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OPINIÃO: OS PERIGOS DA CORRIDA AO WRC

José Luis Abreu by José Luis Abreu
11 Abril, 2019
in Destaque Homepage, Newsletter, Newsletter destaque, Ralis, Sapo, WRC
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Rali Safari pode voltar ao WRC: África minha…

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Estarei eu a ver um novo mundo corajoso pela frente, ou apenas problemas? Os primeiros dias de abril permitiram-me assistiram a duas explosões especiais de energia no mundo do WRC. Os organizadores do Rali Safari, no Quénia apresentaram o percurso para o seu evento candidato ao WRC, previsto ser realizado no início de julho, que deverá conduzir a um regresso ao Campeonato do Mundo de Ralis em 2020.

No Japão, um ministro do Governo exaltou a causa do regresso do seu país ao WRC, algo excitante para os meios de comunicação e adeptos locais. Com sons promissores recentes também vindos da Estónia, a quem foi concedido o estatuto de ‘Evento Promocional Oficial do WRC’ – o que quer que seja que isso possa significar – o mundo dos ralis está a borbulhar, uma impressão que agrada tanto à FIA quanto aos promotores do WRC.

O Rali Safari está fora do WRC desde 2002, até que experientes amigos do rali intervieram e assumiram o controlo de uma equipa organizativa em ruínas. Logo na altura, delinearam um percurso de fácil acesso ao novo parque de assistência central obrigatório, num local ad-hoc nas planícies arenosas perto de um vulcão extinto, no Vale do Rift. O rali deste ano regressa a essa área, mas agora existem algumas novas instalações na zona e por isso foi dado mais tempo à organização.

Embora o Rali Safari tenha entretanto prosseguido a nível nacional, os conhecimentos em matéria de organização ‘mundial’ evaporaram-se.
Quer as memórias dos notáveis eventos do Rali Safari nos anos setenta e oitenta possam ou não ser revistos, a simples reputação destes eventos proporciona suficiente impulso para a continuação do atual projeto que visa culminar com o regresso do Rali Safari ao WRC.

Mudando de continente, o evento candidato japonês surge na sequência de um evento experimental realizado no ano passado na parte sul de Honshu, muito longe dos locais dos eventos anteriores do WRC no Japão, que terminaram em 2010.

E, desta vez, está prevista a realização do evento em asfalto. Não foram realizadas grandes provas sobre asfalto no Japão, no passado, apenas pequenas troços de campeonatos nacionais.

A única perspetiva positiva relativa a este projeto é que o volume de carros de ralis homologados disponíveis para correr no país deverá significar que o Rali do Japão tem a capacidade de ultrapassar o atual baixo apoio dos concorrentes nas atuais provas WRC de ‘longo curso’, México, Argentina e Austrália a que se junta este ano o Chile, prova da qual ainda não sabemos a ‘afluência’.

Há muitas questões por responder sobre os planos para a realização do rali japonês, soube-se recentemente que terá lugar a 9 a 10 de novembro, um novo rali ‘teste’, para treinar a equipa organizativa, isto cerca de dois meses após o calendário do WRC 2020 ter sido anunciado, mas mais detalhes sobre o evento só serão divulgados a 7 de Junho. Não se sabe quem realmente dirige o comité organizador.

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Tanto os ralis do Safari como do Japão estão a reentrar na cena da WRC e não como um novo participante, como o Chile. A olhar para esta questão de longe, parece que as perspetivas do Quénia têm a bênção entusiasta da FIA, e que o Japão goza do apoio do Promotor do WRC.
Isto iria imediatamente lançar o desenvolvimento do WRC para o domínio da política no desporto automóvel.

Até que ponto a inclusão destes dois eventos em particular irá melhorar o desporto, ou pelo contrário, prejudicá-lo? E será que alguma rivalidade entre a FIA e o Promotor do WRC irá ‘ferver’ e causar danos colaterais?
Os danos colaterais assumiriam a forma de eventos atuais do WRC serem expulsos do campeonato. Nos últimos tempos, os meios de comunicação social têm divulgado notícias segundo as quais vários eventos europeus enfrentam a ameaça de serem excluídos do WRC, quer seja por simplesmente não serem selecionados, ou por estarem sujeitos a pressões financeiras para igualar eventos mais recentes.

Há um fator que não está a ser levado muito a sério é o património precioso da história por detrás dos eventos europeus, que são atualmente rondas do campeonato e fazem parte dos alicerces da competição desde a sua fundação.
Uma tendência recente e infeliz dos meios de comunicação social é mostrarem-se entusiasmados com os planos para países em novos lugares, esquecendo que cada novo evento ameaça a existência de um evento atual.

Haverá alguma forma de alcançar o objetivo de mais eventos sem que um machado caia sobre inocentes eventos existentes? A FIA ressuscitou recentemente algumas soluções, infelizmente sem se aprofundar em experiências do passado.
Uma possibilidade para ganhar tempo necessário para colocar eventos extras é reduzir o período de tempo dos eventos existentes de três dias. Nos tempos anteriores à finalização do atual formato standard do WRC, realizou-se uma prova de dois dias na Suécia, em 1987.

Foi impopular do lado da comunicação social, porque o número de ocasiões em que os carros podiam ser vistos foi muito reduzido e também para as empresas locais que ajudaram a financiar a organização.
Outra ideia era condensar o período total de trabalho para o evento, fundindo o período de reconhecimentos nos dias do rali.
Este conceito culminou com a fórmula ‘Mille Pistes’ do WRC na Nova Zelândia em 2004, que foi rapidamente abandonada devido a ser universalmente impopular.

Uma ideia recentemente relançada foi a dos ralis transfronteiriços, uma forma de dar a dois países a oportunidade de partilharem a sua participação no mesmo evento do WRC. Isto foi experimentado por várias razões, por exemplo, os organizadores do Rali da Suécia estão atualmente a fazer disputar troços na Noruega, de modo a reduzir o risco de perder troços se o tempo não estiver suficientemente invernoso para ter troços satisfatórios apenas na Suécia. No entanto, o conceito de procurar apoios partilhados entre dois países não é comercialmente atrativo.
Por último, há o conceito de alternância de eventos do WRC. Outra ideia falhada.

A FIA lançou este sistema entre 1994 e 1996 mas isso resultou numa quebra grave no ritmo de organização dos eventos envolvidos. Este conceito foi proposto para a Austrália e a Nova Zelândia, mas nunca chegou a tomar forma.

Até agora, ainda não foi concebido nenhum plano viável para envolver mais países. A atual temporada de 14 eventos não é o maior calendário de sempre do WRC. Entre 2004 e 2007 teve lugar um calendário de dezasseis provas, mas em 2008 a crise financeira global que afligiu o mundo, resultou no facto de que nenhuma equipa ou organização do WRC pôde continuar a competir na mesma escala financeira que existiu até ali.
Em dois anos o calendário ficou reduzido a doze eventos, e só em 2019, depois de nove anos com treze provas, o calendário voltou às catorze provas.

A FIA deseja proporcionar a todos os países membros da federação provas de desporto automóvel de prestígio, o promotor do WRC procura a oportunidade de introduzir ‘nova riqueza’ no desporto. Ambos desejam aumentar a estima pelo desporto. Ambos se dirigem para o mesmo objetivo, mas será que não vão colidir um com o outro na luta para alcançar seus objetivos? E quem vai sofrer em resultado disso?

Martin Holmes

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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