O dia 28 de fevereiro de 2024 pode ficar marcado na história dos Ralis como mais uma grande mudança, felizmente não pelas razões como a que teve lugar após a morte de Henri Toivonen e Sergio Cresto no Rali da Córsega de 1986, quando poucas horas após o acidente, Jean-Marie Balestre e a FISA decidiram congelar o desenvolvimento dos carros do Grupo B e proibi-los de competir em 1987, abrindo caminho à era do Grupo A, que durou até ao arranque dos World Rally Cars em 1997.
No Conselho Mundial da FIA que terá lugar nesse dia, pode ficar determinada a extinção já em 2025 dos Rally1 e o nascimento de uma nova era de Rally2 Plus, que se poderá denominar… WRC.
Há muitos rumores a circular, e quando se julgava que os regulamentos dos atuais Rally1 iriam durar até 2026, afinal podem não passar de 2024.
A preocupação da FIA e do Grupo de Trabalho encabeçado por David Richards e Robert Reid, é que com oito Rally1 a correr, como estamos a ver agora na lista de inscritos do Rali de Monte Carlo, o Mundial de Ralis tem grande potencial… para morrer.
As equipas querem rentabilizar os atuais Rally1 e levá-los até ao seu ‘contratado’ ciclo competitivo, mas a urgência do Mundial de Ralis em mudar o atual paradigma de custos e por inerência, quantidade de carros a participar na classe principal pode resultar numa medida de urgência, como a que sucedeu em 1986 depois de tudo o que sucedeu e se elevaram os Grupo A ao topo da disciplina.
Ironia das ironias, o novo nome da nova classe de carros deve ser… World Rally Car.
Não os mesmos que tivemos até 2021, mas por uma questão de custos, algo semelhante ao que existiu até 2016.
E qual é a forma mais rápida de o fazer? ‘Agarrar’ nos Rally2 atuais, ‘descobrir’ um kit que lhes permita ter mais aerodinâmica e potência, basicamente, e manter os custos muito, mas mesmo muito controlados.
Se o Grupo de trabalho e a FIA conseguirem convencer as equipas a embarcar numa situação destas, é verdade que o Mundial de Ralis perde os carros mais rápidos e espetaculares de sempre da história da competição, Grupos B incluídos, mas fica um enorme potencial de passar a ter mais do triplo de carros e pilotos na classe principal do WRC e isso é absolutamente primordial.
É verdade que comparar os WRC de 2016 (os novos rally2 Plus seriam mais ou menos isso em termos competitivos), com os de 2017-21 ou com os Rally1 em termos de espetacularidade, estes últimos ganham muito, mas se trocarmos isso com 24 carros na classe principal, talvez valha a pena. Mais lugares, mais pilotos na classe de topo, mais oportunidades, menos gastos.
A única coisa que temos a certeza é que como está o WRC vai morrer…
Apesar de tudo, não nos podemos esquecer que a FIA nunca pode obrigar as marcas a fazer ‘isto’ ou ‘aquilo’.
A FIA regulamenta, e as marcas aceitam ou vão-se embora. Mas como é lógico, é para isso que estão todos a conversar uns com os outros, a criar plataformas de entendimento. Mas vale todos cederem um pouco, do que qualquer dia ter que ir embora…
Uma coisa posso garantir, gostava de ver jovens como Emil Lindholm, Oliver Solberg, Sami Pajari, ou mesmo Pierre Louis Loubet, Teemu Suninen, Yohan Rossel, Marco Bulacia, Gus Greensmith, Nikolay Gryazin na classe principal juntamente com os que já lá estão.
Carros mais baratos, custos menores na classe principal do WRC abre também as portas a países que há muito não têm um piloto a correr na classe principal, como Portugal, por exemplo possa voltar a ter os futuros herdeiros de Rui Madeira e Armindo Araújo ou mesmo Bernardo Sousa, a correr mais consistentemente no WRC. O que no atual contexto é absolutamente impossível…
Vamos ver o que sucede até essa data e nessa data, cientes que algo vai mesmo ter que ser feito.
O quê, logo se vê…










