas lá estiverem, muito vai ser de última hora, porque não há nada igual ao contacto com a realidade no terreno.

Quanto às condições climáticas, em novembro, a Arábia Saudita normalmente oferece temperaturas moderadas (15-25°C), possibilidade de vento do deserto que pode alterar a superfície, variabilidade em termos de aderência devido à humidade do ar próximo do Mar Vermelho.

Perspectiva final

O Rally da Arábia Saudita 2026 representa um passo significativo para o WRC em direção à globalização — é a primeira vez que o campeonato visita o Médio Oriente como ronda principal. A SMC, apoiada pela experiência acumulada com F1 e Dakar, está bem posicionada para entregar uma prova de qualidade internacional.

O terreno promete ser exigente e imprevisível, diferente de qualquer outro rali no calendário atual, o que torna esta prova uma verdadeira novidade competitiva para equipas e pilotos. Tendo em conta que está em jogo a luta pelo título, e a curta margem entre Elfyn Evans e Sébastien Ogier, todo e qualquer detalhe conta.

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1 comentários

  1. [email protected]

    14 Novembro, 2025 at 11:09

    … incluindo o facto que o Evans abre a estrada!
    (PODERÁ prejudicá-lo)

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