Depois de dois anos dominantes no Troféu Citroën C2, o piloto de Fafe terminou o ano como primeiro vencedor do Campeonato de Portugal de Ralis 2 Litros / 2 Rodas Motrizes, juntando mais este título a tantos outros: Dois títulos no Troféu Fiat Punto, um no Troféu Peugeot 206, um na antiga Promoção Citroën AX, um do Nacional de Promoção – Terra, um da Taça Nacional de 2 Litros, um da Taça de Nacional de Ralicross e as dois do Troféu C2. Perante um palmarés destes, apetece perguntar porque é que Antunes quer abandonar os ralis depois de 12 anos de carreira.
Parte da resposta até pode estar na forma como o Rali Casinos do Algarve terminou. Chegando a Portimão dois pontos na frente de Antunes, Carlos Matos acabou dois lugares atrás do piloto do C2, mas acusando a Citroën de ter ordenado aos seus pilotos que deixassem passar Antunes caso fosse necessário. Não o foi.
Com os pontos do quarto lugar no CPR2, e o atraso de Matos – sexto no final após ter perdido vários minutos na PE2 quando o capot do Clio S1600 se abriu – Antunes ascendeu à liderança empatada da tabela em termos pontuais, mas com vantagem por ter ganho três provas contra nenhuma de Matos.
A quente decisão do título “abafou” mais uma exibição demolidora de Miguel Campos, que deu a terceira vitória consecutiva ao Renault Clio R3 da ARC Sport, quase cinco minutos na frente do melhor classificado dos Citroën C2, Frederico Gomes. Este acabou a prova a controlar o andamento de Armando Oliveira, já depois de dois furos terem atrasado Paulo Antunes, que no entanto aumentou a “colecção” ao terminar na frente de João Fernando Ramos e Carlos Matos. Realce ainda para a boa prova que Francisco Barros Leite que discutia a vitória com Campos, antes de abandonar, devido a uma saída de estrada, na sexta especial.
Antunes quer abandonar os ralis
O contraste entre uma estante recheada de troféus e a falta de oportunidades para evoluir provocaram um desgaste sensível em Paulo Antunes. Aos 39 anos, o piloto nortenho diz-se “pronto para abandonar os ralis, devido a um conjunto de factores”, entre os quais também estará a forma “acalorada” como terminou o CPR2 no Algarve. Após três épocas plenas de sucesso com o Citroën C2, Paulo Antunes colocou carro à venda “porque considero que os ralis devem ser um prazer e não uma fonte de frustração. Cheguei a um ponto da minha carreira onde só consigo continuar se me sentir apoiado, mas, infelizmente, esses apoios nunca chegaram.”
O título chega no final de uma época onde Antunes ganhou todas provas até Miguel Campos entrar na “equação”, com um notoriamente mais competitivo Clio R3. “Sinto que não estive no meu melhor no Algarve mas mereço o título por tudo aquilo que passei ao longo do ano. Agora, deixarei o carro na garagem a não ser que surja uma oportunidade melhor… ou então que o “bichinho” seja mais forte do que eu”, prometeu.









