FIA ‘quer’ WRC com estrutura do estilo MotoGP
A FIA está a estudar implementar no Mundial de Ralis uma estrutura de construtores/equipas semelhante ao MotoGP em que existem marcas oficiais mas também várias equipas-cliente com boas condições de se baterem pelos primeiros lugares. De acordo com declarações de Jarmo Mahonen ao Motorsport, a FIA está um pouco preocupada pelo facto dos construtores do WRC terem demasiado poder, e este recente impedimento de poder ter os VW Polo WRC 2017 a correr é um bom exemplo disso mesmo. De qualquer forma, o que Mahonen não disse é que estes simplesmente se agarraram às regras que existem, e todos concordaram, inclusivamente a VW.
A ideia é fazer coexistir os construtores oficiais como existe no MotoGP, mas essencialmente criar condições para que as equipas cliente possam também vencer ralis. É uma boa ideia em teoria, mas nada fácil de implementar, e a primeira razão são os custos, que no caso dos WRC são mais elevados do que as equipas-cliente no MotoGP. O orçamento anual até é capaz de não ser muito diferente, mas enquanto os ralis têm 13 provas no MotoGP são 18 corridas bem espalhadas por todo o Mundo, ao invés da ‘centralização’ europeia do WRC.
A ideia base passa por ter equipas, como a recente Jipocar de Mads Ostberg e Martin Prokop com muito maior relevância no WRC. No MotoGP, os seis atuais construtores, Aprillia, Ducati, Honda, KTM, Suzuki e Yamaha, ‘alimentam’ doze equipas e é algo semelhante que se pretende no WRC. Mas para isso, no MotoGP, são oferecidos incentivos para o fornecimento de equipas-cliente, e por exemplo em 2016, depois de muitos anos só com triunfos ‘oficiais’, três corridas foram ganhas por equipas cliente em 2016.
“Temos vindo a discutir, há dois ou três anos esta questão de mudarmos para um campeonato de equipas ao invés de construtores, mas com lugar para estes. Está na agenda, vamos ver o que se pode fazer para lá de 2018. Não devemos cortar laços com os construtores, e os ralis são a única disciplina onde os construtores estão verdadeiramente representados, mas há que modernizar a questão”.
A ideia passa por fazer um pouco como a M-Sport já faz há muito, que constrói carros para clientes, mas as restantes não. E a FIA pretende instituir um sistema de incentivos que tornem vantajoso aos construtores venderem carros para equipas e dessa forma pode haver bem mais WRC. Mas para chegar a esse objetivo a FIA tem que encontrar uma forma de controlar os custos, pois historicamente o grande problema é que deixa os custos escalarem e isso reflete-se sempre na quantidade de carros de topo na competição.
Mads Ostberg é de opinião que uma equipa independente pode vencer no WRC, e no seu caso o facto de ter tido o carro muito em cima da hora impediu-o o de testar o que precisava para se poder bater com os restantes pilotos. Logicamente, as equipas oficiais vão ter sempre os melhores pilotos e a melhor estrutura, pois quem pensa que carros iguais são suficientes está muito enganado pois vencer numa competição do nível do WRC engloba muitos detalhes que só as equipas mais bem apetrechadas conseguem. Damos um exemplo, em recente entrevista ao AutoSport, o mecânico da VW Motorsport confessou que um dos segredos da equipa era trocarem peças de desgaste antes do seu limite, não deixando dessa forma margem para haver azares com peças a partir, o que claramente acontece em equipas com menos meios. A história é sempre a mesma, o dinheiro faz muita diferença, sempre assim foi e sempre assim há-de ser ainda que isso não signifique que por vezes uma equipa-cliente não possa vencer como sucedeu o o ano passado três vezes no MotoGP.
Nunca será fácil um equilíbrio entre Construtores e privados, e por isso há que fazer escolhas. A verdade é que as duas situações oferecem vantagens e desvantagens. A existência de equipas oficiais, ‘espanta’ os privados, porque o mediatismo recai sempre nos mais fortes. Isso aconteceu com Martin Prokop nos últimos anos, queixando-se muitas vezes que ninguém ligava nenhuma à sua equipa. Gastava dinheiro, ajudava à festa, e não tinha retorno sequer perto das oficiais. Por outro lado, se uma competição está sujeita aos grandes construtores, o sucesso da competição está sempre ligado às decisões dos Conselhos de Administração das Marcas. Se forem equipas, os Construtores lutam da mesma forma, ainda que de modo indireto por ter os seus carros a vencer no WRC, mas não havendo ‘oficiais’ é muito mais fácil surgirem mais equipas, pois a possibilidade de vencerem aumenta muito. Mas não é fácil optar e tudo isto é uma excelente base para discussão…
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI





[email protected]
25 Fevereiro, 2017 at 23:00
Muito bem, sim sr; mas tudo tem um principio e neste caso tem na matricula ” troféu”, pois é!
Mesmo as boas equipas não conseguem investir em vários escalões, mas as marcas sim! e sem qualquer dificuldade acrescida.
Então que sejam os próprios interessados e produtores a tomar iniciativa, sem preconceitos de qualquer espécie…
Vasco Morgado
26 Fevereiro, 2017 at 2:46
A última vitória de um carro não oficial numa prova do WRC, ocorreu justamente em Portugal, na edição de 2012, onde Mads Ostberg foi o vencedor com o seu Ford Fiesta RS WRC inscrito pela sua equipa a Adapta World Rally Team e, como certamente se lembrarão, essa vitória foi obtida em condições muito sui géneris pois aliado ao mau tempo que condicionou bastante a prova, esteve também o facto do Citroen DS3 WRC de Mikko Hirvonen ter sido desclassificado devido a irregularidades detectadas com o turbo e outro órgão mecânico.
Kankkunenfan
26 Fevereiro, 2017 at 22:30
Por acaso a ultima vitória de um privado até foi à pouco mais de um mês atrás. Mas mesmo que fosse a de Ostberg, a verdade é que equipas oficiais a pilotos competitivos nunca fornecem o mesmo. Claro como a agua quando Solberg alugou o C4 à Citroen. Acho que no meio disto tudo, há é que mudar de promotor. Decidem em cima dos joelhos e depois vêm pedir desculpas, optam pela decisão destes carros e agora estão preocupados com os privados. Porquê? Porque na pura das verdades a taça privados com os anteriores WRC não teve a adesão esperada. Esperto será o Gorban que ainda será campeão do mundo com um Mini JCW WRC na taça privados. Já a exemplo de retorno nos privados, isso tem muito que se lhe diga. Por vezes tem de se fazer um projecto diferente e dar uma imagem, se for preciso, mesmo “hardcore” e isso vê-se em Bertelli ou viu-se em Kubica (não pelo stand e decorações muito “suis generis”) mas pela forma de tudo ou nada. Depois Prokop é um piloto que sendo regular, não passa tanto como se tivesse saídas de estrada. Cruel mas verdade e hoje em dia e como tudo, tem de se marcar a diferença e isso, com a Red Bull TV no terreno hoje em dia, a criatividade é um posto! Mas mais do que tudo, nos ultimos anos está mais do que visto que Jarmo Mahonen não é o promotor que o WRC necessita. Tem de se olhar para o WRC, sua história e futuro para o melhorar e não para outras modalidades do desporto motorizado. Veja-se que já chegou ao Moto GP, enfim.
Vasco Morgado
3 Março, 2017 at 1:30
Se se está a referir à vitória do Sebastien Ogier no último Rali de Monte Carlo, dizer quer foi “uma vitória de um privado” é um pouco forçado porque embora a M-Sport não tenha o suporte financeiro da Ford, tem contudo o muito importante suporte tecnológico da casa da oval azul.
Além disso a M-Sport tem um estatuto especial que lhe foi concedido pela FIA, com o consentimento das marcas que na altura – 2013 – estavam a participar no WRC, que é ser considerada, para todos os efeitos, como uma equipa de fábrica ainda que, como disse, não goze dos apoios financeiros da Ford mas, nas decisões que têm de ser tomadas no seio da Comissão de Ralis da FIA, a M-Sport está em igualdade de deveres e direitos tal como a Hyundai, a Citroen ou a Toyota e isso viu-se ainda recentemente quando as marcas foram chamadas a pronunciarem-se sobre a hipótese dos VW Polo WRC 2017 poderem ou não participar no WRC deste ano.
Por conseguinte, e como referi no início, dizer que a vitória de Ogier no último Rali de Monte Carlo foi “uma vitória de um privado” é “esticar” bastante o conceito do que é uma equipa privada, mas enfim.