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A Skoda nos ralis: uma História que ainda hoje continua viva… e bem viva | AutoSport

A Skoda nos ralis: uma História que ainda hoje continua viva… e bem viva

Por a 2 Dezembro 2022 17:47

Apesar da Skoda dar cartas, há muito, na segunda divisão dos ralis bem como nos campeonatos regionais com o seu Fabia R5 ou Rally2, a verdade é que a História da Skoda nos ralis mundiais começou ainda na década de 60. Ou seja, o ADN, vem de longe…


Nessa altura, a Skoda utilizou tanto o Octavia (o original, não o mais recente modelo, com o mesmo nome…), como o 1000MB, antes de avançar para as séries 110, 120 e 130 – esta a que, em última análise, acabou por dar o 130RS, o primeiro ‘RS’ da Skoda que lhe deu sucesso mundial.
No princípio, a maioria dos modelos que a Skoda usou em provas, especialmente de ralis, eram pouco diferentes das versões de série, tinham motores pequenos e competiam nas classes mais baixas. E foi só depois do 130RS, no final da década de 70 e princípio da de 80, e, em 1985 e 1986, com o 130 LR, que a marca checa entrou no galarim das marcas com direito a um ‘pedigree’ verdadeiro nos ralis. Curiosamente, a Skoda aproveitou as regras mais liberais do Grupo B, em 1986, para produzir um 130LR mais potente, mais ou menos de acordo com o que existia então nesse grupo – mas, nem por isso, mais eficaz, ou seja, capaz de lutar pelas primeiras posições à geral. É que a Skoda não passava, então de um pequeno ‘outsider’ nesse exigente mundo – o departamento desportivo tinha apenas instalações pequenas, perdidas no meio da fábrica principal, em Mlada Boleslav. E, também nessa altura, o principal obreiro dos resultados da Skoda no WRC foi o norueguês John Haugland, então uma espécie de ‘filho da casa’, embora a maioria dos seus pilotos serem muto experientes e de fato talentosos, embora pouco conhecidos fora do seu país e dos arredores (leia-se a Cortina de Ferro). Só mas tarde surgiram nomes como Pavel Sibera e Emil Triner.
Os Skoda estavam tecnicamente muito ultrapassados, frente aos carros das outras marcas concorrentes. Mas tinham uma vantagem, que era enorme nessas autênticas maratonas de resistência que eram então as provas de ralis: eram especialmente fiáveis e resistentes. Por isso, a Skoda era bem sucedida onde os pisos eram especialmente duros e onde as classificativas eram mais longas.
Por isso, não foi nenhuma surpresa que, por exemplo com o 130RS e o 130LR, a Skoda vencesse, quase sem adversários, a categoria em que inscrevia os pequenos carros, com motor abaixo dos 1.300 cc. Isso aconteceu em várias edições do RAC e da Acrópole, mas também no rali da Suécia. Paralelamente, conseguiu alguns resultados que forma mais que lisonjeiros, ao terminar em 8º da geral na prova grega, em 1979 (Vaclav Blahna/Jirí Motal, Skoda 130RS) e 9º em 1978 (Miloslav Zapadlo/Jirí Motal, Skoda 130 RS) em 1978 e em 6º e 9º no San Remo de 1986 (Ladislav Krecek/Borivoj Motl, Svatopluk Kvaizar/Jirí Janecek, ambos em Skoda 130LR) – vencendo sempre a respetiva categoria até 1.300cc. No Europeu, venceram várias provas e foram campeões em 1981. Até 1989, a Skoda utilizou sempre modelos com tração traseira, que nesse ano foram finalmente reformados, surgido então o Favorit, que tinha tração às rodas dianteiras e foi usado até 1994. Mas este modelo não teve tanto sucesso, em termos gerais, como os anteriores, embora estivesse equipado também um motor pequeno, com 1.300 cc, mas somente 110 cv, o que o tornava desesperadamente lento. Mesmo assim, venceu várias vezes provas na chamada ‘Fórmula 2’, para carros com duas rodas motrizes e, em 1994, foi mesmo Campeã do Mundo, pois foi a única marca a disputar todo o campeonato, lutando sempre contra carros mais evoluídos e com maior apoio oficial, como o Opel Astra e o Nissan Sunny Nesse ano, a coroa de glória foi, uma vez mais nos rudes terrenos da Acrópole, onde os seus pilotos Pavel Sibera e Eml Triner foram, respetivamente, 9º e 10º na classificação geral.


E foi apenas em 1995, com a introdução dos chamados ‘kit cars’, que a Skoda decidiu construir um carro mais desenvolvido, tendo como base o chassis do Felicia. Teve motores com 1.500 cc e, depois, com 1.600 cc e, continuou a vencer a sua classe com regularidade, mas não mais que isso, pois a ‘Fórmula 2’ tinha motores com 2.0 litros e os Felicia ‘Kit Car’ eram incapazes de os acompanhar e, muito menos, batê-los. Apesar disso, um destes Felicia subiu ao pódio no RAC de 1996 (3º lugar da classificação geral, vencendo a categoria 2-Litre WC), pilotado pelo veterano Stig Blomqvist, então já com 50 anos, que demonstrou como não era preciso ter-se entre mãos um colosso para deslizar com rapidez nas estradas cobertas de neve e gelo que foram, nesse ano, alco da prova britânica.
O Felicia deu lugar, em 1998, a uma versão ‘Formula 2’ do Octavia, com um motor 2.0 e tração dianteira antes da Skoda avançar para a construção de versões com tração 4×4, para o WRC, do mesmo modelo, enquanto as versões de F2 foram competindo cada vez em menos provas, até desaparecerem.
A partir de 1999, a Skoda estabeleceu-se na alta roda do WRC, com modelos como o Octavia WRC em várias Evo e o Fabia WRC e pilotos como os inevitáveis checos Sibera e Triner, mas também Bruno Thiry, Armin Schwarz, Kenneth Eriksson, Toni Gardemeister, Blomqvist, Luís Climent ou Roman Kresta, para só citar os pioneiros.
Depois, vieram os Fabia S2000, o Skoda Fabia R5, Rally2, que tão bem sucedidos têm sido nos ralis – mas isso ainda existe agora e faz parte da História mais recente da Skoda, que não é para aqui chamada. Talvez daqui a 20 anos…

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