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Os acidentes mais marcantes da última década no WRC | AutoSport

Os acidentes mais marcantes da última década no WRC

Por a 3 Dezembro 2022 16:54

Crah” Boom! Bang! O título de uma famosa música dos Roxette, da falecida Marie Fredriksson, serve bem para titular esta nossa peça, na qual, vamos recordar alguns dos acidentes mais marcantes da última década no WRC

Por José Luís Abreu

O acidente de Adrien Fourmaux e Alex Coria no início de 2022, no Rali de Monte Carlo é apenas o último de uma longa série, que felizmente não tem trazido grandes consequências físicas para os ocupantes. Olhando para a década anterior, houve mais de uma centena de acidentes, uns com mais consequências que outros. Vamos recordar apenas alguns, os mais significativos, sendo que entre eles houve pilotos despedidos logo a seguir, equipas no hospital, e também… um Titanak. Venha daí recordar…

Rali de Monte Carlo 2022: O Acidente de Adrien Fourmaux

O Rali de Monte Carlo parece ter criado uma tendência de grandes acidentes logo a abrir o ano. Em 2022, Adrien Fourmaux/Alexandre Coria capotaram o Ford Puma Rally1 no início do segundo dia do Rali de Monte Carlo, num acidente ‘feio’, mas que felizmente não trouxe consequências físicas para a dupla. O francês saiu em frente numa curva, bateu no morro do lado direito e capotou por cima dos ralis, com o carro a cair num precipício e imobilizou-se cerca de 30 metros mais abaixo. 

O carro ficou muito destruído, o roll bar ficou danificado e o abandono foi inevitável: “Isto é uma enorme desilusão para mim. Um ano de construção de um Ford Puma Rally1, enormes expetativas no meu rali preferido, para a minha primeira temporada completa. Penso também nos mecânicos que trabalharam tanto, dia e noite, para nos colocar no melhor carro possível. Sinto muito por este erro, mas vamos trabalhar ainda mais para voltarmos fortes na Suécia”, disse Adrien Fourmaux.

Tudo sucedeu devido a um erro numa nota, que tinha referidos 80 metros quando eram apenas 60. A verdade é que o piloto adequou a velocidade para 80 metros, mas quando travou faltou-lhe estrada, os tais 20 metros. 

Rali de Monte Carlo 2021: Primeiro acidente do ano para Teemu Suninen

Não começou nada bem o ano para a M-Sport e para Teemu Suninen e Mikko Markkula, já que após o quarto parcial da primeira especial do Rali de Monte Carlo, que lideravam nesse ponto intermédio, eis que o finlandês deixou fugir um pouco demais o seu Ford Fiesta WRC, bateu nas barreiras do lado esquerdo e saiu de estrada para um barranco, depois de capotar. Uma saída feia, mas sem consequências físicas para os dois ocupantes, quando estavam em linha para fazerem o melhor tempo do troço. Isto é o pior que podia acontecer à M-Sport. Entrevistado no local do acidente pela equipa do WRC.com, Teemu Suninen foi lacónico: “Perdi a linha, e pronto. É uma pena começar o ano desta maneira…” Para piorar as coisas, segundo revelou o piloto, o roll bar ficou dobrado, pelo que não foi possível regressar em Super Rally.

Rali de Monte Carlo 2020: O pior acidente da carreira de Ott Tänak

As coisas poderiam ter corrido muito mal a Ott Tänak/Martin Järveoja, mas felizmente a dupla pode contar com um Hyundai i20 Coupe WRC à prova de bala. O acidente foi feio, mas não teve consequências físicas para os seus ocupantes. Não era esta a estreia que a dupla pretendia com a Hyundai. Uma pequena lomba, que a 180 Km/h foi decisiva para o assustador acidente que tiveram Ott Tänak/Martin Järveoja no Rali de Monte Carlo. Estávamos na PE4, e ao Km 9.2, numa zona de curvas ligeiras, muito rápidas, os homens da Hyundai pisaram a berma do lado direito, o carro desequilibrou-se e o estónio nunca mais o ‘agarrou’, saindo violentamente de estrada, continuando a capotar e a descer uma ravina de 25 metros por 14 longos segundos, até se imobilizarem. Muito ‘chocalhados’, mas sem maior necessidade do que passar uma noite no hospital por precaução. “Estamos bem”, disse Ott Tänak já no parque de assistência: “Batemos numa lomba que eu não identifiquei nos reconhecimentos, chegámos ali um pouco depressa demais, e depois da lomba entrámos numa linha de trajetória errada e a partir daí tivemos o acidente a alta velocidade. Todo o equipamento de segurança fez o seu trabalho, estou contente por estarmos aqui sem lesões, portanto é bom. Nunca me tinha acontecido no Monte Carlo, mas é como estamos agora, e a partir daqui há que reconstruir, e regressar”, disse Ott Tanak que quer entrar no carro o mais rapidamente possível: “Não faz qualquer diferença para a próximo prova. Vamos continuar como planeado, quero chegar à Suécia, pois é um dos meus ralis favoritos. Ainda não sei quando vou testar. É uma longa temporada, mas temos que tentar evitar problemas nas próximas 12 provas.”

Rali da Argentina 2019: Enorme acidente de Esapekka Lappi
O finlandês tinha estabelecido um promissor quinto tempo mais rápido na primeira especial desse dia. Porém, depois disso Esapekka Lappi e Janne Ferm foram vítimas de uma violenta saída de estrada na PE7. A dupla alargou a sua trajetória e saiu para a berma da estrada e, a partir daí, a série de capotanços foi inevitável. Foi mesmo feio e também perigoso para os espectadores…

Rali do Chile 2019: Acidente de Thierry Neuville
Thierry Neuville/Nicolas Gilsoul despistaram-se violentamente no Rali do Chile. A dupla tinha acabado de subir ao terceiro lugar na sétima especial, mas na seguinte, após um topo, alargaram um pouco a trajetória, foram à berma e capotaram violentamente diversas vezes, pois rodavam a uma velocidade bem elevada. Foi o co-piloto de Thierry Neuville, Nicolas Gilsoul, que nos relatou os acontecimentos: “Apesar da violência do choque não ficámos feridos, embora vários dias de descanso tenham sido necessários para permitir que o corpo recupere da força centrífuga que experimentámos durante essa série de capotanços. A nossa saída de estrada foi o resultado de uma curva que julgámos mal, errámos cerca de vinte centímetros, no máximo.
A segurança dentro do cockpit de um carro de rali evoluiu enormemente. Sem a condição física, a célula de sobrevivência da Hyundai, que desempenhou perfeitamente o seu papel, a bacquet, o capacete ou as correias do sistema HANS, as consequências poderiam ter sido bastante desagradáveis. Saímos dos destroços do carro e ficámos bastante chocados, mas estávamos na vertical, ilesos.”

Rali de Portugal 2018: Acidente de Kris Meeke
Kris Meeke e Paul Nagle despistaram-se em Amarante, com a dupla da Citroën a danificar seriamente o seu C3 WRC e a ter de ir ao hospital por precaução: “Virei ligeiramente atrasado para uma curva rápida, falhei a linha e fui para a terra solta da zona de fora da curva, tendo perdido o controlo do carro. Estou muito agradecido por terem construído um carro tão forte. Foi um erro meu, não há dúvidas.”
Foi a gota de água para a Citroën. A construtora despediu a dupla, apontando como razão os “frequentes despistes” do piloto e “alguns [acidentes] particularmente violentos poderiam ter tido sérias consequências para a segurança da tripulação, quando as questões desportivas não justificavam os riscos.”

Rali da Argentina 2017: Meeke, despiste atrás de despiste
Dois despistes para Kris Meeke no Rali da Argentina. “No primeiro fui totalmente apanhado de surpresa. Um salto fez-me perder o controlo. O carro estava muito difícil de pilotar.” Do segundo, nem falou, pois foi ‘daqueles’ que podia ter acabado muito mal. Numa zona super-rápida, a cerca de 200 km/h, deixou fugir a traseira do C3, tocou na berma e o que se seguiu foram uma ‘dúzia’ de carambolas, em que Meeke e Nagle se podiam ter aleijado fortemente.

Rali da Alemanha 2016: Panzerplatte a fazer ‘vítimas’
Stéphane Lefebvre e Gabin Moureau despistaram-se violentamente na especial de Panzerplatte Lang, facto que levou à interrupção do rali para assistência médica ao piloto e navegador. Os médicos tiveram que se deslocar para o local, e a dupla foi levada de helicóptero para o hospital. Recuperam bem, já que as lesões não foram significativas. Tudo sucedeu quando, numa zona rápida, o seu Citroën escorregou um pouco mais e ao baterem num dos enormes ‘pinos’ de cimento armado que ladeiam a estrada, foram ‘chicoteados’, com o carro a ficar completamente destruído depois de bater nas pedras várias vezes.

Rali do México 2015: Titanak
Ott Tänak e Raigo Molder despistaram-se na PE3, caindo para um lago, saindo do carro segundos antes deste se afundar por completo. Com o sucedido a dupla foi uma heroína da prova mexicana e, seguramente, uma das que obteve melhor índice de retorno no final do rali. O seu ‘macabro’ acidente para isso contribuiu, a par da forma como a equipa conseguiu novamente ‘dar vida’ ao Fiesta, que foi decisiva para potenciar a propagação da comunicação do caso, conseguindo a M-Sport reverter o infortúnio a seu favor e explorar, de forma exemplar, a situação em termos de comunicação.
Uma boa prova disso foi a descrição cronológica de todos os acontecimentos – antes, durante e depois do acidente e reconstrução do Fiesta – que a equipa liderada por Malcolm Wilson fez questão de divulgar e que ajudam a perceber todos os momentos marcantes deste episódio que Tänak, Molder e toda a estrutura da M-Sport nunca mais esquecerão e que ficará gravada na memória do WRC…

Rali de Portugal 2011: Despiste de Ken Block no shakedown
Ken Block despistou-se violentamente no shakedown do Rali de Portugal, e as coisas poderiam ter corrido muito mal: “Depois de ter feito dois dias de reconhecimentos e estar prestes a começar o rali, foi demasiado frustrante aquele acidente. Trabalhei imenso com o Alex nas notas, e o acidente do shakedown foi ridículo, um erro terrível. Tivemos sorte de não haver lesões, e fiquei a perceber bem como os carros são extremamente bem desenhados e construídos. Um dos impactos do acidente aproximou-se dos 16g”, referiu Ken Block, na altura.
Para que se perceba um pouco melhor o acidente e as consequências que poderia ter tido, uma pessoa normal pode suportar uma aceleração a rondar os 5g (ou 50m/s²); um piloto de caças supersónicos é capaz de suportar uma aceleração de 9g (90m/s²). Ken Block e Alex Gelsomino suportaram um embate a 16g (160m/s²).

Rali de Portugal 2009: 17 cambalhotas em dia de aniversário
Se dúvidas houvesse acerca da resistência dos WRC, elas teriam terminado na quarta especial do Rali de Portugal de 2009, quando Latvala e Lehtinen capotaram 17 vezes por uma ribanceira de 150 metros de altura e saíram do Ford Focus WRC apenas com alguns arranhões e pelos seus próprios meios! Num dos mais violentos acidentes de sempre no Mundial de Ralis, o finlandês explicou: “Este foi o mais sério da minha carreira – nunca mais voltou a ter nada igual, se bem que continuou até agora a ter acidentes, alguns bem fortes – e devia ter abrandado antes do topo… e não quando já lá estava! Bati num morro, andei em duas rodas e comecei a capotar. Foi assustador e há 20 anos (1989) poderia não ter sobrevivido!”, assumiu o impetuoso finlandês na altura. Dias depois, já mais calmo, explicou melhor: “Foi mesmo um acidente incrível e deveu-se a notas com demasiada informação, pois em determinada altura o Mikka [Antilla] disse ‘dupla atenção’, mas misturado com outras notas, que eram menos relevantes, pois o que era realmente importante era a ‘dupla atenção’ e foi precisamente essa parte da informação que não registei. Quando o Mikka se apercebeu que eu não tinha ouvido, repetiu o ‘dupla atenção’, e nessa altura apercebo-me que ia depressa demais e travo, só que o carro atravessou-se para o lado esquerdo e é aí que toca no morro. A partir daí foi o que todos sabem”, referiu Latvala, que depressa voltou ao cockpit do Ford Focus WRC numa ação promocional da equipa, voltando a sentir o ‘feeling’ de sempre: “Quando entramos no carro esquecemos tudo…”, concluiu.

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