OPINIÃO: que futuro para os ralis?
A propósito da Gala WRC50 que teve lugar na Exponor durante o Rali de Portugal, era perfeitamente natural que com tanta ‘massa crítica’ junta, se falasse dos ralis e do seu futuro. Há correntes de todo o tipo e feito, mas nota-se que existe preocupação com o futuro dos ralis ao mais alto nível.
Mas não há drama, porque há soluções. Podem é não ser do agrado de todos…
O grande problema dos ralis hoje em dia é que as marcas têm muita dificuldade em justificar os investimentos que fazem nas suas equipas face ao retorno que hoje em dia os ralis dão a essas mesmas marcas. Sem dúvida que é bom para as marcas que estão no WRC, pois muita gente vai comprar os seus carros por causa da ligação aos ralis, mas se isso fosse um bom negócio existiriam muitos mais construtores no WRC, e este não é só um mal do Mundial de Ralis mas da maioria das competições motorizadas, exceção feita à F1.
Nos últimos anos a Fórmula 1 teve a sorte de aparecer um Drive to Survive que trouxe e continua a atrair adeptos para a disciplina, isso, aliado ao facto dos últimos dois ou três anos ter havido muita competitividade em pista, e agora a F1 está a aproveitar esse balanço.
O que está a suceder ao WRC é consequência direta da indefinição e transição anárquica que o mercado automóvel está a sofrer em todo o mundo, o que já sucede há alguns anos, com uma pandemia, e agora com uma guerra pelo meio. Como é que uma marca que esteja à procura do seu caminho pode sequer pensar em vir para o WRC quando não sabe qual vai ser o caminho da indústria?
Só há uma solução a curto prazo para os ralis se manterem à tona – nem sequer admitimos ser possível um ‘boom’ de crescimento, simplesmente uma solução de transição que seria suficiente por mais uns anos até que os mercados finalmente se definam e se possam estabelecer caminhos certos.
Estes Rally1 vão sobreviver até 2024, e depois disso, aliás muito antes disso, vai ter que ser tomada uma decisão, que provavelmente passa por baixar drasticamente os custos dos carros de topo. Quase de certeza se vai agarrar nos atuais Rally2, dotá-los de um kit híbrido bem melhor que o atual, ‘kitar’ um bocado os carros da forma mais barata possível de modo a que pelo menos as marcas que já têm Rally2 possam dar o salto.
Não estou a ver outra solução para os ralis de topo num curto prazo, pois mudança para elétricos teria como consequência direta a alienação de uma percentagem muito grande dos atuais adeptos.
Acreditamos que em breve o WRC começará por ter uma categoria de elétricos, que se vai desenvolvendo lá pelo meio, ‘correndo’ em paralelo com a categoria principal, mas elétrico no topo penso que seja um erro. Veja-se o que sucedeu no ralicross (World RX).
E depois há outra questão que o atual Promotor do WRC vai ter que lutar com grande dificuldade. Tivesse o WRC o mesmo interesse nos restantes países que têm em Portugal e a modalidade estava muito bem, mas não é assim, e apesar do WRC ter muitos adeptos, não tem o que as marcas gostavam e precisavam de ter para justificar os seus investimentos.
Portanto, se o investimento é caro, há que adequá-lo ao putativo retorno, porque mesmo com uma grande alteração no tipo de carros de topo, talvez se percam alguns adeptos, mas na história do WRC isso já sucedeu de 1986 para 1987 e o bom trabalho feito a seguir recolocou rapidamente os ralis no seu bom caminho.
Quando a era WRC se iniciou em 1997 já ninguém lamentava o espetáculo que davam os Grupos B, porque os WRC em nada eram piores. Bem antes pelo contrário. Muito mais seguros e também muito espetaculares.
Foram as crises pós 2010 que tramaram o mercado automóvel e por inerência o WRC, e enquanto isso não estabilizar, só lá vai com paliativos.
O WRC precisa mesmo de atrair novos construtores, e isso ainda mais se agrava pelo facto de a Hyundai dar a entender que sempre se manifestou insatisfeita pelo trabalho que o promotor tem feito para garantir o retorno do avultado investimento coreano. Na transição para a era híbrida, a decisão sobre a sua continuidade terá estado tremida (a marca coreana sempre se mostrou apologista da tecnologia que recorre a combustível ‘celular’) e caso se coloque a possibilidade da sua não permanência para lá de 2024, o cenário ficaria ainda mais preocupante.
Por isso, cada vez mais se fala na solução que passa pela redução substancial de custos como o fator necessário para atrair outras marcas. Seja como for, algo tem de ser feito…
E ainda há outro pormenor, embora este seja transversal a todos os desportos motorizados. Veja-se como tem crescido a comunidade dos simuladores de ‘corridas’, sejam F1, pistas, ou ralis.
Achava-se que trariam adeptos para os desportos motorizados. Sim, é verdade, mas não na quantidade desejada.
As novas gerações não estão a ganhar gosto pelos desportos motorizados ‘verdadeiros’, (mais uma vez, alguns sim mas não os que se desejavam), mas sim a ganhar gosto por eles próprios competirem uns com os outros nas suas comunidades.
Essa sim, os simuladores em particular e a comunidade de ‘Games’ cresce desalmadamente em todo o lado. E porquê mais jovens não se tornam adeptos da F1, WRC, etc?
Porque a simulação está cada vez mais perto do real e para a grande maioria isso chega-lhes. Para quê apoiar outros, se podem apoiar-se a si próprios?
E como é que desconfio fortemente disso? Conheço dezenas de ‘malta’ dos ‘sims’, e 10% foi ao Rali de Portugal…
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cumartins89gmail-com
27 Maio, 2022 at 21:27
Nem todas as marcas conseguem ter a capacidade técnica de evolução do WRC. Veremos o que trará de novo o canal WRC