Renault comemora 50º aniversário do modelo 8 Gordini

Por a 31 Janeiro 2014 17:23

A Renault vai celebrar no Salão do Automóvel Antigo em Paris o 50º aniversário do Renault 8 Gordini, mítico modelo de ralis que marcou os anos a segunda metade da década de 1960 daquele tipo de provas. Lançado em 1964, o Renault 8 Gordini era capaz de atingir 175 km/h, sendo um dos modelos desportivos mais famosos da marca francesa, tendo colocado quatro pilotos dentro dos cinco primeiros do ‘Tour de Corse’ de 1964.

De resto, no mesmo evento parisiense, a Renault também irá comemorar os 100 anos desde que os táxis da capital francesa (na maioria, Renault Type AG1) foram requeridos pelo exército transportar militares para a frente da Primeira Batalha de Marne. Em comemoração estará igualmente o 30º aniversário do monovolume Renault Espace, lançado originalmente em 1984. O Salão do Automóvel Antigo decorre em Paris entre 5 e 8 de fevereiro.

Recorde a história do Renault 8 Gordini

Ainda era o Rali de Portugal candidato ao WRC, em 2005, quando o AutoSport ligou o passado ao, então, futuro, ao levar o Renault 8 Gordini de Carpinteiro Albino e Silva Pereira a reconhecer os troços do novo Rali de Portugal que se realizaria pela primeira vez no Algarve. A dupla portuguesa fez história em 1967 ao vencer a primeira edição do Rali de Portugal, uma prova em que à entrada para a última etapa, disputada nas estradas de Sintra, o francês Jean-Pierre Nicolas surgia destacado no comando. Mas uma avaria na caixa de velocidades do seu Renault 8 Gordini fê-lo perder a prova para José Carpinteiro Albino e Silva Pereira, também eles aos comandos de um Gordini. A primeira vitória era portuguesa! Nas palavras de Carpinteiro Albino, ‘”a dureza da prova era inimaginável, tanto para os condutores como para os automóveis”. Precisamente por isso, hoje recordamos o mítico Renault 8 Gordini, que um português levou à vitória na primeira edição do Rali de Portugal.

No final da década de 50, a Renault decidiu substituir o famoso Dauphine, um modelo que tinha feito sucesso em toda a Europa, no Brasil e até nos Estados Unidos. Em 1960 e 1961, realizaram-se os primeiros testes, no Norte dos EUA, por causa do frio intenso, na Guiné, devido ao calor tórrido e à poeira, e também nas estradas precárias da Sardenha. Em 1962, no Salão de Paris, o Renault 8 foi finalmente apresentado público. Quatro portas, linhas rectas, uma boa área envidraçada, motor e travão traseiros. Na frente, um par de faróis redondos acima de pequenas luzes de direcção. Media 3,99 metros de comprimento. O motor de quatro cilindros em linha, refrigerado a água, de 956 cm3, tinha uma potência de 48 cavalos às 5.200 rpm. Chegava aos 130 km/h. Por dentro era confortável para quatro passageiros, apesar de permitir mais um. Em 1964 chegava a versão apimentada por Amédée Gordini, inesquecível para muitos pilotos franceses. Com motor de 90 cavalos e dois carburadores, era facilmente reconhecida pela cor azul e as duas faixas brancas que cobriam toda a parte superior da carroçaria.

A mais famosa versão, que deixou saudades em toda uma geração, foi a R8 Gordini, também lançada em 1964. Logo fez um estrondoso sucesso, sobretudo quando alcançou o primeiro lugar na Volta à Córsega, na sua prova de estreia. Até 1966 foram produzidas 2.623 destas versões especiais. Nesse ano era também lançado o Gordini 1300. Passava a ter 1.255 cm3 e potência de 103 cv a 6.750 rpm. Estava mais rápido. A velocidade final agora era de 175 km/h. Na parte externa, mais dois faróis auxiliares de longo alcance. Um desses exemplares chegou a Portugal em 1967, para integrar a equipa oficial da Renault. Durante duas épocas foi pilotado por José Carpinteiro Albino que em ambas as ocasiões se sagrou vice-campeão nacional. Teve a sua maior vitória no primeiro Rali Internacional TAP. Depois de duas décadas sem se conhecer o seu paradeiro, foi comprado e recuperado no início dos anos 90. Está presentemente, em exposição no Clube Português de Automóveis Antigos, participando pontualmente em provas de regularidade histórica, agora pela mão do seu filho, Eduardo Carpinteiro Albino.

Primeiro vencedor do TAP

Traçando como objectivo a integração, a curto prazo, no Campeonato da Europa de Ralis, a equipa liderada por César Torres delineou uma prova à imagem do Monte Carlo de então, com partidas de várias cidades europeias, que convergiriam para um ponto de concentração, seguindo-se depois um itinerário comum com milhares de quilómetros percorridos em escassos dias. A escolha de um traçado bastante duro para mecânicas e pilotos, foi a forma encontrada pela organização para capitalizar prestígio e atrair os melhores pilotos nacionais e estrangeiros. Nascia assim em Outubro de 1967, o Rallye Internacional TAP, prova que iria marcar o panorama automobilístico do nosso país.

Já nessa altura, Sintra, Montejunto, Caramulo, Lousã e Arganil faziam parte do mapa, mas os troços cronometrados não tinham ainda grande importância. Os ralis decidiam-se nos setores de ligação, em estradas abertas ao público, com controlos horários distribuídos ao longo do percurso, que obrigavam os pilotos a adoptar de forma constante um ritmo rápido para não penalizar por atraso. A noite assumia preponderância no horário da prova, pois havia menos trânsito e as médias de velocidade a cumprir podiam ser mais elevadas.

O jovem Jean Pierre Nicolas, em Renault 8 Gordini, foi cabeça de cartaz e cabia-lhe o papel de enfrentar uma forte concorrência nacional onde apenas faltou Manuel Gião. José Lampreia liderou no início, mas foi obrigado a abandonar, deixando o comando nas mãos de Nicolas, que apenas o perdeu já na última etapa, com problemas na caixa de velocidades. Quando tentava recuperar a liderança, o francês bateu em Sintra, entregando definitivamente a vitória à dupla Carpinteiro Albino/Silva Pereira, também em Renault 8 Gordini, que se tornou, desta forma o vencedor da primeira edição do Rali de Portugal.

Quem foi José Carpinteiro Albino?

José Carpinteiro Albino nasceu em Elvas no ano de 1938. Foi ao volante de um Volkswagen 1200 que se estreou nos ralis, em 1965. Dois anos volvidos, vencia o primeiro Rali Internacional TAP, com um Renault 8 Gordini, navegado por Silva Pereira. Metódico e muito regular na condução, raramente cometia erros, sendo especialmente rápido no nevoeiro. Em 1969, sagrou-se Campeão Nacional de Turismo Especial, então já com um Saab 96. Terminou a sua carreira desportiva em 1973, com um Fiat 124 Spider da equipa Torralta. Continuou depois ligado ao automobilismo como responsável da Galp para os patrocínios de equipas e pilotos e veio a falecer após doença prolongada em 2002.

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