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Há 15 anos: WRC, Rali da Nova Zelândia 2007: Por…0.3 segundos!

José Luis Abreu by José Luis Abreu
1 Outubro, 2022
in Autosport Exclusivo, AutoSport Histórico, pv2, Ralis, WRC
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WRC ao limite: os duelos mais épicos do Mundial de Ralis

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Há 15 anos, bateu-se um recorde que ‘durou’ quatro anos no WRC. No Rali da nova Zelândia de 2007, Marcus Gronholm bateu Sébastien Loeb por 0.3s. Nessa altura, bateu-se o recorde que durava desde o Rali de Portugal de 1998 quando Colin McRae bateu Carlos Sainz por 2.1s, mas depois de Sébastien Ogier e Jari-Matti Latvala terem batido de novo o recorde em 2011, no Rali da Jordânia, colocando a fasquia nos 0.2s, depois disso já houve três ralis que entraram para o top: Argentina 2017, Thierry Neuville – Elfyn Evans, 0.7s, Sardenha 2018, Thierry Neuville – Sébastien Ogier, 0.7s e Croácia 2021, Sébastien Ogier – Elfyn Evans, 0.6s.

Três décimos de segundo bastaram para que Marcus Gronholm batesse Sébastien Loeb no Rali da Nova Zelândia e aumentasse ainda mais as suas possibilidades de chegar ao tricampeonato. Literalmente, num piscar de olhos…

Não há memória de uma coisa assim. Nunca um rali do Mundial registou uma diferença entre vencedor e vencido tão pequena, fazendo o antigo recorde de Colin McRae, que no Rali de Portugal de 1998 derrotou Carlos Sainz por 2,1 segundos, quase parecer… uma eternidade! No Rali da Nova Zelândia, foram apenas 0,3 segundos que fizeram a diferença entre Marcus Gronholm se registar como sócio número 2 do “clube das 30 vitórias”, e o “sócio
numero um” deste restritíssimo clube, Sébastien Loeb, deixar escapar aquele que seria o seu 34º triunfo!
Um feito com entrada direta para o livro Guiness dos recordes e que no final de 353 quilómetros de classificativas, representaria, figurativamente, uma diferença de sete metros entre as chegadas à meta de Gronholm e Loeb e sem o mais ínfimo erro de condução registado nas “caixas negras” do Focus e do C4! Por tudo isto, é difícil e até injusto dizer que houve um vencedor e um vencido, quando, há nove anos, altura em que foi introduzido o sistema de cronometragem ao décimo de segundo no Mundial de Ralis, teria sido Loeb a vencer por… um segundo! Mas a verdade é que os tempos mudaram e o índice de competitividade entre os pilotos, pelos vistos, também…
Batido pelos deuses Com um hiato de tempo difícil de perceber até pela mente humana, torna-se quase impossível encontrar a chave da vitória de Marcus Gronholm. Mas, ao que parece, a verdadeira “agulha no palheiro” foi descoberta no fator “pneus”, onde as escolhas dos pilotos e dos seus técnicos de aconselhamento acabaram por ditar o desfecho deste memorável rali. Se ambos erraram algumas vezes, foi na terceira e última etapa que a importância de ter a mistura mais acertada e os cortes mais perfeitos subiu de tom. Com efeito, para segunda e decisiva ronda de troços, Loeb “calçou” o C4 com pneus mais duros que o Focus de Gronholm e foi aí que, porventura, se lhe terá escapado, por entre os dedos, a vitória, já que as ameaças de chuva nunca se concretizaram e, consequentemente, as especiais nunca se encontraram húmidas.
Como dizia Daniel Elena, navegador de Loeb, «sempre que concluímos um dos três últimos troços, caíram uns pingos de chuva, mas sempre tarde demais! Demos o nosso melhor, mas acabámos batidos pelo tempo!».
Para Gronholm, o triunfo acabou por assentar como uma luva em termos de Mundial de Pilotos. Com 50 pontos ainda em jogo, o piloto da marca oval tomou claramente as rédeas do campeonato, “só” precisando de gerir agora até ao final os dez pontos que tem de vantagem sobre o piloto da Citroen. Evidentemente que mesmo depois de passar a “bola da pressão” para o seu adversário, o Bicampeão do Mundo está longe de poder encostar-se à sombra das seis vitórias já conquistadas esta temporada, até porque os dois próximos ralis são de asfalto e aí, pelo menos teoricamente, a sua desvantagem é clara.
Fora deste ambiente, está já Mikko Hirvonen que terminou o rali em terceiro, mas sem nunca sequer conseguir ser uma ameaça consistente para os dois “heróis” neozelandeses. Uma escolha errada de pneus, ainda na primeira etapa, hipotecou todas as suas possibilidades de suportar o ritmo dos homens da frente, pelo que, na sua habitual inteligente gestão estratégica, cedo se conformou com o último lugar do pódio (pela sexta vez este ano), voltando a mostrar porque é mais útil à Ford do que Daniel Sordo à Citroen, no “braço de ferro” que os dois construtores travam ao nível do campeonato de Marcas.
Quanto a Sordo o espanhol não foi, desta feita, além do sexto lugar, depois de um prestação pouco convincente, onde marcou na folha de ocorrências um pião como único problema e, portanto, sem ter experimentado qualquer adversidade mecânica.
Réplica aproximada Assim, não foi difícil a Chris Atkinson e Jari-Matti Latvala ganharem protagonismo, até porque numa réplica aproximada do que se passou na liderança do rali, os dois pilotos imiscuíram-se numa agradável contenda, que terminou favorável ao piloto da Subaru por… 4,6s.
De resto, esse foi o melhor momento do fim-de-semana para a equipa liderada por Richard Taylor e que voltou a ver Petter Solberg tão desmotivado como impotente para recuperar a competitividade do Impreza. Aliás, para a família Solberg os dias “cinzentos” continuam no horizonte uma vez que Henning voltou a fazer uma prova para esquecer, arrastando o segundo Ford Focus da equipa Stobart até ao nono lugar, depois de nunca ter mostrado ter ritmo para discutir o “top five”. Em nível semelhante, apresentou-se Manfred Stohl que, desta feita, defendeu sozinho as cores da formação da OMV Kronos Citroen e que deixou no quarto tempo registado na penúltima classificativa uma ilusória ideia de competitividade.
Depois de sair de estrada logo no início, o austríaco nem logrou oferecer qualquer ponto à sua equipa, acabando largamente batido em termos de projeção mediática por Urmo Aava, que colocou o Mitsubishi Lancer WRC na oitava posição. Para o estónio que procura afincadamente um lugar numa das equipas oficiais no próximo ano, depois do sétimo lugar obtido na Finlândia, esta voltou a ser mais uma clara demonstração de valor, com um carro que acusa já o peso do anos e que deverá ter realizado na Nova Zelândia, presumivelmente, a sua última prova no Mundial.

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Armindo Araújo e Miguel Ramalho estiveram muito perto de fazer história naquela que foi a sua terceira participação no Campeonato do Mundo de Produção. A dupla da Mitsubishi TMN/- Galp chegou a estar no comando da classificação após a etapa inaugural, para depois se atrasar irremediavelmente devido à quebra do diferencial traseiro. Num ápice, o sonho viria a transformar- se em pesadelo, acabando o sexto lugar final por ser o resultado possível nesta primeira deslocação à Nova Zelândia. Prenda amarga Mais uma vez, a sorte voltou a não acompanhar o piloto português que, logo no segundo troço da segunda etapa, precisamente no dia em que festejava mais um aniversário, viu o diferencial traseiro do Mitsubishi perder toda a sua eficácia e acabar com a esperança de uma primeira vitória no PWRC.
Apesar disso, e como destaca Armindo, o balanço acabou por ser «muito positivo, já que vir à Nova Zelândia pela primeira vez, ganhar dois troços e chegar a liderar é sempre moralizador, mais a mais porque nos deixa com a certeza de que podemos lutar pelas vitórias nesta campeonato. Infelizmente, o sexto lugar conquistado, depois do problema com o diferencial, não é tão positivo como a impressão que deixamos aos nossos adversários… Mas aprendemos muita coisa e saímos daqui razoavelmente satisfeitos». O título esfumou-se nesse ano… mas chegaria, a dobrar, como bem sabemos.

Martin Holmes c/Filipe Pinto Mesquita

Tags: WRC
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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